A poesia presente em Paterson (2016)

Plaz Mendes
Jul 30, 2017 · 2 min read
Paterson.

Espécie de canção

Deixar a cobra espreitar sob
a erva
e a escrita
ser palavras, lentas e rápidas, afiadas
ao golpear, quietas ao aguardar,
insones.

– pela metáfora reconciliar
pessoas e pedras.
Compor. (Nenhuma ideia
senão nas coisas.) Inventar!
Saxífraga é minha flor que cinde
rochas.

WILLIAMS, William Carlos. “The wedge”. In:_____. The collected poems of William Carlos Williams. Vol. 2. New York: New Directions, 1986
Tradução : Antonio Cicero

Ao terminar de assistir ao filme de Jim Jarmursch, a primeira coisa que me veio na cabeça foi escrever uma poesia. Seu novo filme tem um ritmo calmo, constante e cheio de lirismos. Talvez não seja um filme para todos os gostos — seu cinema nunca o foi —, mas se você tiver sensibilidade com certeza vai apreciar esta obra.

Paterson é o nome do personagem interpretado por Adam Drive e, também, é o nome da famosa cidade onde nasceram os poetas William Carlos Williams e Allen Ginsberg. É nesse giro que vamos nos deter por alguns dias, na vida de Paterson, que preenche sua rotina de poesia. Tudo no seu caminho é material para sua escrita, desde uma simples caixa de fósforo até o seu amor por sua esposa.

William Carlos Williams escreveu em cinco volumes de seu poema épico Paterson (publicado entre 1946 e 1958) que permeia a cidade citada localizada em Nova Jersey e eis o que ele dizia sobre o seu trabalho :

Eu comecei a fazer viagens para a área. Andei pelas ruas; Eu fui aos domingos no verão, quando as pessoas estavam usando o parque, e eu ouvi a conversa tanto quanto eu podia. Eu vi o que quer que eles fizeram, e fez parte do poema.

A paixão do filme é justamente refazer nosso olhar para o chamado banal da vida, nosso olhar para as coisas e as pessoas. Um filme sensível, cheio de poesia, gêmeos, loucuras e tudo mais que a existência pode oferecer se você for capaz de apreciar sua beleza. Um filme sobre a poesia da vida.


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“O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa.” Eduardo Galeano. cmendesthiago@gmail.com

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