
dois
— letras.
— artes.
Fazia um calor ameno, não ventava, não chovia, não nada. Os carros passavam, porque os carros passam, e as pessoas se cumprimentavam em silêncio, porque algumas coisas não precisam ser ditas.
— mpb.
— também. samba?
— também.
A saia rodada rodava pouco destrambelhada, como se houvesse ensaiado. Ela sorria de dentro de si mesma. Ele não sabia o que fazer com as mãos. Bolso. Sempre o caminho mais seguro.
— caio fernando abreu.
— leminski.
Entre os goles de vinho divididos da mesma garrafa, cigarros e quase-suspiros-quase-apaixonados. Era cedo. O toque das mãos no oferecimento da garrafa tinha medo, porque era cedo.
— verão, praia.
— outono, cama.
A despedida não tardou, mas surgiu acompanhada da promessa de se reencontrarem outro dia, em outro lugar, talvez eles mesmos sendo outros, porque as pessoas tendem a ser outras.
— tchau.
— tchau.
Eram dois e muitos vários outros, mas continuavam sendo apenas dois. Eles se gostaram naturalmente, embora não tenham falado nada a esse respeito. Porque algumas coisas não precisam ser ditas.
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