
Hanami: apreciação (da impermanência) das cerejeiras
Aqui em São Paulo, estamos na época da floração das cerejeiras. Várias pessoas aproveitam para irem aos parques apreciar a beleza dessas flores. Essa tradição surgiu no Japão e foi denominada hanami, que significa literalmente “contemplar as flores”. Por lá, a floração ocorre entre o fim de março e começo de maio, a depender da região, mas cada floração dura menos de duas semanas e ocorre apenas uma vez no ano.
A beleza das flores da cerejeira chamam bastante atenção, não há dúvidas, mas eu gostaria de trazer um outro aspecto do hanami: apreciamos as flores da cerejeira por sabermos que logo elas não estarão mais lá. Se elas estivessem lá o ano inteiro, não deixariam de ser bonitas, mas nos habituaríamos e tomaríamos por garantida a sua presença. Ainda que no fundo a gente saiba que pode acontecer algum imprevisto, que amanhã elas podem não estar lá, não levamos isso em consideração. Agora, como a floração das cerejeiras tem uma duração curta já estabelecida, sabemos que se voltarmos em duas semanas já não veremos mais as suas flores. Então aproveitamos esse curto período em que estaremos na presença delas.
Acontece que tudo nesse universo passa pelo mesmo processo que as flores das cerejeiras: surgem e, eventualmente, morrem. “Tudo que nasce, morre”, dizia minha professora em algum momento do meu ensino fundamental. É uma das realidades mais óbvias com que nos deparamos e ao mesmo tempo, a que mais ignoramos. Se não ignorássemos, talvez apreciássemos tudo da mesma forma que apreciamos as flores das cerejeiras. Pessoas, animais, plantas, objetos, rios, montanhas e o planeta Terra são todos impermanentes. Todos passíveis de apreciação.
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