Baldeação

Ester está com as costas tocando a parede do metrô, os pés fincados no chão parados em movimento, mas seus olhos filmam com mais cuidado que as câmeras de segurança.
As pessoas, tantas delas.
Engoliram suas cores antes de entrar no vagão.
As senhoras à encaram, estão próximas dela como se quisessem ser contaminadas pela sua juventude.
Ela analisa os sapatos dos passageiros e tenta adivinhar suas personalidades pelos modelos; o chinelo, o tênis fluorecente, o sapato lustrado e o salto que dói, mas embeleza.
Encara a paleta de cabelos, suas diferenças são o que os aproximam.
Nota a urgência de mãos quentes ao segurar os apoios frios.
As bundas aquecidas que tomam assentos que experimentam o calor anal da metade da cidade.
Alguns olhares parecem ocos; e outros parecem conter sentimentos que ainda não tem nome.
A estação de Ester chega, a luz vermelha avisa que ela teve seu tempo de análise encerrado.
Troca de linha.
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