O perigo mora ao lado — Selvageria Urbana #4

Domingo de noite, os cinco integrantes da família Garcia, estão sentados a mesa, saboreando uma pizza, que tinha os sabores favoritos de todos.

Os pais, João e Isabel, tomavam um vinho e contavam para as filhas histórias memoráveis que o vinho trazia para as suas vidas, algumas sérias, outras cômicas, com o requinte de inocência. Já as 3 filhas, ouviam, riam com fartura, enquanto se deliciavam das variações de sabores da pizza acompanhada com o bom e velho refrigerante.

Terminado o jantar, seguiu-se uma pequena sessão de cinema em casa. Para assistir, foi escolhida uma comédia, do tipo família. O filme estava lindo e maravilhoso, mas mesmo assim João adormeceu, com a cabeça encostada no ombro da esposa. Lena, a filha mais nova de 9 anos, comenta:

— O pai sempre dorme quando estamos assistindo alguma coisa, nem sei porque ele reclama das nossas escolas.

Então, a mãe, Isabel, responde:

— Ele é mesmo assim. A única coisa que o deixa acordado são os jogos e como aqui ninguém gosta de jogo.

Paula, a filha mais velha, olha para os pais e pergunta:

— Mas quando vocês estão no quarto assistindo, ele também dorme?

— Depende do que estamos a assistir, mas se for este tipo de filme, sim, ele dorme — respondeu a mãe.

Quando, de repente, ele responde:

— Estou a ouvir tudo o que vocês estão a falar de mim. E não estou dormindo. Apenas pensado de olhos fechados, assim aproveito e descanso estes olhos lindos que tenho.

Todas começaram a rir, pois a desculpa foi mais engraçada que as cenas do filme de comédia.

— Como não estão acreditando no descanso das minhas pálpebras, vou me retirar e ir repousar geral — acrescentou João.

Em seguida, com beijos se despediu, primeiro das filhas, depois da esposa e no ouvido dela sussurrou:

— Não demore, estou te esperando.

Ela não disse nada apenas, sorriu. Se posicionou no meio das três filhas, como uma verdadeira protetora — como realmente toda mãe é.

Pouco tempo depois, o filme tinha acabado e Isabel também se retirou, seguindo o mesmo ritual do marido, desejando boa noite às filhas com beijos.

A última a sair da sala foi a filha do meio, Antônia, que deixou todas as lâmpadas acesas.

Quando era três da manhã, João ouve um barulho na cozinha, se levanta, pega a arma que tem em casa e vai para cozinha, mas antes de sair, a sua esposa também acorda e o acompanha. Quando estavam no corredor, ouvem o grita da Lena, a filha mais nova. Sua esposa se apavora e sai correndo pra cozinha. Chegando lá, ela solta mais um grito:

— Não, por amor a Deus, não faças isso!

João se desespera e corre para lá também. Para sua surpresa, o presente era grego ao estilo clássico “cavalo de Troia”.

Dois homens estavam armados com facas e pistolas que pareciam ser automáticas, um apontava a arma para a esposa e o outro estava com a faca na garganta da Lena.

Assim que ele chegou, apontou também a sua pistola ponto 38 para os invasores, iniciando uma negociação.

— Soltem elas e saiam da minha casa, se não eu disparo.

O bandido que estava com a Lena, a filha mais nova, rapidamente respondeu em tom ameaçador.

— Não estás em condição de ameaçar ninguém aqui. Larga a arma, se não mato a tua filha agora, vou começar a cortar a garganta dela e se você me fizer contar até três ela estará morta.

Isabel logo começou a suplicar para o marido atender as exigências do bandido, que começou a mostrar que não estava para brincadeiras.

Com uma mão, ele tapava a boca da pequena Lena, com outra começava a fazer um lento corte na garganta, simultaneamente ele contava.

Enquanto isso, um terceiro bandido, apareceu na cozinha, arrastando pelos cabelos Paula e Antônia, que gritavam ensurdecedoramente de tanta dor, tirando ainda mais o foco de João que foi obrigado a baixar a arma para tentar evitar o sofrimento das filhas. O que deu certo, mas o bandidos ficaram toda atenção nele. Os dois bandidos que estavam com as filhas, as largaram e começaram a bater em João com socos na cara, no abdômen, joelhadas, cotoveladas e tantos outros golpes violentos até que ele caiu.

