5 dicas para você não passar vergonha ao falar sobre feminismo

Esse texto é para você, homem, que também acredita na importância da luta pela igualdade de gêneros

Ana Clara Barbosa
Aug 28, 2017 · 6 min read
Foto reproduzida da Internet.

Primeiramente, eu queria dizer que este não é um texto para aqueles homens que odeiam o feminismo e que abominam a hipótese de escutarem uma mulher tentando explicar porque o movimento é importante. Se este é seu caso, recomendo que você leia esse artigo aqui — que é um guia prático maravilhoso, de homem para homem, que talvez te faça compreender essa luta. Poupe-se de me xingar, me odiar, me chamar de “feminazi” ou mal comida. Eu não te entendo, você não me entende. Vamos seguir as nossas vidas.

Não, esse texto não é para esse grupinho de homens incompreensíveis. Esse aqui é para vocês, que simpatizam com o feminismo, mas que ainda assim escutam uns xingos quando se pronunciam a respeito. Para aqueles que realmente querem contribuir com a nossa luta, mas nem sempre são recebidos de braços abertos, e aí pensam: “Porra, eu só queria ajudar. O que será que eu estou fazendo de errado?”.

Calma, a gente entende. Não é só você, é o sistema. É difícil mesmo. Mas eu vou tentar te explicar porque algumas atitudes nos irritam tanto e porque é importante mudar sua postura diante de alguns acontecimentos. Vem comigo!

Lugar de fala não significa que você não pode ter opinião sobre o assunto, viu? Mas tem uma regra básica: não tente definir o que é ou não é machismo para uma mulher, mesmo que seja uma coisa que pareça banal para você. Tente compreender que aquela é uma situação que você nunca passou.

Se você quer participar deste debate, eu sugiro que você escute mais, opine menos, tente falar só quando acreditar que pode acrescentar uma informação realmente importante para a discussão.

Entenda o seguinte: a luta das mulheres no feminismo é para que a gente ocupe o mesmo lugar que os homens. Em uma discussão sobre política, economia, futebol, muitas vezes, nós somos silenciadas ou subestimadas pelo simples fato de sermos mulher. Agora imagina ser silenciada por um homem até quando discutimos um assunto que nos diz respeito, que é o feminismo? É a mesma coisa que eu virar para um homem e dizer que é frescura ele não querer se alistar no exército, afinal, ele é homem e tem que passar por isso. Eu nunca estive nesta situação, portanto, não tenho ideia de como é vivenciar esta experiência.

É muito importante, para que o diálogo aconteça, que o homem não tente assumir um papel inquisitor. Existe um momento ideal para expor suas ideias, espere por ele! Se quer saber mais sobre o lugar de fala, leia este texto.

Muitas vezes, não existe um consenso sequer entre as próprias mulheres entre o que é mais ou menos importante. O feminismo é formado por diferentes vertentes, por isso, é natural que cada grupo tenha sua própria prioridade.

É bem comum a gente escutar um homem falando coisas tipo “Ah, mas antes de descriminalizar o aborto, primeiro temos que parar de sexualizar e objetificar as mulheres”, como se vocês soubessem o que é mais importante para nós. Acredite, vocês não sabem.

Nós passamos por situações diferentes na vida, consequentemente, cada uma de nós tem uma visão sobre o que incomoda mais no machismo. São situações reais, baseadas em experiências que nós já vivemos. Não subestime nossas prioridades.

Que legal que você curte as hashtags #meuamigosecreto, #nãoacultuadoestupro, #mulheresãomara, mas feminismo é mais do que compartilhar campanhas para ganhar like.

Eu sei o quanto é difícil bater de frente com uma pessoa quando ela reproduz algum comentário preconceituoso, machista, etc. Confesso que nem sempre eu confronto. Muitas vezes, eu respiro e penso: “a culpa é da sociedade patriarcal”. Mas quando alguma pessoa que eu tenho intimidade fala algo assim, eu me sinto na obrigação de explicar porque ela não deve repetir isso por aí. Não precisa ter treta, briga, nem nada, mas dá um toque.

Dá um toque no e seu amigo que compartilha no grupo do WhatsApp o nude que a mina mandou para ele. Dá um toque naquele que xinga a mulher de ‘vagabunda’ só porque ela não quis falar com ele. Dá um toque no colega que sai cantando vitória quando transa com a ‘peguete’ dele.

A gente só vai combater essas coisas se espalharmos a mensagem por aí. Infelizmente, ainda tem muito cara que vai chamar a mulher de chata ou de “feminista que não se depila” quando ela repreender alguma atitude assim. Talvez funcione melhor com o brother trocando uma ideia, na boa mesmo.

Isso é difícil. Eu mesma reproduzo machismos no meu cotidiano, e me dou uma bronca toda vez que eu faço isso. Mas é importante tentar.

Por exemplo, você não deve falar que “ajuda” sua companheira ou sua mãe em casa, porque isso dá a entender que as tarefas domésticas são obrigação da mulher. Elas não são, viu? E você deve sim por a mão na massa dentro de casa. É chato, ninguém gosta, mas faz parte.

E não esqueça que você também é responsável pelos métodos contraceptivos, hein? Não adianta apoiar o movimento e achar que a liberdade sexual da mulher obriga as minas a tomarem pílula. Não é bem assim que acontece ;)

Ah, e sua ex não é uma vagabunda e nem doida só porque não está mais com você! Não saia por aí falando que uma menina te colocou na frienzone (sim, esse termo é ridículo. Você pode ler o porquê aqui).

Essas pequenas atitudes fazem muita diferença, acredite. Se quer contribuir para alguma mudança, comece por você. Isso importa.

Se chamar de “feminista”, por mais que seja uma coisa que parece pequena, contribui para que o protagonismo da mulher no movimento seja diminuído. Por isso, você pode falar que apoia o feminismo, que é pró feminista, ou um termo deste tipo. Mas não precisa dizer “eu, homem, sou feminista”, porque isso soa até um pouco ridículo.

Entenda que apoiar o feminismo, sendo homem, é reconhecer seus privilégios e entender que o sistema em que vivemos beneficia os homens. Por mais que você enxergue os malefícios do machismo na sociedade, você não sofre com ele na pele.

E, se você realmente quer contribuir para que exista uma mudança, comece tendo mais compaixão por essas mulheres que lutam.

Mas afinal, o que eu posso fazer para contribuir com o movimento?

  1. Indique mulheres para vagas de emprego
  2. Na hora da contratação, não exclua as mães
  3. Nas próximas eleições, escolha candidatas mulheres*
  4. Faça o trabalho doméstico
  5. Não cobre mulheres que elas briguem por questões ligadas aos homens, elas já têm muitas questões para resolver (como o alistamento obrigatório).
  6. Consuma produtos culturais produzidos por mulheres
  7. Certifique-se de que haja uma comunicação clara e inequívoca de consenso em todas as suas relações sexuais.
  8. Se vocês tiverem filhos, seja um pai presente
  9. Tenha amigas mulheres (e não pense que ela vai te beijar só por isso)
  10. Reconhecer seus privilégios e atitudes sexistas é ótimo, mas não é tudo. Faça algo a respeito, mude quando necessário!
  • Lembrando que, nessas questões de contratação ou de candidatas políticas, você não deve votar ou escolher apenas pelo fato da pessoa ser mulher. Óbvio que competência e identificação são essenciais! Mas tenha na sua cabeça que, na maioria das vezes, homens recebem mais oportunidades que as mulheres, poque eles são mais visados. Lembre de dar atenção também para as minas.
Foto reproduzida da Internet.

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