Amizades Crônicas: Amigo Mumificado

Não há como fugir, uma hora, todos somos amigos mumificados de alguém. E apesar de toda a pompa das pirâmides egípcias, elas são um lugar para lá de indesejável.

Eles já foram amigos partidários, amigos de infância, amigos coveiros e até amigos transcendentes, mas adormeceram ou foram adormecidos por nossa desatenção ou correnteza da vida.

Eles são acorrentados a lembrança, exilados por sutilezas investigáveis. A única consciência que temos deles é a incompreensão do destino, pois nada no passado prometia a separação.

Muitos amigos mumificados são também nosso orgulho infeccionado, nosso tratado de paz Israel e Palestina. Dissemos ao tempo que curasse, que resolvesse, mas o tempo é ida sem volta, como diz Mia Couto.

E o medo de tirar as faixas seja dos erros imperdoáveis, seja a separação que faz a necessidade do encontro, mesmo que com outros. O amigo mumificado têm em suas faixas o texto da nossa autópsia.


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