Almofada apática

Parido de um pesadelo, levantou com a sensação ao avesso da queda de um abismo.
Olhava em volta, buscando consolo nos objetos de seu quarto.
Nem mesmo olhar de pena lançaram.
Não diziam nada que o consolasse.
A credulidade tocou aquela consciência desprevenida com a força desmedida de um martelo ao encontrar um prego.
Assistia, antigamente, do alto de seu apartamento, à uma ansiedade que brincava de pique e pega com pessoas que não queriam participar desse jogo.
Ela, um dia, cansada das mesmas vítimas, descobriu que podia fazer visitas e tomou o elevador para ir ao encontro dos que se consideravam invioláveis.
Ele assiste agora a si derrotado, com terremotos nos dedos das mãos, suas lágrimas desesperadas prontas pra se jogar do abismo de sua face.
Elas se soltam de seu queixo e deixam um ar de frescor antes de se estatelarem no chão.
Olha pra baixo, a almofada no seu colo não é mais lisa;
foi estampada pelo desespero de seu choro.
A almofada nada diz, ele a molha em desespero, mas nada perturba a sua paz de objeto inanimado.
Deseja ser almofada.
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