Workshops abordam mobilidade

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No segundo dia da I Semana da Acessibilidade e Inclusão na UFV, 30 de agosto, o Centro de Ensino de Extensão da UFV foi palco de dois workshops: Acessibilidade, Mobilidade e Cidadania e Estágio Vivencial em Acessibilidade.

O primeiro, ministrado pela cadeirante e ex-professora do curso de Economia Doméstica, Maria José Fontes, contou um pouco sobre as experiências e dificuldades que a ex-professora enfrentou em lecionar portando uma cadeira de rodas.

Maria José, cadeirante e ex-professora, durante sua palestra em uma sala de aula. (Foto: Ricardo Almeida)

Maria José foi professora da UFV por 30 anos, sendo que em nove deles trabalhou utilizando uma cadeira de rodas, após um acidente automobilístico que a incapacitou de andar. Ela chamou atenção para a falta de estrutura física que a dificultava de ter acesso ao local de trabalho.

O segundo workshop, Estágio Vivencial em Cidadania, foi ministrado pelos professores Paulo Tadeu e Ítalo Stephan, do curso de Arquitetura e Urbanismo, da UFV. Segundo o professor Ítalo, a ideia é “conscientizar as pessoas de que alguma coisa deve ser feita para melhorar as condições de acessibilidade”.

Visão geral da sala de aula onde aconteceu o workshop Estágio Vivencial em Acessibilidade. Na imagem, é possível ver pessoas sentadas, de costas, e uma lousa à frente. (Foto: Ricardo Almeida)

Os professores apresentaram alguns dados durante a palestra para exemplificar o quão é importante tomar medidas para a melhoria da acessibilidade.

Segundo eles, 38% das pessoas se locomovem a pé no Brasil. Isso corresponde a uma parcela superior a qualquer outro transporte, como carros, motos, e até mesmo transporte público. Ou seja, todos os dias a maior parte dos brasileiros vão ao trabalho, à escola, entre outros, andando.

Daí a importância de se atentar não somente às estradas, mas também às calçadas.

O ponto alto da palestra foi quando os ouvintes foram divididos em grupos e puderam vivenciar as dificuldades enfrentadas por portadores de alguma deficiência.

Cada grupo deveria ir até algum lugar, estabelecido pelos palestrantes, usando objetos que os dificultassem, ou até mesmo, impossibilitassem de enxergar ou andar. Os membros do grupo deviam se alternar durante o trajeto para que todos pudessem vivenciar a experiência.

Participantes vivenciaram experiências impostas à quem tem algum tipo de deficiência. Na imagem, uma mulher utiliza uma venda nos olhos e bengala. Ao fundo, um cadeirante. (Foto: Ricardo Almeida)

Alguns grupos executaram o trajeto de cadeira de rodas, outros portando venda nos olhos e bastão de guia cego, simulando as dificuldades impostas a cadeirantes e deficientes visuais. Houve também aqueles que utilizaram óculos especiais que reproduziam graus acentuados de miopia, e pesos na perna para simular os obstáculos que os idosos enfrentam.

Josemar Rodrigues, de 43 anos, é cadeirante em decorrência de paralisia infantil, e acredita que esse tipo de atividade é excelente para conscientizar as pessoas:

“Só assim pra entender as dificuldades que enfrentamos no dia a dia” — Josemar Rodrigues, 43 anos, cadeirante
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