Muito mais que apenas Carnaval

Tulio Tavares
Feb 25, 2017 · 3 min read

O Carnaval é um ato de diversão e também de protesto. Fantasias como máscaras do presidente eleito nos Estados Unidos, Donald Trump, do ex-Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e sua mulher, Adriana Ancelmo, além do empresário Eike Batista, esses são exemplos de diversão que se misturam ao protesto. Além da demonstração direta do descontentamento político em blocos cujo nome é “Fora Temer”, outras festas de rua também gritam a mesma palavra de ordem, embora não sejam voltados especificamente para tal finalidade.

Muitos que comprar a máscara com o rosto de Donald Trump, por exemplo, afirmam que a ideia é de assustar o impacto das ações do Presidente da maior Nação do mundo. Já as máscaras e até uniformes de penitenciários sã uma maneira de demonstrar o sentimento de justiça ou vingança, que não entrarei no âmbito no caso de Eike, Cabral e Ancelmo.

Mas o carnaval vai muito além de tudo isso, retratando os blocos, shows, encontros musicais e de fantasias, percebemos nessa festa que a diversão acontece desde a primeira hora do dia até a última. Se sai daquele mérito de baladas e shows que costumam acontecer entre o turno da noite e o da madrugada. Além de ser gratuito, o Carnaval também traz protestos indiretos, ou seja, aqueles que não percebemos. A cidade é tomada de gente, as cidades ficam voltadas para as pessoas, e, não esqueçamos, memes e gifs ao vivo e a cores nessa época do ano.

O homem precisa manter certa postura para manter respeito e autoridade em seu grupo social, esse mesmo homem oprime quem não faz o mesmo, ou seja, afeminados, homens “sérios”, dentre outros. Mas muitas vezes as ações desse mesmo é, como já citado, para que uma autoridade seja posta, além de uma busca direta por um prestígio inabalável, tão importante e fundamental para todos nós segundo Max Weber (Sociólogo, Economista e Jurista, 1864–1920). No carnaval, a autoridade não é abalada, muito menos o prestígio, é normal ser diferente e não agir conforme a masculinidade demanda durante todo o restante do ano. Portanto, fantasias e atitudes nada “másculas” são comuns para quem no fundo queria muito fazer e viver sem ser pressionado de todas as formas e jeitos que demonstra. É a descoberta do lado feminino que todos os homens têm, como diz Gilberto Gil na música ‘Super Homem’:

Quem sai de casa parecendo Patati e Patatá? (famosos palhaços entre o público infantil atual). Sempre tem aquela exceção, né? Uma maioria prefere manter os trajes da moda, o convencional, do que um para chamar a atenção, que não seja de maneira “negativa”. No Carnaval não, negativo é positivo. Portanto, aquela roupa que você só usa no Carnaval, ou que até acha bonita de usar fora do mesmo, mas não é vista dessa maneira pela maioria. Até uma maneira de viver mais levemente o dia. Quem sai fantasiado se não for carnaval ou festa a fantasia? Quem com os amigos dentro de um transporte público — não sendo secundarista — canta e dança indo para uma atividade que não seja um evento de espetáculos e diversão como o Carnaval ou um grande show?

Portanto, o Carnaval é uma festa de protestos. Direto e indireto. Subjetivo e objetivo. Consciente e inconsciente. Do mundo e sua realidade. Do nosso mundo e de atitudes que por medo ou falta de crítica, nunca tentamos ou desistimos de mudar. Deixo uma indagação final:

Se ser feliz é não ser o tempo todo, então, não ter o Carnaval o ano inteiro é ter Carnaval em fevereiro?


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