O medo da Noite assola a humanidade em Ciclo das Trevas — O Protegido

“Sua missão era fazer com que outros lutassem”

Lucas Machado
Feb 2, 2018 · 6 min read
Arte de fundo: Reprodução/Internet. Artista desconhecido. Capa original — Darkside Books.

Informações

  • N° de Páginas: 528 páginas
  • Editora: Darkside; Edição: 1ª (5 de março de 2015)
  • Autor: Peter V. Brett
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Sinopse

“Às vezes há boas razões para ter medo do escuro… Assim que a escuridão cai, os demônios corelings aparecem em grande quantidade, gigantes de fogo, madeira e rocha famintos por carne humana. Depois de séculos, os humanos definham com o esquecimento das marcas de proteção. Arlen, Leesha e Rojer, três jovens que sobreviveram aos ataques demoníacos, atrevem-se a lutar e encarar o perigo para salvar a humanidade. Em O Protegido — eleito um dos dez melhores romances fantásticos de 2008 pela Amazon UK –, a humanidade cedeu a noite aos corelings e são poucos que ainda conseguem se esconder atrás das proteções mágicas, rezando para que elas os conduzam para mais um dia. Conforme os anos passam, as distâncias entre as pequenas vilas se aprofundam. Parece que nada pode deter os demônios ou aproximar a humanidade novamente. Arlen, Leesha e Rojer, crianças nascidas nesses pequenos vilarejos hoje isolados, não se conformam com essa situação. Um Mensageiro ensina ao jovem Arlen que o medo, mais que os demônios, tem paralisado a humanidade. Leesha vê a sua vida perfeita ser destruída por uma simples mentira e se torna uma coletora de ervas para uma velha mulher, mais temida que os demônios da noite. E a vida de Rojer muda para sempre quando um menestrel viajante chega à sua cidade e toca seu violino. Mas estes três jovens carregam algo em comum. São todos teimosos, que não se rendem à realidade imposta a eles e sabem que há muitos segredos e mistérios no mundo além do que lhes contaram. Para descobrir isso, eles terão que se arriscar, abandonar suas proteções seguras e encarar os demônios de frente. Juntos, os três podem oferecer à humanidade uma última, e fugaz, chance de sobrevivência. A impressionante estreia de Peter V. Brett — um dos mais aclamados autores de fantasia dos últimos anos — é uma aventura fantástica que cativa e emociona o leitor ao conduzi-lo a um mundo de demônios, escuridão e heróis. Uma bela metáfora sobre o medo e como precisamos confrontá-lo todos os dias para não deixar que ele nos domine e conduza a nossa vida.” (Fonte: Amazon)

Resenha

Há muito tempo a humanidade não sabe mais o que é ser dona de si. O desaparecimento do Salvador após anos de paz trouxe das Profundezas criaturas bestiais e elementares. O Criador, segundo as profecias, jogou sua Praga na humanidade por conta de sua ganância. A única forma de se proteger que restou aos humanos faz parte de uma Era antiga, de antes do Retorno, são símbolos antigos que faz com que os demônios — ou “terraítas” como são conhecidos — não consigam se aproximar de locações que possuam tais símbolos antigos, sendo repelidos de forma brusca. Assim, o tão aguardado retorno do Salvador é a única esperança que resta e que une todos os povos.

O livro “O Protegido” é o primeiro volume da saga Ciclo das Trevas do autor Peter V. Brett que foi publicado pela Darkside Books no Brasil em 2015. Nele, somos apresentados a três crianças que decidem enfrentar a escuridão e o medo que assola a humanidade há séculos. Arlen é um jovem que tem como maior objetivo enfrentar os demônios e desbravar o mundo, saindo do seu pacato vilarejo, o Riacho de Tibet. Leesha é uma jovem que acabará de florescer, como todas as mulheres naquele universo, ela é prometida a um homem tão jovem quanto ela, mas vê seu destino mudar ao conhecer uma poderosa ervanária chamada Bruna. Rojer é o mais novo dos três, o mesmo vê sua vida mudar quando a estalagem de seus pais é invadida por demônios e o mesmo é adotado pelo menestrel Arrick Cantadoce que passava sua noite no local.

