N’Golo Kante meio campista da França; Foto: Divulgação

Futebol, Copa do Mundo e Política

Por Victor Hugo Lima


Eu não tenho o costume de assistir TV, deixemos isso claro antes de prosseguir com esse texto. Porém, durante a Copa do Mundo, esse fato se modifica e eu passo horas na frente da TV vendo todos os jogos, até mesmo Senegal x Polônia ou Polônia x Japão, sou um completo viciado no esporte bretão. E essas horas e horas gastas em frente a TV pra ver os jogos, me compele a ter que assistir e escutar seres humanos como Tiago Leifert. Pra quem não sabe, Tiago Leifert é um sapatênis humano, famoso por fazer comentários infelizes e por acrescentar nada em diversas discussões na televisão. Mas a sua presença faz com que o futebol perca um pouco de sua alma e raízes. A Leifertização do futebol não é nada mais nada menos que a gourmetização e “elitização” do nosso amado esporte. É separar o futebol de suas raízes e colocá-lo apenas como entretenimento e como uma máquina de gerar dinheiro que nunca para. O que me fez escrever este texto foi o seguinte tweet de Tiago:

Um tweet do Sapatênis Humano

E é exatamente sobre este tema que este texto se debruça: qual o papel do futebol na política? Qual o papel da política no Futebol?

Vladimir Putin X Emannuel Macron

Emmanuel Macron (à esquerda) e Putin (á direita); Foto: Divulgação

Para os novos em política, Vladimir Putin é o atual presidente da Rússia, e assim está desde 2008, e Emmanuel Macron é o atual presidente da França. Desde que assumiu o cargo, Macron se demonstrou hostil a Putin e suas políticas externas tanto econômicas quanto políticas. Antes de aprofundar o texto, é importante entender que Putin tem comportamento político agressivo e firme, as coisas têm de acontecer da maneira como ele quer ou nada acontece.

Pulando para um passado recente, mais especificamente durante a Copa, os dois países haviam cortado relações e estavam em choque diplomático a algumas semanas. A contenda diplomática entre os dois países começou quando Macron declarou que a mídia russa não era nada mais que uma ferramenta de manipulação midiática, que fez com que Putin conseguisse se reeleger e levasse a Copa pra Rússia junto. Sabe-se que as raízes das reeleições de Putin vão muito além de mídia, adentrando o campo da corrupção política e manipulação de votos direto na urna.

Tal declaração colocou a relação entre os dois países em cheque, a ponto de Macron ir a Rússia ver os jogos da seleção francesa e não se encontrar com Putin, cumprimentá-lo ou sentar na mesma sala que ele. Isso se manteve até o dia 15 de Julho de 2018, quando a França entra em campo, pela final da Copa, contra a Croácia. Antes mesmo do jogo, Macron estava elogiando abertamente a organização da copa, e anunciou que se encontraria com Putin após os jogos para discutir assuntos delicados para as duas nações. Então o que aconteceu?

Na política internacional e em todo o seu conserto e âmbito, diversos fatores exercem poder de modificar o resultado de diversas ações. Os fatores que podem exercer influência sobre uma conduta ou comportamento entre duas Nações/Estados são múltiplos. O futebol tem um enorme poder de influência em política internacional e na relação entre os países. É exatamente isso que eu quero dizer: a ida da França pra final da Copa do Mundo fez com que Putin e Macron “fizessem as pazes” e sentassem para discutir diversos temas que são necessários.

A França, Imigração e o Racismo

Acredito que assim como eu, vocês também perceberam que 70% da seleção francesa não é só negra como também é descendente direta de africanos, refugiados ou imigrantes. Ao final da Copa, eu lembro que me emocionei ao ver aqueles negros levantando a taça das Nações e estando no topo do mundo.

Paul Pogba, meio campista da França, após a final; Foto: Divulgação

Diversas postagens e textos surgiram na internet apontando que a seleção que ganhou a Copa não foi francesa, e sim africana. E o alvoroço que isso causou foi inesperado. Muita gente branca, e claro, francesa, rebateu dizendo que o fato de apontarmos que são africanos é excluí-los de sua nacionalidade francesa. Mas não é bem assim, o buraco é um pouco mais embaixo.

O assunto que surge com a vitória da França vai muito além de serem descendentes de africanos, ele adentra dois assuntos que a sociedade insiste em apontar como pautas da esquerda: a imigração e os direitos humanos. Historicamente a França é um país xenófobo, preconceituosa com imigrantes, e racista. Os franceses são responsáveis pela invasão e colonização de vinte países apenas no continente africano, além da escravização dos mesmos por séculos. Além de que expulsarem frequentemente diversos imigrantes que ali chegam provenientes da África em busca de uma vida melhor.

E essa réplica dos franceses aos comentários sobre sua seleção trazem a tona um problema ainda maior: se eu me tornar francês eu não posso ser mais africano, tenho que ser apenas francês. Isso é muito errado. Não entendo a necessidade de retirar a africanidade dos jogadores só porque ganharam a Copa pra França. Eles são motivo de orgulho pra todos os negros ao redor do mundo agora, incluindo eu.

Muita gente apareceu na mídia discutindo esse tema, que trouxe outros debates, que levantaram perguntas, e rodas de conversa na televisão, internet, rádio e tudo o mais. O futebol causou isso. O futebol causou uma África inteira de 54 países e milhares de etnias, línguas, dialetos, lutas e origens, a se juntarem e falarem em uníssono: ganhamos uma copa, nossos filhos ganharam uma Copa.

Conclusão

Não é dessa copa que o futebol se apresenta como um grande modificador e fator da Política Internacional ou mesmo Interna (nacional). Isso vem desde seu início e advento. Porém, é mais notável depois da primeira Copa do Mundo em 1930. Termino esse texto frisando que Tiago Leifert e o futebol moderno podem ir a merda. Eu fico com meu futebol e tudo que vem com ele.

Política e futebol se misturam sim. Se confundem. Se ajudam e se complementam. Repito, à merda o futebol moderno.


Galera, essa é uma nova coluna onde eu pretendo abordar diversos temas diferentes que concernem a política internacional e até mesmo doméstica, de uma maneira mais descontraída e de simples linguagem, é pra todo mundo ler, se divertir, entender e gostar. Pode ser que seja um tema misturado, como esse acima, ou pode ser que não. Eu adoraria receber sugestões de vocês para futuros temas, só escrever ai no comentário que eu pensarei com carinho.

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