Já no chão com arma apontada para ele, o obrigaram a dizer a combinação do cofre e na sequência o arrastaram para o quarto onde estava o cofre.

Quando ele pensou que tinha acabado, o terceiro ladrão entrou no quarto arrastando a sua esposa pelo cabelo.

— Se não queres morrer fala onde guardaste as joias?

Mas ela não conseguia responder, pelo medo e pela dor que a colocou num estado quase de pânico e paralisação. Isso irritou o bandido que a joga na parede para o desespero de João. Então ele não espera mais e mostra onde estão escondidas as joias da família e as entrega aos bandidos, que antes de saírem da casa, decidem amarrar todos eles.

— Vamos amarrar todos eles e colocar aqui no quarto mesmo — disse o bandido que parecia ser o líder da gangue.

Os outros dois acenaram com a cabeça e, na sequência, saíram para pegar as filhas que já estavam amarradas e desesperadas no chão da cozinha.

Minutos depois estavam todos amarrados no quarto, amontoados e aos prantos com a situação que estavam a passar.

Para sorte da família, uma vizinha ouviu um barulho, viu os bandidos saindo as pressas com um dos carros da família e chamou a polícia, que não demorou a chegar.

Primeiro, soltaram todos e a equipe médica prestou os primeiros socorros. Na sequência, fizeram a perícia na casa, conversaram com toda a família e depois recolheram depoimentos individuais, para entender melhor o caso.

Quando a polícia ia saindo, um agente percebeu que um dos ladrões deixou cair o celular, recolheu e o levou para análises técnicas e tentar alguma identificação dos mesmos.

O conteúdo do celular, foi o suficiente para revelar a identidade dos ladrões e demais envolvidos, pois, as mensagens em grupo de WhatsApp deixavam claro que se tratava de um roubo sob encomenda. Já que os bandidos sabiam da existência do cofre e das jóias que eram guardadas em casa. E as agressões desnecessárias indicavam um envolvimento sentimental de ódio gerado pela convivência, tal como suspeitava o delegado.

No dia seguinte, eles foram para a casa da família Garcia, mas não apenas para dar a boa notícia que todos os envolvidos foram identificados e que já tinha mandado de prisão sobre os mesmos. Mas também para efetuar uma prisão.

O delegado Duarte, chegou com a sua equipe, começaram a expor os resultados da investigação e se mais demoras fez a bombástica revelação:

— Senhor e senhora Garcia, sabemos quem são os ladrões, são jovens de classe média, estudantes de Direito, mas também sabemos quem foi a mandante do crime, que é a Paula. Sei que isso é cruel e difícil de acreditar, mas foi ela que deu todos os detalhes do cofre, das jóias e até a planta da casa. E pior, ela autorizou as agressões que resultaram nos ferimentos que os senhores receberam.

— Não posso acreditar nisso — disse Isabel.

— Nem eu. Minhas filhas não fariam isso com a sua família — acrescentou João.

— Infelizmente as evidências são essas. Achamos conversas em uma grupo do WhatsApp em que ela era a única administradora e todos os integrantes do grupo participaram do crime. E onde está a Paula?

— Deve estar chegando, foi estudar na biblioteca, ela quer muito ser médica, então estuda o tempo inteiro.

Mal João acabou de responder, a porta se abriu e era Paula. Que teve a prisão anunciada logo na sequência e o celular apreendido para averiguação.

Ela tinha apagado todas as mensagens, mas em depoimento acabou confessando o crime e fez uma outra revelação ainda mais drástica:

— A minha irmã Antônia sabia, mas não participou do crime. Apesar de não ter feito nada para impedir.

— E por quê você fez isso? — Perguntou o delegado Duarte

— Porque meu pai usou todo o dinheiro da minha conta que minha mãe estava a guardar para minha faculdade de medicina, que eu queria fazer no Japão — respondeu friamente Paula.

Em visita para ela na prisão, os pais disseram:

— Filha nunca existiu este dinheiro que dizes que o teu pai pegou. E saiba que nós te perdoamos e vamos pagar advogados para te tirar da cadeia o mais rápido possível.



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