San Diego Comic Con 2016, por Pop Junk Podcast.

(des)Encontro

Auditório lotado. O post do evento no Facebook falava da capacidade de 2.500 pessoas, mas parecia muito maior. Pessoas de todos os lugares do país, reunidos por uma paixão: coisas nerds. Isso mesmo. Uma cultura nunca movimentou tanto o mercado por esse amor desenfreado do nerd. Porque ser geek é exatamente isso: se apaixonar tanto por algo, a ponto de querer saber tudo sobre o assunto, mesmo que isso envolva bastante dinheiro.

O amor sempre foi algo complicado para Miguel. A última pessoa que o disse "eu te amo" recebeu de volta um "obrigado". Quem, pelo amor de Odin, responde um coisas dessas? Bom, Miguelito (como era chamado por seus amigos) era uma dessas pessoas.

Mas isso estava para mudar.

Foi só ela passar por ele que o mundo ficou em slow motion. Deu para olhar calmamente do seu all star branco aos lindos cabelos ruivos balançando enquanto girava para chamar sua amiga, revelando um linda estampa de Star Wars: O despertar da força em sua camiseta e algumas tatuagens no corpo.

Encantado. Miguel parecia um Viking olhando os portões do Valhalla se abrindo para ele. Mesmo que ele só tivesse um pequeno "projeto de barba" no cavanhaque.

Neste exato momento um zilhão de ideias e perguntas começam a pintar em sua mente. Como falar com ela? E se ela não for com a minha cara? Será que ela tem namorado? Será que ela já assistiu a última temporada de Sense8 que lançou ontem? Qual será a cor favorita do lightsaber dela?

Eram tantas perguntas que ele nem reparou o momento em que ela o notou e achou engraçada a sua cara de dúvida. Quando voltou para a realidade, percebeu um sorriso no rosto dela. Não pensou duas vezes, apontou para algo lá no fundo, e deu uma cotovelada bem forte em Márcio, seu amigo, e disse:

— Nossa, perfeito aquele Wolverine! — Com uma atuação digna de um Oscar, fingindo que não reparou a troca de olhares e deixando o amigo com dor no braço.

As luzes apagam e o painel começa. O tema será Douglas Adams e suas obras. Exatamente, o cara que define amor como: “Geralmente doloroso, se puder, evite-o.” no Guia do Mochileiro das Galáxias. Mas que bela referência para pensar agora, Miguel.

Mesmo com a cabeça muito ocupada, a apresentação foi bem divertida. Todos no auditório aplaudiram. Mas na 42ª vez em que olhava para o lugar onde ela estava, havia um problema:

— ELA SUMIU! — Soltou um berro.
 — Tá doido? — Disse Márcio.

Ela não está mais na cadeira, nem sua amiga. E agora? Tantos planos e possibilidades na cabeça, mas nenhuma oportunidade. Que merda! E agora, quem poderá me defender? No meio de 2.500 pessoas, nem o Chapolin Colorado poderia ajudar.

O próximo painel só começa em meia hora. Melhor ir na lanchonete afogar as mágoas em um copo de 1l de Coca-Cola. No caminho, dava para notar sua forte expressão de tristeza. Caminhar lento, cabeça baixa e um muito arrependimento em sua cabeça. A expressão de dúvida agora era muito mais notável em seu rosto. E antes mesmo de deixar o auditório: BAM! Pipoca para todos os lados.

Miguel acabava de cair na pior, e mais improvável, de todas as chances para conversar com a ruiva, antes procurada número um, derrubando o balde em formato da cabeça de Shadow Trooper dela.

— Nossa, como você é linda!
 — OI?
 — Quer dizer, desculpa! Não, não foi minha… intenção.
 — Tudo bem, eu só queria o balde mesmo.
 — Não, não. Deixa eu te pagar outro. Desculpa, eu sou muito desastrado.
 — Não precisa, sério.
 — Eu faço questão, já estava a caminho da lanchonete mesmo.
 — Tem certeza?
 — Nunca tive tanta certeza na minha vida.


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