Dia do escritor, algumas apreciações.

Enrique Janoário
Jul 26, 2017 · 3 min read
Autor(a) desconhecido(a).

Não sei para meus colegas, mas para mim falar do ato de escrever não é algo simples, quando não deveria ser algo tão misterioso, afinal, é apenas dizer como eu faço: uma questão de método. Talvez esse seja a questão.

Leio e escuto de muitos escritores que escrever é um “sangrar”, uma catarse, etc. Gosto muito da teoria do Ferreira Gullar que a poesia vem do espanto. Não o espanto de terror. Mas o espanto na mais alta dignidade — o esplendor. Seja falando de amor, ou, tragédia.

Então, o trabalho de escrever se baseia apenas em inspiração? Não se precipite. Escrever é transpiração e uma boa dose de aflição, pois um texto é muito mais escrito com borrachas do que com canetas. É na capacidade de formar que reside a arte e nos tira do comum.

“Uma parte de mim, pesa, pondera.

Outra parte delira” (Ferreira Gullar, em “Traduzir-se”).

Ontem quando eu pensava em um gancho para esse texto, assistia uma entrevista do Pedro Bial com o israelense Yuval Noah Harari, autor de “Sapiens” e “Homo Deus”. Nesta entrevista foram discutidos vários pontos, e um que me fez pesar e ponderar, enquanto a outra parte delira, foi a superação da espécie humana pela inteligência artificial.

Harari afirmou a superação das máquinas, o que é mais que claro, pois isso não é um fenômeno novo. Estamos com esse dilema desde a revolução industrial. A diferença de agora que Harari nos atenta é a similaridade conosco que tendem as tecnologias. Concordo que os motoristas serão substituídos, concordo que os pedreiros serão… Mas acho que apesar da capacidade de assemelhar em sentimentos e paixões, ainda faltará transcendência, falta o espanto e a capacidade de espantar. Elementos que constituem a arte (em particular a escrita). Pois temos ao nosso favor a inconsciência, os defeitos, os erros: o ter que refazer. A tecnologia, pelo contrário, se favorece sobre nós pela Ciência.

O “inconsciente” é um fato fantástico da escrita, pois dizer emoções, pensamentos de alguém há quilômetros ou há séculos depois de você ter morrido. É um dos nosso maiores milagres, com toda certeza.

Escrever é uma inconsciência, por mais conhecimento de causa que seja necessário. Esse inconsciente nos conecta.

Diz Fernando Pessoa que o poeta é um fingidor, pois ao escrever precisa se assemelhar a figura que se projeta. E ao se assemelhar somos outras pessoas nossa pessoa. Na escrita simpatia não basta, só a empatia é aceitável.

Este texto faz parte do Especial: Dia do Escritor da Revista Subjetiva, que se inicia no dia 25 de julho.

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