O bom pai

Reprodução (Pixabay)

Não sei ser pai.
Não aprendi com o melhor — assim justificam-se os bom pais.
Meu pai não é meu herói.
Não acredito em heróis.
Frequentemente, os heróis dos quadrinhos apresentam falhas humanas, conflitos internos.
Heróis são disfarces.
Heróis superam os limites do bem e do mal.
Mas, voltando ao assunto, não sei ser pai.
Aliás, ainda não sei.
Porque existe em mim uma esperteza descomunal.
Adormecida, essa segurança de que aprenderei a ser pai me segura.
Asseguro-me.
Não sei ser pai, ainda.
O bom pai é uma construção constante.
E por essa constância, é um ideal distante.
Espero não ser o herói dos meus filhos.
O bom pai não está acima da humanidade.
O bom pai também comete erros.
O bom pai, embora eu não saiba como é, deve ser alguém a quem se pode recorrer.
O bom pai não foge da briga, fica nem que seja para apanhar.
O bom pai conversa, pode ser em versos, pode ser em prosa, pode ser em repentes.
O bom pai, o pai ideal, é o pai presente.