Eu tô fora de controle

O ano está chegando ao fim e isso está me massacrando, não me pergunte porque me afeto tanto com essa época, talvez seja algum trauma muito bem enterrado dentro do meu inconsciente, ou sei lá, talvez seja porque eu não acredito em Papai Noel.

O fato é que durante os três últimos meses do ano eu sempre tenho crises de ansiedade, na verdade eu sempre tive crises mas agora eu sei que são de ansiedade. No ano passado foi difícil lidar com esses meses porque eu não sabia o que estava sentindo, achei que era só pressão de fim de ano, presentes, amigo secreto, uva passa no arroz e etc, mas depois que comecei a terapia descobri que eram crises de ansiedade, mas qual a razão disso? Não sei.

Esse ano está mil vezes pior. Faculdade, amigos, trabalho, amor, família, não exatamente nessa ordem, mas tudo entrelaçado e fluindo bem até, mas eu me sinto completamente fora do ar. Me sinto mal por não estar aproveitando essa maré de coisas boas, às vezes sinto que estou me afogando na verdade.

Eu deveria me sentir agradecida por tudo estar tão bem, mas apesar de pensar isso eu não consigo sentir dentro do meu coração esse sentimento bom que acredito que me tiraria desse buraco. Eu me sinto mal por estar mal.

Nos últimos dias estou fazendo um esforço gigantesco pra conseguir segurar o choro e encarar os dias. Estou sobrevivendo. Apenas isso. Não estou vivendo estes momentos tão bons, estou apenas passando por eles de cabeça baixa e um nó na garganta (literalmente dizendo, é assim que me sinto mesmo).

Toda vez que alguém me pergunta se estou bem mais de duas vezes seguidas na mesma frase esse nó aperta mais um pouco. Eu finjo (que é uma das coisas que aprendi a fazer muito bem) que tá tudo bem, que é só cansaço, stress por causa das provas finais, e blá blá blá. Motivos externos eu sempre tenho, mas por dentro sei que nenhum deles justifica esse aperto na garganta.

Eu não sei porque sinto essa vontade de chorar constantemente. Eu faço terapia, faço exercícios, tenho uma vida relativamente saudável, estou mentalmente sã, e ainda sim surgem momentos que o nó fica mais apertado e eu choro. Eu tento respirar, mas a cada inspiração as lágrimas descem com mais força. Juro que é assim, deveria ser ao contrário, mas anteontem isso aconteceu e respirar não funcionou, então tive que cantar o mais alto que eu conseguia dentro do carro pra tentar silenciar minha mente.

Funciona, mas só às vezes. Eu não posso começar a cantar loucamente no meio de uma sala de aula em prova. Eu não posso começar a cantar loucamente no meio do treino da academia.

Eu tô fora de controle, eu sei disso. Meu emocional está abalado por causa da ansiedade, e eu simplesmente estou seguindo meus dias e tentando não me afetar tanto com tudo.

Mas às vezes é difícil, então se você convive comigo peço que entenda que o problema sou eu. Sim, não é piada, o problema realmente sou eu, quero que você que está lendo entenda que tá tudo bem, eu só não consigo explicar tudo isso pra todo mundo que me vê andando cabisbaixa por aí, porque falar tudo isso em voz alta dói e me faz querer desandar a chorar, é um gatilho pra minha ansiedade.

Eu vou ficar bem, eu sempre fico. Vai passar, porque sempre passa. Só quero que você leitor entenda que se você convive com alguém que tem ansiedade, saiba que essa pessoa está tentando ficar bem e que às vezes ela só precisa se distrair dos pensamentos (que são como um dominó) para conseguir se acalmar.

Quem tem ansiedade muitas vezes sofre porque não consegue explicar esse turbilhão de pensamentos e sentimentos. Quem tem ansiedade não consegue simplesmente parar de pensar. Quem tem ansiedade não consegue deixar pra lá o que incomoda. Quem tem ansiedade tem medo, e não sabemos medo do quê. Simplesmente a gente sente e se agarra tão forte a isso que vamos afundando sem saber o que fazer.

Portanto, tenha paciência com alguém que tem ansiedade. Repita que vai ficar tudo bem, peça para a pessoa respirar com você, ofereça sua mão para segurá-la, esteja presente mesmo que em silêncio (muitas vezes o silêncio é a melhor resposta pra ansiedade, autoajuda e positividade nem sempre funcionam), e entenda que ter ansiedade não é algo que a gente deseja ter, mas precisamos aprender a conviver.

*Agradeço a todos que me ajudam com minha ansiedade, eu sei que não é fácil lidar com meus choros, mas vocês me dão força e isso pra mim está sendo essencial.