“A literatura fantástica, principalmente a nacional, está vivendo um momento de efervescência”

Revista Subjetiva
Dec 18, 2017 · 4 min read

Clecius Alexandre Duran é natural de São Paulo e mora atualmente em Londrina/PR. É graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é autor de “Crônicas da Lua Cheia: A Maldição do Lobisomem” e “Crônicas da Lua Cheia: A Ascensão do Alfa”.


Clecius, se pudesse descrever sua trajetória até então como escritor em até três parágrafos, como descreveria?

De forma bastante sucinta, sou um leitor inveterado que descobriu uma vocação tardia como escritor. Comecei a escrever A Maldição do Lobisomem de forma bastante despretensiosa, e hoje não consigo me imaginando parar de escrever.

Quais as leituras que fizeram parte da sua infância e que você as considera primordial para sua obra até hoje?

Puxa! Essa é difícil, já que minha infância vai longe… Eu me lembro de que foi a obra O Caso dos Dez Negrinhos (atualmente, intitulada E Não Sobrou Nenhum), da Agatha Christie, que me despertou um real interesse pela leitura. Mas foi a obra de Machado de Assis que captou minha admiração pelos livros. De vez em quando, releio Memórias Póstumas de Braz Cubas como uma forma de depurar a mente.

Você trabalha com a figura do Lobisomem em seu livro “Crônicas da Lua Cheia”, quais foram as principais inspirações para criar o seu Lobisomem?

A figura mitológica do lobisomem parece um arquétipo que remonta aos primórdios da humanidade. São muitas lendas e versões a respeito da licantropia, sem contar o imenso cabedal de histórias na cultura pop. Dito isto, devo confessar uma pequena trapaça: desde o início, eu tinha uma história em mente e, deste modo, fui me apropriando de diversos aspectos desse caldo histórico-cultural para compor o “meu” lobisomem. Hoje, como penitência por esse logro, estou preso às idiossincrasias criadas no primeiro livro para escrever os outros volumes das Crônicas da Lua Cheia.

Qual a principal mensagem você deseja passar com seu primeiro livro?

Tenha medo das noites de lua cheia… Não, brincadeiras à parte, vou me esquivar dessa pergunta, pois revelar o que considero ser a mensagem principal desse primeiro livro seria um spoiler. Acredito que a segunda mensagem é que a nobreza dos atos não é prerrogativa exclusiva dos seres humanos. No duelo entre o homem e a fera, esta, por diversas vezes, tem as ações mais meritórias.

A saga Crepúsculo teve uma grande influência na literatura brasileira, mesmo que ainda dividida entre fãs e críticos à mesma, trazendo um Lobisomem que muitos acreditem que se distancie de uma figura mais sombria e tenebrosa. Para você, qual foi a influência positiva e negativa da obra de Stephenie Meyer na figura do Lobisomem e na literatura como um todo?

Sou um grande admirador da autora (li a saga completa) pela grande legião de novos leitores que ela conseguiu atrair, embora não tenha apreciado a obra, seja por não ser o público alvo dessa narrativa, seja por não ter conseguido me conectar com a protagonista. Depois do grande sucesso de vendas dos livros da saga Crepúsculo, o mercado literário foi invadido por uma grande gama de livros que apresentavam os seres sobrenaturais (o lobisomem, inclusive) como criaturas boas, mas incompreendidas, algumas até mesmo sofrendo por amor. Justamente por não encontrar obras mais sanguinárias, que descrevessem o licantropo como a criatura brutal e bestial que os grandes filmes do cinema de terror me apresentaram, foi que comecei a escrever A Maldição do Lobisomem.

Como você avalia o cenário atual para a literatura fantástica e, sobretudo, para o dark fantasy?

Acho que a literatura fantástica, principalmente a nacional, está vivendo um momento de efervescência. Embora afastados do grande público pelo desinteresse das grandes editoras (sendo esse um cenário já em mudança) e livrarias, há uma grande gama de talentosos autores nacionais trabalhando para publicar e divulgar suas obras. Nesse ponto, não posso olvidar de mencionar o Reino dos Livros (grupo do Facebook) e o Acervo do Leitor (blog) pelo apoio incansável à literatura fantástica nacional.

O que os membros da “alcateia” podem esperar dos próximos volumes de “Crônicas da Lua Cheia?” Há uma previsão para o lançamento do Livro 2?

A série Crônicas da Lua Cheia já tem um segundo volume chamado A Ascensão do Alfa (disponível na Amazon em versão digital e, muito em breve, também em versão física), mas não é uma continuação d’A Maldição do Lobisomem. Cada livro contará uma história completa (um arco fechado com início, meio e fim), apesar de terem alguns personagens em comum e vivendo num mesmo universo. Um terceiro volume já está em meus planos, mas ainda não tive tempo para começar a escrevê-lo. Atualmente, estou trabalhando num livro chamado A Outra Casa, que, embora continue no gênero terror, se afasta da temática dos lobisomens. Os leitores do blog podem acompanhar as novidades pelo site www.cronicasdaluacheia.com.br.

Se puder, deixe uma mensagem àqueles que dedicam suas horas à escrita e/ou a leitura diariamente.

Minha mensagem para os autores é: escrevam por paixão e não desistam. Fama e fortuna podem eventualmente nos encontrar, mas persegui-las não deve ser o objetivo desse nobre mister. Para os leitores em geral, e para os meus leitores em especial (minha querida e inestimável alcateia), deixo meu mais sincero Agradecimento. Muito obrigado! Vocês são a razão do nosso árduo trabalho de penejar histórias.

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