COIOTE, UM KORPO EXTRAÑO

por Coletivo Coiote


Moradores de rua e a aproximação

  • Comedores e dadores de cú
  • A não aceitação de travestis em albergues assistencialistas por conta do carater religioso das instituições
  • As relações homossexuais em presidios e moradores de rua
  • A margem da margem
  • O preconceito dentro de guetos
  • O hibridismo. A perca e a busca/por identidade não normatizada
  • O uso de drogas e o alcoolismo para matar a fome
  • Na vestimenta as sobreposições (queer) para matar o frio
  • A ignorancia também das minorias que afetam os marginalizados extreme (machismo e patriarcado impostos e reproduzidos)
  • Minha vivencia e minha história na rua e centro assistencial
  • As relações e entre prostitutxs e moradores de rua
  • DSTs
  • SUS ridicularizando o humano
  • As regionalizações no país
  • As regionalizações e segregações entre grupos de moradores de rua numa mesma localidade
  • Como acontece em outros países?
  • ONGS?
  • Pessoas que por não aceitação da família vão morar na rua
  • Grupos assassinos
  • A vida na favela, minorias de genero e a liberdade e respeito que se tem.
  • Violencia policial
  • Proibição de se entrar em shoppings, etc
  • A aproximação da teoria queer no inconsciente puro não purista
  • A agressividade
  • A esquizofrenia
  • Descolonização geral do corpo
  • A assistencia social capitalista crista burguesa piedosa
  • Negro pobre viado travesty
  • Relações de companheirismo e amor entre moradores de rua
  • O quanto a modernidade exclui e tecnologia forja
  • Desterritorialização

Na rua do ouvidor, um morador de rua me convidou para o Aterro do Flamengo. “O que você gosta?” Noite Bêbada.
Jogada no lixo, não somos baixas… Somos subterrâneas.
Esfregando minha buceta no chão. Menstruação na terra. Fluxo constante. Eu aborto, tu abortas, somos todas clandestinas. Nem copa, nem eleição.
Sem programar, descontrole y organização.
Amor, arma biológica sem submissão.
Korpo fala, a casa prende e a rua ensina.
Depois que saí, chegou o guarda perguntando: O senhor não usa cuecas? Quando olhei pro meio das pernas, meu pinto fugia pelo buraco da calça.

Performance de vida, bomba sem relógio.
Sorvete de gala.

Korpos escatológicos, corpos desprogramados.

PRISÃO
PRECISO
PUNIÇÃO
PSICOLÓGICO
POLÍCIA
PUTA
PONTO DE SAÍDA

Nenhum trabalho é uma necessidade, nem o aluguel e a conta são destino.

Korpo arma biológica-não-destino.

¡Nada para nós, tudo para todxs!

A propriedade, um roubo — o roubo, uma desprogramação.

Sentada, detida y humilhada… Nunca vitimizada. Ré confessa contra a força armada do E$tado. O comandante da tropa de choque pergunta: O senhor é de direita, de esquerda ou anarquista graças a Deus? Eu disse que era desorientado políticamente.
Morte aos modernos hipsters queer frequentadores de balada e galerias de arte. Agora que nós sujamos, não tem volta. Já somos a desestabilização, o kaos. Nossos pés já estão sujos. Nossa boca tem fome infinita.
Boca de cu, que delícia.

Minha fome que é do tamanho do seu desperdício. Nossos beijos estão aos berros.
Yomango, descontrução, destruição, produção, autonomia y autogestão!

