Gatos: Os cactos não

Uma crônica das péssimas experiências que um gato pode fornecer ao seu dono — para destoar das tantas boas

NAYLA SMITH

Em pleno começo de madrugada, num começo dum mês inédito e tão esperado. Acordo-me com um estrondo, que ainda não decidi se preferia tê-lo ouvido ou não, talvez resolvê-lo na manhã seguinte fosse algo a ter considerado, mas no calor da indignação, só pensei naquele miserável gato. Como matá-lo enquanto o amo?

La estavam os dois cactos que dividiam um mesmo vaso, atirados ao chão. Pobres cactos, tão bonitos e fortes, estavam comigo a tanto tempo. Tinham até um vizinho, mas este, graças a Mãe Natureza, não caiu, afinal, se tivesse caído, seria muito pior, seu vaso era de argila enquanto o outro era de plástico.

Meus pobres cactos foram ao chão, quase mato esse gato endiabrado enquanto levanto da cama com 80% do meu corpo em indignação e os outro 20% de preocupação.

Recolhi com todo cuidado os cactos que clamavam por mim. Esse estresse faz muito mal a qualquer planta e esse gato já deveria ter aprendido isso. Em meio à tantas derrubadas de vasos ele deveria saber que isso não é nada educado. Nunca soube educar gatos enquanto eles exalam desprezo por nós.

Lá estava eu, em plena madrugada, num misto de sonambulismo e irritação varrendo o chão do quarto de uma terra interminável. Tudo que cai parece que corre para detrás dos móveis a fim de permanecer no chão. Mas, meus cactos não!

Coloquei toda areia de volta no seu vaso, limpei os livros, todos com tanta areia que mais pareciam vasos também. Falando neles, deixe-me explicar onde ficam: Os cactos ficam em cima de livros, que estão em cima de um banco de madeira, daqueles de beirar balcão de bar. Lindo, por sinal.

Limpei tudo, acomodei os livros e a terra. Fiz de tudo para reacomodar os cactos em seus lugares, até coloquei um pouco d’água neles, depois de tanto estresse, eles até que mereciam. Enquanto os gatos esperavam na porta do quarto. São dois. O mais velho já passou dessa fase, graças a todas as divindades felinas. Mas, o mais novo ainda permanece na safadeza.

O mais velho chegou a matar uma pimenteira, esse era safado de dar nos nervos, o mais novo nem existia nessa fase, porém, existe agora e atenta contra a vida de meus cactos.

São muito bons de criá-los, exceto pelos pêlos, por tudo que derrubam e pela merda que cagam, tudo dentro do esperado.

Tenho que dizer, é um doce amá-los enquanto eles me fazem querer matá-los. Bem semelhante aqueles relacionamentos que um dos parceiros causa ciúmes somente para testar o amor do outro, e o outro mesmo sabendo disso, continua com ciúmes. A diferença é só o sentimento, que passa de ciúmes para descontentamento.

Fechei a porta do quarto e prometi: Nunca mais entram aqui! Sabendo que amanhã mesmo irão entrar. Aquelas coisas que pensamos quando estamos possessos.

Uma coisa que não comentei e não posso deixar de falar: Na verdade são gatas, Ganesha e Noite. A destrambelhada da vez foi Noite, e a mais velha é Ganesha. Prefiro me referir a elas como eles e ainda não sei explicar o porquê.

Coisas de gatos e de quem os cria. Amo criá-los, por vezes, quero matá-los, mas recomendo tê-los. A melhor e mais saudável relação de amor e ódio, porém, se fosse um relacionamento humano até que seria um tanto abusivo, mas são detalhes. Eles ronronam e fazem carinho, não paga o transtorno, mas servem muito bem quando precisamos de auxílio sentimental, além de testar nossa paciência e tolerância. Os amo como amo os cactos.

Phazed

Novamente a tranquilidade da noite, já são quase 4:00 da manhã e eu perdi horas do meu descanso lidando com essa tragicomédia dantesca. Agora é só pedir por sono e esperar adormecer enquanto passam-se as horas e eu precisarei levantar-me. Boa noite.


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