Doe sangue?

Ser gay no Brasil é ser considerado temporariamente inapto a doar sangue simplesmente por ter feito sexo nos últimos 12 meses com outro homem. É ser considerado “impuro” pela legislação brasileira. É viver com esse estigma das DSTs na nossa vida, mesmo tendo somente um parceiro sexual, cheio de saúde e livre de doenças sexualmente transmissíveis.
Existe até uma Portaria (Número 158, de 2016), do Ministério da Saúde, que, em seu Artigo 64, diz assim: “Considerar-se-á inapto temporário por 12 (doze) meses o candidato que tenha sido exposto a qualquer uma das situações abaixo: (…) IV. homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais destes”.
Ou seja, homossexual ou bissexual que tenha feito sexo com outro homem nos últimos 12 meses não pode doar sangue. Para doar, tem que fazer greve de sexo por um ano. Não existe recorte algum. É simplesmente isto: homem que fez sexo com outro homem.
Não existe a restrição de que um deles tenha contraído alguma DST. Que tenham alguma condição que impeça. São simplesmente homens que fizeram sexo. Gays ou bissexuais sexualmente ativos, independentemente de terem tido um ou mais parceiros.
Aqui nas nossas terras, não basta ter vontade de doar sangue. É preciso, além dos requisitos básicos de peso e estilo de vida, ser heterossexual ou sexualmente inativo.
Estou bem triste, não vou negar, que está rolando uma campanha de doação de sangue na Universidade, e eu não posso ajudar.
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