Atriz-teza x Ator-mentados. Sem representação, aqui é vida para além das provas, vivência na víscera. Abortos proibidos de putas baratas.
As bixas bandidas y as mana insubimissas. Os korpos sexodiversos, sem sexo.
TransEmpedido
Aos korpos livres, liberdade.
Saiam das suas casas, coloquem suas misérias. Diagnostiquem seus/meu corpo fracassado extremo convidem
Façam convites para suas festas.
22 de Março, aniversário de Gilda Furacão no cabaret ocupação Aldeia Maracanã de Resistência Indígena. 3h40min chegam os convidados espaciais: GogoBoys travestidos de policiais: Tropa de Choque.
O auge foram as bombas de efeito moral, balas de burracha para criança chupar cheia de spray de pimenta no olho.
A festa fechou ruas.
De presente de aniversário Gilda está fichada de criminosa por querer morar e conhecer seus parentes.
Sujheitas ao nada, agarrada ao desterro e equilibrando a anormalidade com a disposição e potencia do próprio nós. Afundadas em nós mesmas, entregues à primeira, segunda e infinitas situações. Desbravarmos as vidas, as selvas.
Planejamos tudo e nada deu certo. Paramos de planejar.
Agora somos o que queremos e o que estamos.
BIXAS BANDIDAS
KORPOS DESPROGRAMADOS
TRANSFEMINISTAS
ANTI-FACISTAS
RIOT FAGS
SAPATÕES BOLADAS
QUEER PUNX

A n(A)ve Terra Mãe explorada y estuprada em TRANStorno
Queima com suas filhxs por amor y revolta
Consumindo os pilares morais do civismo moral religioso
A queda do CI$tema para uma renovAÇÃO TRANSgressora

“Nós não vamos pagar nada!!!”

Korpos enquanto armas bélicas
Matéria envolvente entre espaço-tempo
Desprogramadxs do desejo de consumo hetero-capital-cri$tão
Desejantes de um devir selvagem
Korpos em festa

“Terra meu korpo, água meu sangue”

Desfragilizar o existir acomodado pelo E$tado
A possibilidade de re-existir sensível,
Mas sem perder a vital brutalidade dxs indignadxs
Ser a revolução em si

Cada cu, um buraco negro
De onde entram outros mundos
Pra onde saem outros cus

À merda todo discurso higienista
À merda a sociedade sectária
À merda toda sanidade

NÃO VAI TER COPA
vai ter luta!
PAREM OS DESALOJOS
Aldeia Maracanã (R)esiste!
LIBERTEM XS PRESXS POLÍTICXS
abram os cofres da ditadura!
PASSE-LIVRE JÁ!
Transporte público de qualidade y gratuito
LEGALIZAÇÃO DA CANNABIS SATIVA
arroz, feijo y maconha pro povão!
LEGALIZAÇÃO DO ABORTO
seguro y gratuito
DESPATOLOGIZAÇÃO DO SEXO TRANS
não sou gênero

O corpo, matéria que envolve o tempo y se reúne com o espaço para a criação de momentos.
Momento presente: DESprogramAÇÃO.
Desprogramar corpos fragilizados e traumatizados pelo heterocapitalismo sucateados por dispositivos tecnológicos que estupram nossas existências com extensões cis-têmicas. Existências roubadas de suas funções orgânicas, envergonhados de suas necessidades fisiológicas. Corpos máquina exploradas, desacostumadas à sensibilidade e acomodadas ao funcionalismo. Corpos funcionais ao capital, ao progresso social e à boa cidadania. Corpos mapeados de possibilidades nulas.
Devir além.
Re-existir prazeres sombrios, arregaçar carne e sangue para transbordar novidades. Explorar novas possibilidades através da anulação dos gêneros, utilizar a dor como interruptor de orgasmos múltiplos, ainda sem gozar porra. Gozar excrementos, adubos junto à terra.

Foto: Coletivo Coiote no filme “Cleópatra II — A Tirania do Desejo”

“Não to aqui pra ser gostosa nem acolhedora… Ciência quer saber qual que é o mistério da natureza e como domina-la, buceta/natureza”

“Não sou sua mãe nem sua puta, nem to aqui para ceder.”

Naracofunk na Linha Amarela do Metrô de São Paulo
Performance do coletivo no Festival Cena Queer, Salvador (BA)
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.