Insana(mente)

Hoje, abri o armário e vesti ilusões.
Calcei descontentamentos
e maquiei indecisões.
Escovei e alinhei algumas inseguranças,
abotoei minhas cismas
e perfumei minhas dores.
Saí de casa carregando o desconforto de ásperas emoções,
equilibrando-as em braços fatigados
para que não ruíssem caminho abaixo.
Trabalhei em alguns desgostos em troca de uns desapontamentos.
Almocei meus medos
e de sobremesa, paranoias.
Retornei à minha morada,
vivenda de demônios interiores
e encontrei Insensatez me aguardando no sofá.
Estava me esperando para conversar.
Recusei e fui me estirar.
Cabeça no travesseiro, olhei para o lado
e Insônia acenou para mim
enquanto a saudade de um amor
fez questão de me cobrir com uma colcha de sofridas lembranças.
Não dormi.
Mas, à tênue luz do crepúsculo
pus-me a fitar Depressão no canto do quarto,
que me olhou de volta
e sorriu.
Creio que nesta noite nos tornamos colegas.
Não durou muito, no entanto.
Insensatez, enciumada,
tratou logo de unir-se à Depressão
e num delírio, consumiram-me inteiramente
para elas mesmas.
E dizem por aí que não se morre de emoções…
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