Insana(mente)

Eugenia Loli

Hoje, abri o armário e vesti ilusões.

Calcei descontentamentos

e maquiei indecisões.

Escovei e alinhei algumas inseguranças,

abotoei minhas cismas

e perfumei minhas dores.

Saí de casa carregando o desconforto de ásperas emoções,

equilibrando-as em braços fatigados

para que não ruíssem caminho abaixo.

Trabalhei em alguns desgostos em troca de uns desapontamentos.

Almocei meus medos

e de sobremesa, paranoias.

Retornei à minha morada,

vivenda de demônios interiores

e encontrei Insensatez me aguardando no sofá.

Estava me esperando para conversar.

Recusei e fui me estirar.

Cabeça no travesseiro, olhei para o lado

e Insônia acenou para mim

enquanto a saudade de um amor

fez questão de me cobrir com uma colcha de sofridas lembranças.

Não dormi.

Mas, à tênue luz do crepúsculo

pus-me a fitar Depressão no canto do quarto,

que me olhou de volta

e sorriu.

Creio que nesta noite nos tornamos colegas.

Não durou muito, no entanto.

Insensatez, enciumada,

tratou logo de unir-se à Depressão

e num delírio, consumiram-me inteiramente

para elas mesmas.

E dizem por aí que não se morre de emoções…


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Entrelinhas entre linhas

Written by

Por Marina Marinho e Eick Barreiros

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