Ensurdecedor.

Sobre o pior tipo de barulho.

Uma vez eu li em algum lugar que a pior parte de você terminar um relacionamento é não ter a capacidade de se recordar como você se sentia antes dele, bem, talvez isso seja verdade.

Só que nesse caso o buraco é mais embaixo… nada de fato terminou porque nunca houve um começo, pensar em retrospecto é doloroso demais.

Me recordo de te olhar nos olhos e sentir que todas aquelas pessoas lá fora faziam parte de um imenso barulho inaudível e indecifrável, afinal de contas, eu coloquei você no centro de tudo e fui desfocando tudo ao redor.

Baixei a guarda e algo passou despercebido, eu ignorei e segui em frente contigo… segurei sua mão, associei o brilho dos teus olhos com uma das minhas canções favoritas, fiz planos e fatalmente me afoguei no lago das expectativas.

Afogar é a palavra mais adequada porque você não puxou minha mão, ciente de toda a situação você preferiu esperar que eu afundasse e parasse de causar pertubações na superfície aquática.

Meus pulmões se encheram com o vazio das palavras não ditas e das ações nunca tomadas por ti, eu então acordei de sobressalto e percebi que você não estava mais lá.

Tempos depois você se interpôs no meu caminho de novo, logo eu que ando olhando para baixo não notei a forma do seu corpo pelo caminho… Então o ciclo recomeçou e mais uma vez isolei-me do mundo por sua causa e tropecei novamente.

Você sempre está por perto e ao mesmo tempo não está. 
Existem pequenos fragmentos seus jogado pela minha vida que eu tento negar… e cada vez que eu o faço, ironicamente, reforço a sua presença em mim.

Existem mais de você em mim do que partes de mim mesmo em você.
Digamos que foi doloroso quando eu percebi isso.

Atualmente não estamos nem perto nem longe… fisicamente existem cerca de 10km no máximo entre mim e você, mas sentimentalmente é como se eu fosse em Mercúrio e você Plutão… orbitamos com um mesmo objetivo, só que de modos (muito) diferentes.

Por mais que eu tenha te tocado o corpo e sentido os batimentos do seu coração, percebo que você se tornou (com todas as honras) alguém virtual, você só se encontra presente nas redes sociais, lá você faz questão de criar vida, de me observar, de me visitar quando acha conveniente. Ali você demonstra seu “carinho” através de visualizações, likes e comentários furtivos.

Tão perto e, ao mesmo tempo, tão distante.
Nossa conexão atual só é possível através de um pacote de dados.
Meus algoritmos se acostumaram com você.
Tudo me leva a você até quando não quero.
Sinto sua presença virtual.

Você não me dispensa, mas também não me traz para perto.
Tenho que me contentar com a sua “presença” na tela de um smartphone.
É o mais próximo que você consegue chegar de mim sem se comprometer.

Existe algum comando para fazer você sumir de vez? É triste saber que é só isso que eu terei de você… quero escutar o som da sua voz ao invés de ler os seus comentários.

Sinto uma vontade imensa de quebrar esse silêncio e te sacudir pelos ombros, mas o que eu ganharia além do seu descaso? Enquanto eu penso em você no meio da noite, você está muito ocupado seguindo sua vida (ou o que restou dela).

Tudo perde o sentido sem você, entretanto percebo que na sua ausência o que sobra sou eu… detesto ser só isso, o que sobra.

Você não consegue ir embora.
E eu também não. 
Suas visualizações salvam o meu dia.
E o destroem na mesma medida.

Já tentei te excluir, porém sempre volto atrás… vai que você muda, toma jeito e abre uma brecha… só que nesses momentos eu sempre me lembro que não é muito comum encontrar brechas em cubos de gelo.

Você não fala, não grita, não se expressa e sequer se impõe.
Só que eu abafo os meus ouvidos com esse barulho…
Ensurdecedor…
Causado por nada mais nada menos…
Do que
o seu silêncio…

O seu doloroso, gigantesco e cálido silêncio.


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