COMO EU CONHECI O FUTEBOL

Victor Hugo Lima
Jul 27, 2017 · 3 min read

Eu não conheci o futebol através do meu pai, como grande parte dos meninos no Brasil. No dia 14 de julho de 2005, eu liguei a televisão na Rede Globo, me lembro como se fosse ontem, e vi um estádio de futebol pulsando e gritando como se fosse uma final de copa do mundo. E, de fato, para o São Paulo, era. Já tinha mais de 10 anos, exatamente 12 anos, que o time não chegava a final de uma Copa Libertadores da América com tantas chances de ser campeão.

O primeiro jogo tinha sido no Beira-Rio, estádio onde o Atlético Paranaense mandava na época, e o Soberano tinha arrancado um empate sofrido, que só ocorreu devido ao infortúnio de Durval ao marcar um gol contra aos 7 minutos do segundo tempo. Esse jogo eu não assisti, mas quando o YouTube apareceu, eu o vi e mesmo sendo anos depois e fiquei apreensivo.

O segundo jogo contra o Atlético Paranaense foi no Morumbi, e foi exatamente nesse jogo que eu liguei a televisão e assisti a uma partida de futebol, que não fosse da amarelinha, pela primeira vez. Os dois times entraram em campo muito fortes, mas o São Paulo contava com o apoio de 71.986 pessoas presentes no estádio. Diferentemente do que se pensava, o São Paulo massacrou o Atlético Paranaense, com gols de Amoroso, Fabão, Luizão e Tardelli. Me lembro de no dia seguinte ficar no pé do meu pai o dia inteiro pedindo uma camisa do time, até que ele me deu uma do Rogério Ceni.

Fiquei decepcionado quando não ganhei a camisa do Mineiro ou do Luizão como eu tinha pedido, mas ao fim daquele ano eu agradeceria meu pai por ter me dado a camisa 01 do M1T0. Apesar de eu ter juntado dinheiro o ano todo, cada centavo que eu achava na rua ou troco de supermercado, e comprado a camisa do Mineiro, a do Rogério se tornou a minha preferida. E é até hoje.

O São Paulo foi para o mundial de 2005 com a confiança de um campeão da Libertadores, não tinha desmanchado seu time e estava embalado. Chegou a final contra o Liverpool, que tinha chegado ali depois de uma final histórica da Champions League contra o Milan de Kaká e Schevchenko. Os Reds começaram a partida melhores que o Tricolor Paulista, mas logo se viram desafiados pela animação dos recém campeões da América. Perto da área, Aloísio tocou a bola para Mineiro que se viu livre, avançou e estufou a bola no fundo das redes, aos 27 do primeiro tempo, 1 x 0 pro São Paulo.

Esse foi o gol da vitória, mas não foi o lance mais marcante da partida. O mundo estava com os olhos focados em Steven Gerrard, estrela do futebol inglês, que tinha feito sua melhor temporada, e aos 7 do segundo tempo tinha uma falta a 22 metros da meta de Rogério Ceni. Gerrard tinha fama por bater faltas com excelência, e esta não foi diferente. Bateu a bola em direção ao ângulo do lado esquerdo, mas não contava com a também excelência de Rogério. O goleiro se dobrou e pegou a bola. Lance eternizado aos olhos do futebol e dos são paulinos.

2005 foi o ano que o futebol me conquistou. Foi o ano em que o São Paulo ganhou milhares de torcedores, incluindo eu. E foi o ano em que o tricolor paulista se tornou o único time brasileiro a ser tricampeão mundial.


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Acredito que o que trabalha mais deve receber mais, e que devo dividir o que tenho com os demais. Não sou capitalista, nem socialista, na verdade, um idealista.

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