No Escuro do Mundo

Crédito da Imagem

Sentados nas pedras eles se inclinam para trás, apoiados nos cotovelos, a coluna formando um ângulo de 45 graus em relação ao solo. Queixos erguidos em busca dos pontos brilhantes que em sua dança imóvel formam as figuras que cada um deseja encontrar. Imitando a posição, volto meu olhar para o quadro mais amplo, o escuro profundo, a fim de captar o movimento expansivo e ininterrupto do universo. Estariam ali as respostas? Poderiam, do escuro, emergir as mais intensas luzes? Seria necessário desvencilhar-se da superficialidade das estrelas visíveis para apreender de fato o novo que, tentando incansavelmente fazer-se enxergar, distancia-se?

É possível que, dentre outras coisas, estejam no escuro todas aquelas histórias que meu peito, minha mente e minhas mãos falham em materializar neste papel? Emaranhadas nos fios da filosofia, da verdade científica e transcendental diante da qual tremo de medo e ansiedade? Em situação de perene viajante, de promessa que jamais se cumpre, o escuro do tempo anseia por aqueles que, exatamente por seu distanciamento, possam encarar seus olhos de fera.


O texto foi escrito sob forte influência das ideias presentes em “O que é o contemporâneo?” de Giorgio Agamben, cuja resenha está disponível aqui.


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