Apresentação

por Pedro Costa


A idéia de convidar amigxs e lançar um material escrito sobre queer, pós-pornô, arte, pornoterrorismo e ações pornô contemporâneas no Brasil, já me acompanha há algum tempo. Mesmo com todxs xs meus contatos no “mainstream da arte contemporânea no Brasil”, a idéia não foi comprada. Já havia realizado alguns contatos propondo fazer uma edição assim. Mas como não podemos parar, e pela experiência do funk carioca de “se não gostou, me engole!”, aqui estamos! Agora lançamos de uma forma faça-você-mesmx e copyfight. E eu me sinto como a própria encruzilhada, onde todxs nós nos encontramos.

Acredito que essa idéia condensou e foi possível devido a minha contaminação afestiva, ou seja, afetiva+festiva, em Barcelona, em dezembro de 2013, no Museu Oral da Revolução. Fui convidadx por MaFe, o que possibilitou ver os trabalhos e conhecer pessoalmente xs artistas pós-pornô de lá. Assim, me auto-convidei para a Muestra Marrana 6, que aconteceu agora no final de fevereiro. Ao ir à Viena em janeiro, reencontrei Fernanda, e já a tinha convencido a fazer a fala comigo na Muestra. A partir daí, começamos a pensar em como conectar Pornochanchada com Pós-Pornô-Terrorismo no Brasil, e falar sobre isso. Eu já pensava em fazer filmes Pós-Pornochanchada, mas o único que fiz com esse intuito foi “A revolução é o meu pau mole”. Ao publicar o blog da Muestra na rede social com o tema da nossa fala, Maria Eduarda nos envia uma mensagem dizendo que está pesquisando sobre o tema. Maria participou da Muestra com um curta chamado “El Penetrador“, com a música Fuder Freud de fundo (versão Barbara Browning). Foi assim, nesse encontro, que percebi o momento ideal para lançar um zine com o tema Pornô.

Todxs contaminadxs e conectadxs, fui falando com xs amigxs que fazem parte da minha vida afestiva. Nessa edição estão: Taís Lobo, Maria Eduarda, Lurya Wittig, Jota Mombaça, Giorgia Conceição, Fernanda Nogueira, Coletivo Coiote e a tia Solange.

Taís Lobo, que ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas já atuamos numa linha de comunicação de alta tecnologia: a do Povo de Aruanda. Taís, há pouco, lançou seu trabalho de monografia em cinema, intitulado “Antropofagia Icamiaba — Contra-sexualidade e contra-cinema: a auto-pornografia como ferramenta de subversão política“, que inaugura um novo momento sobre o tema. Jota Mombaça, que carinhosamente denomino de Bombaça, vem investindo horas em conversas comigo pela internet. Adoro suas produções! Aqui, o convidei para falar de “Corpo Colônia“, nome de uma performance sua e, também, da sua experiência de vida diária. Giorgia Conceição, que trabalha com suas questões sobre Corpo Gordo, Arte Pornô e Cabaret, e que nos conhecemos em 2011. A conheci quando ela deu uma palestra e uma pequena mostra do seu trabalho Technomaravilha, com seu corpo nu, num estado de epilepsia causado pela música/dança. Quando fui falar com ela, após a apresentação, ela também já me conhecia pela Solange. Esses dias, ela passou aqui em Berlim, e nos reencontramos após muito tempo. Lurya Wittig, que tive o prazer de conhecer em Barcelona, e que é uma pessoa que eu admiro muito pela sua luta, doçura e escritos trans-queer-feminista. Fernanda Nogueira, que estava no encontro em 2011 no Rio de Janeiro, e que pude realmente a conhecer pessoalmente agora, e que tem feito um trabalho histórico muito interessante sobre Arte e Pornô e que, cada vez mais, se contamina com as vivências pós-pornô, trans, queer, rebolativas. Coletivo Coiote, que me arregaça toda com os trabalhos que elxs realizam e que tenho um grande afeto. Todxs lindxs aqui e eu super agradecida!

A proposta é expor um pouquinho do que cada pessoa/coletivo tem pensado e escrito e mostrar como realizam suas ações, ou qualquer forma expressiva sobre Arte, Pornô e Política. Obviamente, xs amigxs da Revista Rosa toparam a idéia de publicar tudo isso. Falei com elxs justamente pelo carinho, profissionalismo e design que fazem suas edições. Espero que mais amigxs, xs que não puderam agora e xs que vão ler, se interessem em fazer circular suas idéias aqui pela Rosa (que tá aberta!), ou por qualquer outro meio. Para nós, no se puede descolonizar sin despatriarcalizar (Mujeres Creando). E, como disse o slogan da Muestra Marrana, e convoco aqui novamente: É necessário renovar o imaginário pornográfico!

Bem vindxs!

Pedro Costa