Mais Um Sobre Saudade

Cansado em demasia de disfarçar a vida, então vai tudo por água abaixo.

Desculpa.

Enquanto ali deitado na cama fingindo dormir, me entregava à paz de pensar em nós da forma mais singular que poderia, sonhando.

Refletindo, constatei que tua fotografia, posta aqui em um quadro ao lado do meu computador costuma falar mais de mim e mais de nós do que qualquer palavra descrita nesses dicionários que encontramos aos montes enchendo prateleiras de livrarias.

Estamos sorrindo, eram tempos bonitos, éramos lindos e nunca sairemos de moda. É tão bom pensar que o amor estará sempre guardado ali, não é?

Mudamos do nós. A troca de pronomes anunciava essa separação que acabaria nos dando pólos separados de distância. Eu fui para um lado, atrás de algo que tornasse a vida uma pouco mais suportável. E tu foste à direção oposta atrás de te encontrar de novo.

“O que põe fim ao amor?’’ Me pergunto enquanto lampejos atravessam apressado a minha mente. Tudo o que fomos. Tudo o que poderíamos ter sido. Tudo.

Inquietação se faz presente. Meu silencio esta quebrado, destoado.

Ainda em busca da resposta, vou riscando da lista que fiz em minha mente os itens que já foram arriscados e fracassaram em me da uma resposta conclusiva sobre a pergunta que tanto me fode o psicológico.

Talvez eu já esteja um tanto cansado de procurar a resposta. “Livros não ensinam essas coisas”, pensei. Talvez nada dê fim ao amor, nem mesmo a morte. O amor vai estar vivo em fotografias, não? O amor estará vivo em quem quer que tenha partilhado do sonho que os amantes sonharam, concluí.

Minha mente que tem mania de gravador trai-me a cada vã hora que tento fazer de tudo para esquecer-te ou guardar-te entre prateleiras empoeiradas.

Desisti de negar-me o sentir. Algo não quer deixar-lhe ir.

Eu não quero deixá-lo ir, acabei por admitir.

Apesar de saber muito de mim, aparentemente. Gostaria de saber de você enquanto procura outras pessoas para pôr em meu lugar. A vida seguindo seu fluxo normal.

Enquanto deitado, envaidando-me, encharcado de estrelas, eu, homem das estrelas, pensei:

— Até parece que ele não se lembra de nós, que não pensa em tudo que passou em nossas vidas nesse curto espaço infinito em que estávamos lá juntos. Até parece que entre os homens que hoje lhe fazem companhia, não há um pensamento que lhe foge e me atinja. Que lhe arrepie a espinha, que o sirva inquietação, saudade e ansiedade, assim como acontece à mim.

Lembro que me agarrei a esse achismo da mesma forma que uma viúva ao lembrar-se do seu marido levado a pouco pela morte. Lembro também que eu estava chorando por sentir-me só e que permiti que essa dor entrasse sem que batesse. Já se tornará de casa.

Queria encher-me de uma insanidade doentia para procurá-lo e lembrá-lo que eu ainda estou aqui perdidamente apaixonado. Queria poder dizer a ele: “Não faz assim. Até parece que você não pensa mais em uma chance para nós dois.”

O controle que me é servido logo após esses pensamentos tolos é a certeza de que essa ideia é totalmente irresponsável. É a gravidade me puxando para a terra. É o jeito que o mundo tem de me avisar que devo pensar com racionalidade e tolerância.

A saudade me encontra em alguns dias pela semana, aceitei a condição de que é uma coisa que vem e volta. E que será assim enquanto ainda não estiver totalmente purgado.

Vou caminhando e deixando o amanhã contar o desfecho para essa história. O amanhã dirá o que há de ser. Permiti-me ser invadir por esse sentimento. E, por fim, fiquei totalmente feliz que por hoje me faço de esperança, homem das estrelas, em vez de expectativa.


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