O fim do mundo volta aos cinema em Tempestade: Planeta em Fúria

É preciso dizer: dentre todas as premissas nas quais se basearam filmes sobre a destruição da Terra, “Tempestade: Planeta em Fúria” (Geostorm, em inglês) tem com toda a certeza a mais original, e esse certamente é um dos pontos altos do filme de Dean Devlin, roteirizado pelo próprio diretor na companhia de Paul Guyot.

Tudo acontece no início dos anos 2000, quando a humanidade passa a experimentar os efeitos de suas próprias ações impensadas ao longo dos séculos. A natureza tão atacada e machucada começa a se rebelar, tendo no aquecimento global a sua principal arma para nos dizimar. É quando os governos de vários países e cientistas de todo mundo finalmente se unem, buscando uma maneira de reverter o quadro e assim permitir que todos sobrevivamos!

A solução é encontrada pela equipe liderada por Jake Lawson (Gerard Butler), e é chamada de “Dutch Boy”. Trata-se de um conjunto de satélites colocados estrategicamente ao redor da superfície terrestre, com o objetivo de controlar o clima de todas as regiões do planeta artificialmente. Tudo funciona bem por algum tempo e os seres humanos não são mais obrigados a encarar a própria extinção, até que a estrutura começa a apresentar defeitos, transformando o clima de algumas áreas do globo de maneira brutal, passando a prejudicar e matar os povos que foi criada justamente para proteger.

Jake, que tinha sido anteriormente afastado pelo próprio irmão (Max Lawson, vivido por Jim Sturgess) do projeto que criou por razões políticas, acaba sendo procurado pelo caçula para ajudar a resolver a questão, antes que o problema se agrave, causando mais mortes e destruição. Juntos eles precisam trabalhar para solucionar as diferenças de uma vida inteira e para entender o que verdadeiramente está por trás dos defeitos no “Dutch Boy”, antes que seja tarde demais.

O suspense político e todo o jogo de poder que o longa mostra tem potencial, especialmente porque trata-se de um projeto que visa a salvação do mundo e de tudo que nele há, e que conta com a colaboração de pessoas de todos os cantos do globo. O ritmo é bom e em nenhum momento as sequências entediam, justamente por serem bem encadeadas. Também há humor, e de qualidade, desenvolvido principalmente pela ótima dobradinha entre Max Lawson e sua assistente, Dana (Zazie Beetz, que tem uma das melhores atuações do filme).

Falando de atuações, mais uma vez alguns atores carimbados estão muito bem em seus papéis, trazendo aos seus personagens o peso necessário dentro de suas importâncias no longa. É o caso de Andy Garcia, como Presidente dos Estados Unidos e Ed Harris, como Secredário de Governo. Abbie Cornish também está segura como a Agente Sarah Wilson, que vive um romance proibido com o personagem Max. A equipe que cuida do “Dutch Boy” no espaço é comandada por Jake Lawson e pela alemã Ute Fassbinder, e a relação entre Butler e Alexandra Maria Lara não é realmente ruim. Infelizmente o mesmo não pode se dizer das conexões com os demais integrantes do grupo, que não são devidamente trabalhados e desenvolvidos, mesmo que um deles seja realmente importante para o desencadear de todo o enredo.

Talvez isso ocorra porque tudo acontece rápido demais em alguns momentos, mais rápido do que realmente deveria. Se em alguns momentos isso funciona (um deles é o de introdução do longa, onde entendemos o que está por vir em poucos minutos), em outros acaba tornando o filme um tanto artificial e inverossímil. É o caso do rompimento entre os irmãos Lawson, assim como a decisão de ambos de voltarem a trabalhar juntos. O mesmo se sente na conclusão do longa, que poderia ter sido melhor desenvolvida e esclarecida, fazendo jus a toda a trama de mistério que a pontuou. A sensação de incompletude é inevitável e provavelmente vai incomodar os espectadores mais exigentes.

Outra questão que prejudica a obra de Dean Devlin é que seus aspectos mais identitários não são realmente originais. A trilha sonora é um tanto genérica, assim como o visual criado em todo longa. Embora as imagens de destruição global impressionem (o Rio de Janeiro, aliás, aparece em alguns momentos— mas é um Rio bem diferente do que os cariocas conhecem, vale apontar) elas não geram grande impacto, porque são semelhantes ao que já vimos em vários filmes do mesmo gênero, o que é uma pena, porque acaba desperdiçando um argumento original.

Também é fundamental salientar que a ficção científica na qual o longa se fundamenta não é das mais convincentes, e fica claro desde o início que não é exatamente a isso que a obra se propõe. O mesmo vale para algumas cenas de ação, que são um tanto fantasiosas, mas que funcionam bem dentro de todo o espectro do filme. Claramente não se trata de uma revolução no gênero, como foi “O Dia Depois de Amanhã”, de 2004, mas se a sua intenção é se divertir no cinema com uma película mais despretensiosa é provável que “Tempestade: Planeta em Fúria” vá te engajar!


“Tempestade: Planeta em Fúria” estreia na quinta-feira, 19, no cinema mais próximo de você.


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