Reprodução/Internet. Artista desconhecido.

O autor possui uma escrita simples, fluída e objetiva. Ele certamente não se enquadraria no hall dos escritores descritivos, apesar de suas batalhas serem narradas recheadas de detalhes e muito, mas muito sangue humano e das trevas. A soma desses elementos entrega uma narrativa muito viciante e visceral, sendo uma das obras mais aclamadas quando se fala de dark fantasy no Brasil. O gênero é famoso por retratar o pior da humanidade, por conta disso podemos afirmar que este livro é certamente para pessoas mais experientes, pois além das batalhas sanguinolentas, o livro também possuí uma cena de estupro. Essa parte do livro é tratada de forma cuidadosa pelo autor, evitando detalhes perturbadores que afastam leitores e, principalmente, leitoras.

O principal objetivo do autor neste livro é certamente apresentar o universo que, posso dizer, é rico em detalhes, por conta disso ele acelera a cronologia do livro retratando-o em uma década, isso não prejudica em nada a história, apresentando a mesma em fases como infância, adolescência, juventude e adulto. Àqueles que se prejudicam por conta dessa opção são os coadjuvantes neste livro, mas acredito que o mesmo voltará a eles nos próximos volumes.

“Arlen observou a carnificina horrorizado. O demônio arrancou a cabeça de um homem com uma dentada e jogou o corpo para cima dos outros, derrubando vários. Outro ele esmagou com o pé e mandou um terceiro voando com um golpe de sua cauda espinhosa. Ele caiu com um estrondo e não se levantou mais.”

O personagem que se torna central neste livro é Arlen, pois o mesmo se mostra independente, determinado e, ao mesmo tempo, cético quanto as profecias ao redor do Salvador e do Criador. O mesmo acredita que o Salvador não é um individuo, mas todos aqueles que se rebelam contra a Noite. Os arcos dos outros personagens também são interessantes, focam em outros pontos extremos para além de batalhas épicas, dando uma maior valorização as personalidades, os sentimentos e a rotina daqueles que convivem com o medo, esta que é a maior arma dos demônios.

O mapa do livro é explorado com maestria pelo autor, por mais que o mesmo não seja tão grande, Thesa é aquilo que sobrou da humanidade e isso faz com que a mesma se torne especial. Passamos por vilarejos pequenos, onde o ouro não é algo tão presente, mas sim o escambo. Visitamos a realeza e vemos a mesquinharia dos nobres. Cada local ganha vida com a incrível escrita de Peter V. Brett.

Reprodução/Internet. Artista desconhecido.

A edição do livro é impecável, as folhas meio amareladas e as letras um pouco maiores do que as convencionais deixam a leitura confortável para qualquer tipo do leitor. O livro possui capa dura e ilustrações representando elementos presentes na história. Por mais que o livro tenha mais de 500 páginas, a capa dura favorece a um maior manejo na hora de ler.

“O Protegido” mostra a humanidade no seu limite, sendo uma fantasia épica viciante que consegue cativar e conquistar qualquer um. O medo da escuridão, um dos temas centrais da história, é algo presente em todos nós em algum momento de nossas vidas, isso faz com que o livro se aproxime cada vez mais do leitor. A mensagem final que o livro carrega é de não esperar que outros façam, mas sim tomar as rédeas da situação e fazê-la você mesmo. A saga Ciclo das Trevas revoluciona em vários sentidos o gênero dark fantasy, fazendo com que o gênero se difunda e ganhe espaço cada vez mais, fazendo com que o entretenimento e a fantasia adulta se popularize.

“Talvez fosse o que merecia por abandonar todos que o amaram. Talvez ele devesse simplesmente deitar ali e morrer.”

Nota: 5 de 5

  • Narrativa: 1 de 1;
  • Personagens: 1 de 1;
  • Edição: 1 de 1;
  • Originalidade: 1 de 1;
  • Ponto Extra: 1 de 1.

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Lucas Machado

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Cientista social, professor de Sociologia, criador da Revista Subjetiva e debatendo sobre masculinidades no podcast Homem Também Chora.

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