Nem tudo que reluz é ouro

Acervo Google.

Meu notebook estragou. Deu um pau desgraçado no sistema operacional e puf, ele não ligou mais. E como bom fuçador que sou, tentei resolver o problema sozinho, por minha conta.

Obviamente, não deu certo. Só espalhei ainda mais a merda. Não é sempre que a gambiarra funciona. Então beleza, sem notebook não tem como eu ficar, portanto o levei a uma assistência técnica próxima da minha casa.

Empresa grande, placa grande e luminosa, todos os funcionários uniformizados, uma beleza de atendimento. Já tinham meu cadastro pois já havia comprado um acessório por lá, aí foi só atualizar e emitir a ordem de serviço, em papel colorido e tudo o mais.

Assinada a nota, recebi a previsão de que no dia seguinte teria o veredito. Agradeci e saí da loja. Eu já sabia no que isso ia dar, mas até aquele momento, não tinha outra opção. Esse atendimento polido e brilhoso esconde um discurso engessado e uma burocracia sem sentido, além de uma bela passada de perna. No dia seguinte, não obtive retorno. Somente no outro dia recebi o diagnóstico. Além da formatação e recuperação do SO, o teclado estava com problema. Resumindo toda a operação, eu teria que desembolsar quase 300 reais para consertar tudo.

“Caralho”, pensei, “os caras não sabem nem disfarçar mais”. Respondi que retiraria o notebook e que não faria o conserto.

Na hora do almoço desse dia, resolvi fazer um trajeto diferente do habitual para voltar pra casa. Notei que havia aberto uma assistência técnica de eletrônicos em uma sala que estava para alugar por ali. Bem, já estava com o notebook em mãos, não custava nada deixar ali para darem uma olhada.

Entrei, e o ambiente era bem diferente do da outra loja. O local era três vezes menor, e estava bem bagunçado. Peças de computadores e notebooks empilhados no que parecia um caos sem sentido. O dono da loja atendia um cliente que já estava na loja quando cheguei. Não prestei atenção na conversa, mas era algum fio mal colocado na CPU. O cliente perguntou quanto custaria o conserto, o dono da loja disse que tudo bem, ficaria de presente de dia dos pais atrasado.

Chegou minha vez, tirei o notebook da mochila e apresentei o problema. Quando o ligamos, o notebook começou a fazer barulhos de bipes que foram prontamente silenciados ao apertar um botão do teclado, que não deveria estar funcionando. Enquanto o técnico analisava o aparelho, conversamos brevemente sobre jogos, vídeo games e nostalgia. Por fim, me disse que o conserto custaria cinco vezes menos do que o da outra loja, e ele ainda instalaria uma versão mais recente do sistema operacional.

Anotou meu número de telefone no seu bloco de notinhas com papel carbono e me entregou uma via. Como hoje foi sexta-feira, receberei um retorno na segunda. Sem problemas.

Moral da história? Nem sempre aquilo que é rebuscado e metódico e aparenta ser profissional assim o é, assim como o que é simples, direto e desorganizado pode ser muito mais do que os olhos veem. Não sei vocês, mas, entre a moça bem-vestida e uniformizada e o tiozão de dois metros de altura e o braço todo tatuado, eu fico com aquele que jogou muito Super Nintendo e não tentou me passar a perna.


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