Fonte: Pixabay

Desculpa

Desculpa se eu demonstro ser um pouco arrogante e que não me importo com a sua presença, ou que pareça estar te ignorando. A real é que eu sei que você está perto de mim, mas eu não tenho a mínima ideia se você vai querer que eu vá até você para conversarmos ou se você quer dançar ou até mesmo se você sabe da minha existência no meio da multidão, portanto eu prefiro te deixar no seu canto enquanto curte o seu próprio rolê.

Desculpa se o meu semblante é sério demais, se eu pareço odiar o fato de estar nesta festa ou se minha cintura e quadris não acompanham os cento e cinquenta batimentos por minuto da música tocando, eu juro que estou gostando deste rolê de ouvir o som que estou ouvindo e de estar junto com as pessoas com quem eu estou. Talvez eu esteja num habitat que não me seja natural, porém estou tentando aproveitar da minha forma, prometo que não estou bodeado daqui. Só não prometo que nunca bodearei, porém hoje estou até que gostando disso tudo. Inclusive eu fiquei muito feliz até mesmo por ter visto você, por dentro eu sorri depois de circular por umas horas no meio da noite e em vários lugares aleatórios deste recinto, conversando com um monte de gente aleatória e tendo vários papos aleatórios. Como eu te disse lá em cima, eu só não quis te incomodar mesmo.

Desculpa se meu olhar é um tanto quanto distante e a sensação que se dá é a de que estou em um outro planeta. Continuo na Terra, porém eu vivo vivendo em tempos verbais diversos. Ontem eu planejei o amanhã daquele dia, conhecido também como hoje, estaríamos conversando maravilhosamente sobre nossos projetos de vida e daríamos risadas das nossas pessoas completamente estabanadas de tanto beber álcool barato. Só que hoje já chegou faz umas 20 horas e cá estou substituindo o planejamento todo de ontem e que custou pelo menos umas duas horas de sono por pensamentos aleatórios que percorrem entre decidir a próxima bebida e me culpar por não ter ido falar com você quando nos cruzamos pela primeira vez neste rolê. Ah, também tive uma ideia brilhante sobre mais um projeto a qual vai terminar no bloco de nota das minhas idealizações. Ah, também decidi pensar um pouco sobre as minhas escolhas de carreira e a questioná-las. Confesso que eu também pensei um pouco na minha cama e naquele espetinho que a moça tá fazendo e pareceu-me uma ótima forma para forrar o estômago dum ser ébrio. Planejei o meio do rolê todo para estar nele e pensar no final, quando chegar em casa. Ok, voltei para o tempo presente. “Vai lá, toma coragem e conversa, ficar parado aí com a cara de cu não vai te adiantar nada além de reclamações suas no twitter sobre o quão patético você é”.

Ué, mas cadê você? Ah, óbvio, é claro que você iria se entediar com as minhas desculpas esfarrapadas para não ir sequer conversar contigo enquanto a oportunidade surgia diante dos meus próprios olhos. Será que eu fiquei parado na pista de dança enquanto pensava em tudo aquilo que andei pensando entre te ver e perceber que você não estava mais por lá? Provavelmente, ou meus pés faziam movimentos involuntários só para fingir estar acompanhando a música. Será que você me acha um mala? Será que você sabe quem sou eu? Será que…

Enfim. Desculpa.


Gostou? Deixe seus aplausos — eles vão de 1 a 50 — e seu comentário!

Siga nossas redes sociais: Facebook— Instagram— Twitter

Divulgue seus textos e participe do nosso grupo no Facebook!

Leia a última edição da nossa revista digital!

Faça parte do time!