Não quero mais

Helder Medeiros
Oct 15 · 1 min read
by Maurício Mascaro

Não quero mais despertar sem ter adormecido. Chega de encher os cinzeiros e os pulmões até transbordarem. Não quero sair para tomar um sorvete no sábado à noite — não tenho mais dezesseis anos. Não quero que o sangue seja motivo suficiente para me obrigar a amar alguém. Não faz mais sentido procurar culpados pelas minhas amargas expectativas. Não quero mais esbarrar com conhecidos no supermercado, nem fazer churrasco na segunda-feira. Não quero mais não ter medo de morrer e sentir que nada precisa ser feito, tendo em vista que logo não estarei mais aqui. Preciso, aliás, criar este medo — seria um bom motivo para começar a me cuidar. Não quero que construam opiniões sobre mim, muito menos que as me digam. Não quero ir, nem voltar. Quero ser e estar. Não quero mais o barulho de uma conversa fiada, nem receber um obrigado depois de árduo dia de trabalho (muito menos um parabéns). Não quero fechar os olhos, tampouco os abrir demais. Quero focar, respirar, resolver, criar, curtir. Quero uma lupa instalada em meu espírito. Quero aprender a viver. E mais do que tudo, quero, todos os dias, olhar em volta e me lembrar de quem construiu tudo isso. Quem?

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