Couples — Il Corriere della Sera” Por: Helena Perez Garcia

Obrigado… Próximo?

Sobre a aversão ao apego emocional.

São Paulo, 23h50.

Esse lugar é digno da Festa do Fim do Mundo, não acha? Olhe ao redor: Pessoas loucas, dançando, bebendo, se beijando, se deixando, existindo, aflorando… e aqui estamos nós.

No cerne.

Te trouxe aqui nesse pequeno pedaço do inferno na terra (delícia), porque estou curioso sobre algo que você adotou como mantra, uma frase que você se orgulha (e muito) de compartilhar em todos os lugares (virtuais ou não).

Antes de mais nada, deixemos nossas hipocrisias de lado e façamos uma promessa: Não cagaremos regra sobre o que é certo ou errado, afinal, não temos competência moral para realizar tais julgamentos… olhe pra mim, agora olhe pra você mesmo… Ok? Vamos lá.

Como assim “Obrigado, próximo”?
Modern Love” Por: Marco Melgrati

Vamos deixar claro que o desapego é seu e você faz o que quiser com ele, mas não te incomoda um pouco esse fluxo desenfreado de pessoas entrando e saindo da sua vida?

Não que você tenha que, definitivamente, se fixar no tempo e espaço com alguém… mas as outras pessoas sabem que elas não podem parar no meio de caminho? Elas estão cientes de que com você só haverão momentos e não fases?

Tenhamos bom senso, até porque esse lema só funcionará por bastante tempo se vocês estiverem em sintonia… sim, até para ser apenas o “próximo” de alguém é necessário ter uma pequena conexão.

Quando um não quer, dois não insistem… ou estou enganado?

E não há exceções, imagino… Você até fala que é capaz que algo “a mais” possa rolar, mas é bem raro de acontecer, até porque você não costuma abrir brechas… A não ser quando você gosta de alguém que justamente não se importa contigo (clássico).

Social Media Narcissism” Por: Marco Melgrati

Quantidade ou qualidade? Essa dualidade te persegue ou é só um mero detalhe? Pergunto pois sei que você investe grande parte do seu tempo vasculhando aplicativos com chamas, corações e vespas em busca… do que mesmo? Não lembro.

Talvez em busca de alguém que esteja na mesma sincronia ou que apenas esteja coincidentemente disponível na mesma hora, momento e lugar que você.

A busca por elogios vazios que se desdobram nos “finalmentes” me parece um pouco vazia, não acha? Mas até que parece uma boa ideia, afinal, qual a probabilidade vocês se cruzarem de novo?

Aliás, o “de novo” ainda te assusta como antes? A reincidência de alguém na sua vida ainda faz as tuas pernas tremerem de desespero?

É difícil sair com a mesma pessoa de novo… e de novo… Aquela dificuldade de se reinventar a cada encontro e olhar para os olhos da mesma pessoa e ainda sentir atração. Aquele pensamento vem à tona: “Existem centenas de pessoas lá fora, mas eu tô aqui!”. Isso te assombra e te corrói toda vez, às vezes fica nítido na sua cara e você tenta reverter a situação, mas a outra pessoa meio que já percebeu só pelo seu olhar (aquele brilho que se esvai fora do nosso controle).

Learn To Forget” Por: Marco Melgrati

Somente a possibilidade de alguém demonstrar sentimentos mais profundos por você te causa arrepios, onde já se viu alguém sair contigo e gostar de você?

Por vezes o passado faz uma visita e você se recorda de amores que se foram, que não deram certo… todo o esforço em prol de algo que nunca se concretizou.

Então você reza para que alguém não se apegue a você, que as suas palavras não sejam mal interpretadas, que todo esse afeto não te afete.

Você não quer lidar com esse climão, é demais pra sua cabeça.

Tudo isso é muito complexo, é uma junção de sentimentos aí dentro em consonância com uma atual onda de desamor que nos rodeia, mas note que Desapego e Desamor são duas coisas bem diferentes.

O que vem depois do Próximo?

Nossos copos se encheram e se esvaziaram mais rápido do que eu imaginava, é bom se aprofundar nas coisas uma vez ou outra… definitivamente a superficialidade das coisas é capaz de nos cegar (é tudo mais fácil lá em cima).

Mesmo depois de tudo ainda não sei dizer o que há depois do próximo… e no próximo do próximo? Pior ainda, não faço a mínima ideia, mas espero que isso paire sobre a nossas cabeças toda vez que nos relacionemos com alguém.

Tarefa difícil, mas é por uma boa causa, afinal de contas…

Não podemos ser o Próximo de alguém para sempre.



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