Foto reproduzida da internet.

Hoje senti saudades demais tua… mas revirando tuas fotos eu percebi que você também tem saudade. Acho que é uma coisa inerente ao ser humano. Uma pena. A tua saudade não é mais minha.

Eu olho suas fotos antigas, nossas fotos antigas. Aquele presente que embrulhei com tanto esmero e não é mais nada. Foi-se para nunca mais. Está empoeirado naquela velha caixinha sua que sabe-se lá onde está, sabe-se lá vai embora, esquecido no lixo, bem lá no fundo quando você se mudar porque daqui já se mudou, não é mesmo? Pra bem longe… pra não dar tempo de voltar. Não que você queira voltar, só que… eu pensei… vai que tu te arrependes… vai que tu queira voltar. Mas não vem. Não vai voltar, eu sei que não.

Enquanto isso a minha saudade é toda tua porque o desespero ainda é todo meu. A caixa que me destes ainda está aqui, guarda como um relicário todas as coisas boas, tudo o que fomos… e principalmente o que não fomos, o que ficamos no quase, na eminencia… oh! Quase… O amor não voou. Não decolou… É… eu acho que tenho que aprender a desistir de ti… tenho que arrumar as malas, tenho que trocar os lençóis da cama marcados de suor onde noites a dentro nos enfurnamos, nos doamos… e já secou. Até minha lagrima não existe mais, foi-se para sabe-se lá onde. Acho que foi vítima de morte, homicídio, suicídio, sabe-se lá a nomenclatura, ela só não quer mais aparecer… Acho que desistiu de mim, desistiu de ti, desistiu de nós. E eu deveria desistir também, queria que fosse tão fácil assim, mas não é… Ignoro revigorante esse meu pesar tão doloroso que me vem como um fardo me sangrar a pele… me rasga o viver… No meu script não tinha isso, não afirmava isso… Não afirmava que epílogos de livros nem sempre são fins. As vezes, são recomeços e recomeçar pode ser doloroso. Acho que sou a prova viva, a prova viva de que é doloroso e doí muito. Porque eu sinto… desculpa… eu sinto… sinto muito mesmo.

Dia desses eu estava aqui deitado, sabe, pensando na gente e é, naquele dia que acidentalmente você derrubou sorvete na minha camisa… é… Naquela que você tinha me dado que eu gostava tanto. Acho que aprendi a amar a mancha, porque assim como a camisa, vinha de você também. Hoje ela está ali esquecida no meu guarda-roupa. Às vezes uso só pra dizer que sou forte, que isso não me atinge mais. Mas aqui deitado… no escuro… não tenho o que me negar, o que me queixar. Não tem armadura. Só tem eu… comigo… contigo. Aceitei já, né? Essa condição de que você vai estar aqui por enquanto, não sei por quanto tempo, mas vai está. Vai está. É… então vou sobrevivendo… vou entregando meus dias assim onde a saudade me aperta como hoje ou dias em que me esqueci por completo de ti, nem sequer lembro de ti.

É engraçado como hoje, olhando tuas fotos, lembro-me do teu sorriso, tuas curvinhas nos olhos que se faziam sempre que lhe arrancava um sorriso… e era meu e não soube cultivar. Agora que te mudastes daqui, daqui de dentro de mim e também de cidade… não sei o que pensar. Porque o que há em mim é essa vontade. Esse desejo que anseia morte de poder te reencontrar e te dizer que mudei… que cresci muito nesses dois anos que passamos separados, e que quero você de volta. Quero tentar te fazer feliz como você merecia e como você realmente me fez porque é interessante pensar nisso… que até me sorri. Me escancara a boca. Eu sei… eu sei mesmo da existência de um lugar melhor porque você sempre me levou até lá, sempre… sempre me desfez, me refez. Ah… olha, chega até a me da uma ânsia de ficar feliz… por nada. Você ainda me arranca suspiros e sorrisos. Irônico… porque você nem deve lembrar mais de mim, deve esta ai encontrando outras pessoas, sorrindo para outras pessoas. É egoísmo meu acreditar que você estaria assim como eu… sozinho… ainda pensando em nós. E eu nem quero, porque quero que você seja feliz, muito feliz como nunca foi na tua vida… mesmo que não seja eu que esteja do seu lado dividindo esse riso… mas a vida vai ensinando assim meio dura que a gente tem o nosso tempo… a gente faz as nossas escolhas… e a gente se arrepende delas… das amargas… das escolhas erradas. O roteirista da minha vida, no caso, eu mesmo, me sabotou. Apoiei-me em uma coisa que mistifiquei de ti e empurrei amor goela abaixo e achei que só isso sustentaria o amor, nossa ciranda, nosso jogo… mas não… o amor assim criado sozinho não desenvolve, morre.

Demorei muito pra perceber isso e agora que não te tenho nas mãos, me sobra só essa saudade louca de tu em meus braços e os versos que escrevi. Vou aprendendo a conviver com essa saudade tua, até o dia em que a loucura me persiga e eu vá até onde você para lhe encontrar, pra lhe dizer que mudei… e que meu coração… é todo teu. Ou até o dia em que me servir de plano alternativo. Esquecer-te por completo, deixar que nossas fotos fiquem amareladas jogadas em alguma gaveta qualquer do meu armário e que nosso relicário seja esquecido quando fizer minhas malas e me mudar de casa. E é isso…


Gostou desse texto? Clique em quantos aplausos — eles vão de 1 à 50 — você acha que ele merece e deixe seu comentário!❤

Redes sociais: Facebook| Twitter |Instagram | YouTube

Ouça o nosso podcast oficial com seus autores favoritos do Medium!

Entre no nosso grupo fechado para autores e leitores.