Eu tô rindo de nervoso

Nesses últimos tempos eu só tenho rido de nervoso. A boca perdida se contrai ao final das sentenças. Ela costumava reclamar: “Você nunca escreve sobre mim, sobre nós”. Mas é que meu objeto foi sempre a dúvida. Certezas me escapam antes de virar literatura. Antes de virar palavra. Talvez agora, que tá tudo uma zona dentro e fora, talvez agora eu escreva sobre ela. Talvez agora seja agora mesmo, esse texto, esse momento. E eu quero só ver se você aguenta. Quero ver. Quem deseja ser assunto não entendeu ainda o estrago que é, o rasgo que se abre com isso. Se olhar pra dentro dói, imagina ver na folha o seu avesso descrito em palavras que não são suas. Só pensa nisso. Coisas acabam, whatever. A gente que se vire agora. Meus problemas são pequenos mas unidos. Trabalham juntos no consumo de mim. E talvez sejam tudo que tenho, e neles me apego como quem agarra galhos e raízes, como quem arranca as próprias unhas fincadas no chão de terra — a última coisa que te separa da queda.
Você devia me agradecer. Ou me culpar. Who cares.
Trata-se sempre da coragem pra começar. Da coragem pra terminar. Da coragem que parece desperdício, mas se justifica quando, de repente, cê percebe que tá vivo.
Gostou desse texto? Clique no ❤ e deixe seu comentário!
Não deixe de nos seguir nas redes sociais: Facebook | Instagram | Twitter.
Entre no nosso grupo fechado para autores e leitores.
Conheça o nosso podcast oficial, o Subversivo Podcast!
Quer escrever conosco? Confira o nosso Edital.

