Astrologia em Xeque-Mate — Arte vivida #3

Depois de uma longa e pesada semana de trabalho, finalmente chegou aquele tão aguardado momento, por muitos esperado, mas aproveitado por poucos. Para a minha sorte, ou talvez azar, estava entre os poucos que aproveitam os complexos encantos da sexta-feira.

O clima e o tempo estavam favoráveis, parecia uma conspiração do universo me jogando para a noitada. Mas ainda assim estava meio hesitante, pois quem não nasceu em berço de ouro precisa continuar a trabalhar em casa, mesmo depois de terminar o expediente no emprego assalariado se quiser crescer. Mas me lembrei que a vida é ingrata. Para poucos, ela é mãe; para muitos, madrasta. Então, decidi me permitir e ir para a noitada.

Então, saí do trabalho direto para o bar encontrar os amigos e fazer vários brindes em homenagem à tudo e à nada, simultaneamente. Pouco tempo depois um amigo entrou e trouxe 4 amigas. Sua triunfante chegada exigiu um brinde à ele e suas amigas.

Entre sorrisos, brindes e conversas do tipo filosofia de bar, Paula, uma das quatros meninas que meu amigo trouxe, falou:

— Gente, sou muito ligada em astrologia, então vamos fazer uma jogo de adivinhar os signos de cada um.

Automaticamente as outras meninas se animaram e começaram a tentar adivinhar o signos dos presentes.

Lá começou a sessão de adivinhação, os signos que mais apareceram na mesa foram: gêmeos, touro, escorpião, aquário e peixe.

Letícia, uma das quatro, olhou para mim e disse:

— Pelo que pude observar de você, o teu signo é peixe.

Sorri e olhei nos olhos e respondi:

— Por mais tentador que seja o teu aquário, que faz com que qualquer peixe queira estar nele, incluindo eu se fosse peixe, mas infelizmente meu signo não é peixe.

As quatros meninas começaram a rir, e Letícia, completou:

— É tão óbvio assim que o meu signo é aquário?

— Não. Não é não. Não saberia identificar o teu signo. Apenas quis fazer uma piada — Complementei.

— Então achas que sou difícil de decifrar? — Voltou a perguntar Letícia.

— Todas as mulheres são difíceis de decifrar. Mas não seria por isso, é porque eu não acredito nisso.

— Mas sabes qual é o teu signo ou nem isso?

— Sei sim. A convivência e a socialização me obrigam a saber. Dizem que o meu é escorpião. Mas eu gosto de acreditar que o meu signo é girino.

Letícia arregalou os olhos e em seguida falou:

— Possessivo, controlador, vingativo, determinado, teimoso, misterioso, sensual…

Olhei para ela e perguntei:

— Este é um outro jogo, de palavras aleatórias?

Ela sorriu e respondeu:

— Claro que não. Essas são as características principais do teu signo.

Neste momento, Ana, que também veio com o meu amigo, falou:

— Girino não existe como signo.

— Nenhum signo existe. Olha para os adjetivos que a Letícia mencionou como sendo as principais características dos escorpiões, são palavras genéricas, algumas negativas e outras extremamente entendidas como positivas, mas certamente são características que todos temos, pelos as pessoas que conheço — Respondi.

— Não concordo, me desculpe — falou Ana.

— Não precisas se desculpar e nem tão pouco concordar, mas esta é a minha opinião, que expressa o que eu acredito — Respondi.

— Opinião é como bunda, cada um tem a dele — Replicou Ana, em um tom claramente chateado.

Letícia se apercebeu que a conversa esta tomando uma rumo não tão agradável e perguntou:

— Mas por quê gostas de acreditar que o teu signo é Girino? E o que é Girino mesmo?

— Girino é um anfíbio que tem forma de peixe, com uma longa e musculosa cauda, sem membros e com brânquias externas, nas primeiras fases, depois ele ganha pernas e vai se desenvolvendo até virar um belo sapo.

— Nossa preferes ter um signo de sapo em vez de escorpião? — Perguntou Letícia incrédula.

Dei um longo sorriso irônico e depois de respirar e refletir um pouco respondi:

— O girino não é sapo, ele é o pré-sapo, que depois vira sapo. Tal como nos humanos, que quando crianças somos anjos, ou seja, girinos, mas depois a vida nos transforma em monstros capazes de muitas atrocidades, ou seja, sapos feios, mas com um beijo da vida, o monstro vira príncipe. O mesmo acontece com o sapo que com o beijos de uma donzela se transforma em um príncipe encantado.

Letícia e os demais pareceram gostar da interpretação, mas Ana nem tanto. Então amenizei e propôs um drink para fugir do assunto.



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