A morte dos sonhos

O amor só morre quando nele se esgotam todos os sonhos, quando a promessa é maldita, quando o silêncio dá lugar ao choro.

O senso comum repete, a ciência adverte: é perigoso amar.

Como toda droga recreativa, o amor contém recomendações, restrições de idade, de circunstância, de contexto. O amar é perigoso, ainda pior, contagioso.

Quando menos se espera. Ploft! Aconteceu…

Ploft? Crush?Ah? Qual a onomatopeia para o amor? São as vozes entrepostas e aceleradas narrando e revivendo cada detalhe ou é o silêncio de cada recordação solitária?

Haveria forma para o amor? Haveria forma de amar?

Quando acontece, parece eterno. É a ansiedade que se justifica, é a mágica que acontece. É voltar a acreditar em fadas é conseguir acreditar em pessoas. É fazer as pazes com nosso lado frágil, é olhar a beleza na quebra, é ver crescimento na ruptura.

Acontece que, se acontece, deixa de ser a exata potência da perfeição, passa a ser a falha beleza dos dias banais. Transforma, transmuta. Deixa de ser o amor dos contos românticos, passa a ser a rotina da vida real.

Os preciosistas dirão: “essa primeira sensação nem é amor, é paixão.” Amor é algo sério demais para se sustentar em ansiedades e expectativas.

Eles estão certos. O amor é sério demais para caber em poemas e histórias mal contadas. O amor é grande demais para ser inteligível.

Acontece que, se não acontece (mais), não é só da solidez de pilastras rígidas construída a dois que se sustenta, é sobretudo da magia vaga de sonhos a um, é a projeção do que um dia poderia ser, a esperança dos dias que se seguem e ainda não chegarem.

O amor não segue regras de engenharia, desconhece a plasticidade dos materiais. Sua essência é da alquimia dos sonhos e sua fortaleza mais duradoura não é a certeza do que já foi, é o aguardo do vir a ser.

Quando deixa de ser substantivo abstrato o amar se torna verbo defectivo preso num pretérito mais-que-perfeito, mas sem conjugações possíveis para o futuro do presente.

A lembrança de um passado acalma a primeira crise, mas a ausência de futuro encerra qualquer amor.

Os comodistas dirão, mas ainda é amor, só que de outro jeito, se juntarão aos puristas que dirão que o termo foi mal empregado desde o começo. Que seja, o amor é antes de tudo subjetivo.

O desconhecimento de alternativas acalenta, faz parecer que aquele é o melhor final, que o roteiro não precisa de tantos ajustes para ser satisfatório.

As alternativas se compensam com apego e com bem-querer, para o fim da magia ainda não há antídoto. O fim ou transformação do amor, é mais um estado da matéria.


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