Jogos & Armadilhas

Sobre bons e péssimos jogadores.

Em algum momento da sua vida você decidiu que iria satisfazer todas as suas vontades e desejos a qualquer custo, sendo assim, você prometeu a si mesmo que seria “feliz”.

Que mal me pergunte, mas a troco do quê?

Não que a essa altura do partida eu me importe contigo, entretanto, acho que se você tivesse se perguntado isso antes nós não estaríamos aqui frente a frente.

Eu, milagrosamente, estou com as peças claras, já você se preocupou fielmente em estar com as peças escuras… Aqui você faz questão de mostrar quem realmente é, mas fora do tabuleiro você é tido com uma mera vítima de tudo.

Feito um jogo de xadrez, nós iniciamos o nosso acerto de contas com o intuito de acabar com tudo isso, você me deu a oportunidade de começar primeiro, não por bondade mas sim por pura estratégia…

Você só não esperava que eu já tivesse te visto jogando com as outras pessoas, notei como você as conduz ao erro e as controla da maneira mais conveniente possível.

Acredito que seja algo nas suas expressões faciais ou no modo que você fala, o tom da sua voz, além de transmitir uma mensagem tem, a capacidade de enevoar os pensamentos do ouvinte ao ponto de fazê-lo acreditar fielmente em tudo que você diz.

Suas jogadas são previsíveis, sempre aparentando certo descontrole ou ingenuidade, mas ao notar que as suas peças estão de fato sumindo do tabuleiro você começa a se preocupar, isso não estava nos seus planos.

Você já experimentou a deliciosa sensação de saber a verdade enquanto ao alguém mente olhando dentro dos seus olhos? Só uma palavra pode sumarizar esse sentimento: Colossal.

Depois de engolir metade dos seus peões e uma torre, parto então para uma ofensiva pesada, te forço a mover seus bispos e cavalos para o campo de batalha, quero ver seus argumentos comigo… Confesso que estou pleno e farto de suas armadilhas, você fala uma coisa e seus olhos outra… Até onde você pretender ir?

Menos três peças.
Você começa a gaguejar.
Estou chegando cada vez mais perto.
Sinto seus braços tremerem.
Por que seus olhos estão tão inquietos? 
O que te deixa tão desconfortável?

A verdade que você tanto teme está próxima, posso dizer isso porque você finalmente resolveu mover o Rei e a Rainha, você sequer consegue conter o seu desespero.

Estou tirando cada uma das suas máscaras pacientemente, eu sei o quanto isso te aterroriza… Pessoas iguais a você já cruzaram meu caminho antes e muitos ainda cometerão o mesmo erro de achar que podem pegar o que quiserem e sumirem.

Em questão de minutos isolo o seu Rei, Xeque!
Sua Rainha vem desesperadamente deter-me apenas para ser retirada do tabuleiro logo em seguida… Você viu só? Eu também sei criar armadilhas.

Seu Rei rodopia pelos quadrados do campo de batalha, uma fuga que não acabará bem… Uma vez ouvi que durante o xadrez as pedras refletem muito sobre o jogador, realmente isso nunca foi tão real quanto agora.

Imerso em vergonha e orgulho você faz a última jogada e apenas derruba o Rei no tabuleiro. Xeque Mate!

Aos pedaços e aos prantos te encaro do outro lado da mesa, não há nada que eu sinta além de pena, o pior sentimento do ser humano. Afasto minha cadeira e me direciono a saída.

Alguém definitivamente deveria ter te parado antes.
Ninguém é melhor do que ninguém, mas é difícil compreender isso.
Espero que você consiga se reconstruir algum dia, de preferência sem máscaras, senão alguém irá tirá-las à força como eu fiz.

Será que você aguenta mais um Xeque Mate?


Gostou desse texto? Clique no ❤ e deixe seu comentário!

Não deixe de nos seguir nas redes sociais: Facebook | Instagram | Twitter.

Entre no nosso grupo fechado para autores e leitores.

Conheça o nosso podcast oficial, o Subversivo Podcast!