Overreacting

Quando me importo, me enrijecem os ombros.

Quando me importo, minha boca se contrai. Se comprime. Quando me importo sou toda recusa, ouvidos que estranham sons comuns. Minha cara arde e preciso do vento, do escuro, da chuva. Me importo e já não é mais amargo o café, nem doce, nem nada. Se me importo me preocupo, e preocupada eu sou péssima.

O que me falta de experiência compenso em atenção e fluxo de pensamento. Questiono porque me importo. Ou por incompatibilidade com a satisfação. Duvido. Duvido e entendi que a dúvida é tudo que tenho. É o real. Aperfeiçoamento do sentir. Certezas são mentiras tão logo surgem, espartilhos deformando as verdades.

Parece mesmo que a leveza não nos pertence, né? Isso te incomoda? Pra mim tá tranquilo, não é o que eu procuro.

Então fala comigo. Ou não fala, me olha. Quer saber, nem me olha. Só me sente, me vê. Me amassa. Relaxa meus ombros. Me protege de mim. Me convida pra entrar porque preocupada eu sou péssima. E qualquer confusão é melhor que a própria.


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