Escrever é só isso mesmo?

Gabriela Prado
Jul 25, 2017 · 4 min read

Eu comecei a escrever mesmo na primeira série do ensino fundamental. A primeira vez que eu apreciei escrever algo foi lá pelos meus nove anos. Eu havia ganhado um diário e escrevia tudo nele, desde minhas amizades na escola até os atos de bullying que eu sofria. Naquele momento, eu senti a necessidade e a importância de colocar no papel tudo que se passava na minha mente e no meu coração.

Aos 13 anos, eu dei uma pausa no diário pois achei que não estava me ajudando mais. Grande erro.

Aos 15 e poucos anos, eu comecei a sair para as festinhas de adolescentes e, sem explicação alguma, voltei a escrever diariamente (semanalmente, na verdade, porque eu sempre fui muito preguiçosa). Nos meus caderninhos, eu contava sobre as festas que ia, sobre as pessoas que eu conhecia e beijava e sobre as drogas que me eram apresentadas. Eu sempre recusei todas. Nunca fui uma pessoa de cabeça fraca, mas sempre fui muito sentimental, e isso me afeta até hoje — na minha crise dos 20 e poucos.

A partir dos meus 15, eu nunca mais parei de escrever. Hoje, com 20 anos, escrever é minha profissão e meu amor. Escrever é muito mais que isso. Escrever é colocar no papel a sua vida — separada por palavras e sílabas — para que você possa lê-la em algum momento de fraqueza. Escrever é sentir um turbilhão de pensamentos fluindo pelas suas veias até ganharem vida na ponta da caneta — ou lápis, ou giz, ou tinta… — e se tornarem histórias contagiantes. Escrever é viver — clichê but gold.

Eu trabalho com jornalismo — sou estagiária de jornalismo no jornal da minha cidade — e escrever matérias jornalísticas e reportagens faz parte da minha rotina, e o que eu sempre penso sobre o jornalista — apesar de não me considerar uma — é que ele não somente conta as histórias ou fatos colhidos, ele também os vive. Ele sente a emoção das experiências e dos relatos que coloca no papel. Escrever é uma viagem.

Eu amo escrever e eu me sinto — muito — bem escrevendo, e sei que é uma das poucas atividades a qual eu sinto prazer em fazer. Eu escrevo de tudo um pouco, e isso faz meu coração pulsar mais rápido. Apesar das palavras — que soaram clichês ensaiados — , quero deixar meu conselho: escreva. Escreva sobre seu pai, sobre sua mãe ou sobre seu cachorro. Escreva sobre uma caneta nova que você comprou, escreva sobre seu café da tarde ou escreva sobre sua maior preocupação. Coloque no papel o que sente. E aproveito para deixar aqui um desafio: compre um bloco de notas — ou faça um — , escreva sobre o que está acontecendo na sua vida neste exato momento e leia esse relato cerca de dois meses depois. A sensação vai ser incrível.

Ler sua própria vida faz com que ela não fuja e nem se desfaça de você. Ler sobre você mesmo é incrível, e escrever sobre como se sente com a vida é o ápice do prazer. Escritores e escritoras, não se escondam mais! Escrevam, escrevam, escrevam e escrevam! Quando notarem, estarão escrevendo até as entrelinhas da vida. E vai ser uma sensação maravilhosa.

Meus sonhos se tornam grandes contos de terror — e às vezes se tornam contos eróticos ou de fantasia… — e me fazem pensar sobre a minha mente insana. Ela é uma mente fora do comum, e não estou me gabando. Minha especialidade é o gênero terror. Não que eu seja a melhor do mundo em dominar essa escrita, mas eu tenho muita afinidade mesmo com esse tipo de literatura. Sempre participei de muitos assuntos e debates sobre terror/horror e aprendi muito. Minha mais nova paixão é a poesia. Aprendi que, na poesia, eu consigo ser eu mesma e ainda sentir que sou uma outra pessoa. Na poesia, consigo me soltar sem sentir vergonha em me deixar vulnerável. Os sentimentos tomam conta de mim. Um por um, agarrando cada célula de vida de mim. Escrever qualquer coisa — não gosto de usar essa palavra, mas não tenho outra melhor para a ocasião — é gratificante. É bom. E eu creio que nunca vou deixar de amar o que eu faço. Nunca vou deixar de sentir a vida passando pelos meus olhos e percorrendo por entre meus dedos.

E respondendo meu título: escrever não é só isso. Ou é. Escrever é tudo isso. E mais um pouco — clichê but gold.


Este texto faz parte do Especial: Dia do Escritor da Revista Subjetiva, que se inicia no dia 25 de julho.


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Feminist, writer, reviewer, translator and content producer, LGBTQ+ and lover of art and animals | https://campsite.bio/gabrielazprado

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