Porque o pornô é a pior porta de entrada para o sexo?

Uma breve busca no Google é suficiente para levantar o debate sobre o pornô.

Em meio a turbulência que estamos vivendo atualmente no Brasil, falar sobre a Industria do pornô parece algo fora de época, mas calma, tudo está conectado pelos detalhes que passam desapercebidos.

O filme pornô é a entrada para o sexo entre muitos jovens, principalmente no Brasil, onde há uma falta de ensino e de orientação sobre a prática sexual para homens e mulheres nas escolas. Não é difícil visualizar esses dados no Brasil, país onde ainda é tabu, por exemplo, as mulheres se masturbarem. Assim, como o sexo ainda é um tabu na maioria dos lares brasileiros, se tornando proibido e pecaminoso para uns, assistir um filme pornô ou caseiro nos mais variados sites se torna uma espécie de entretenimento para o jovem, além de significar também uma conexão com a vida adulta.

Na falta do ensino, a educação que é passada para milhares de pessoas que não possuem experiência na prática do sexo é vista em filmes eróticos, porém, existem diversos dados que separam o sexo encenado da vida real que muitas das vezes não são levados em consideração, vejamos alguns deles:

  • O pênis de atores pornôs tem em média de 16 a 23 centímetros, a média mundial é entre 13 a 18 centímetros. A média do pênis de um brasileiro está em 14 centímetros.
  • Enquanto a maioria dos atores e atrizes pornôs costumam ter poucos pelos genitais, em média, 65% das mulheres e 85% dos homens possui bastante.
  • Para entrar no clímax, a média é de 10 a 12 minutos, já em filmes pornôs, os atores e atrizes estão sempre no clímax a qualquer momento.
  • Atores pornôs nunca broxam e também dificilmente ejaculam com facilidade, muitos parecem poder continuar incessantemente durante três dias, mas em média, a maioria dos homens ejaculam em 3, 4 ou 5 minutos.
  • Enquanto nos filmes pornôs, as atrizes parecem gozar a todo tempo, 75% das mulheres nunca gozaram.
  • Enquanto em filmes pornôs, estão dispostas a fazerem sexo a três e sexo anal, na vida real, apenas 20% e 40% respectivamente já o fizeram.

Os dados acima revelam algumas possíveis alegações como, por exemplo, ainda há um tabu quanto a exploração do corpo, esse tabu é impulsionado pelas instituições religiosas que possuem grande força na esfera pública brasileira, fazendo com que o debate sobre tais assuntos não seja possível. Além do mais, a relação sexual que é passada durante a cena de um filme pornô é amplamente desconexa da vida real em alguns sentidos, mas conexa com outros como, por exemplo, as relações entre homem e mulher na cama que são passadas para inúmeros jovens. Na maioria dos filmes, mulheres estão sempre submissas e homens são sempre os dominadores, isso faz com que não apenas os homens se curvem a seu próprio narcisismo e esqueçam de satisfazer sua companheira, como também faz com que o mesmo seja pressionado por diversos tabus dentro do universo masculino como, por exemplo, o ato de brochar.

A maioria dos homens já brochou, mas por conta das convenções sociais por trás do universo masculino, ainda não se debate sobre este assunto com alta relevância. Afinal, brochar é algo extremamente normal para todos os lados, atores e atrizes de filme pornô são bem diferentes de pessoas normais enquanto encenam, existem diversos métodos para evitar que tal ato aconteça, mas o que devemos tirar de tal assunto é de que nem sempre estamos preparados para as relações sexuais, logo, é amplamente normal, não “falhar”, mas não estar disposto naquele momento. Ao mesmo tempo que o homem é mostrado como dominador em filmes e o reproduz na vida real, a culpa se algo não sai bem sempre é recai sobre a mulher, como se a mesma fosse responsável pela fisionomia ou organismo do órgão sexual masculino naquele momento, isto é reforçado por aquele velho ditado bastante machista:

Se o homem lhe traiu é porque você não o satisfaz

Podemos constatar que o mundo do sexo é notavelmente repleto das desigualdades encontradas entre os gêneros, mas o que me faz refletir sobre este assunto é que milhares de jovens estão sendo “iniciados” neste mundo através dos filmes pornôs e caseiros encontrados em sites que não precisam de idade mínima, amanhã eles poderão tentar reproduzir tais atos que são vistos em filmes pornôs não apenas quanto ao sexo, mas na forma de lidar com outras mulheres. O Carnaval é um belo campo social para estudar a influência dessas desigualdades encontradas em todas essas instituições, são milhares de casos de assédio sexual que ocorrem a mais nesta época. Assim, podemos constatar que falta a educação sexual nas escolas públicas, mas ela por si só não é suficiente, também há de ser falado sobre as desigualdades de gênero que são visíveis em todas as instituição, senão continuará havendo violência física e simbólica contra a mulher, além da inibição tanto dos desejos SAUDÁVEIS femininos quanto dos masculinos.

Para finalizar, muitos grupos se dividem quanto a Industria do pornô no sentido de ser positivo ou negativo a exibição da mulher nestes casos, porque há a problemática levantada de que mulheres são vendidas e isto é responsável pelas violências físicas e simbólicas que ocorrem, porém, há o outro lado que defende uma tese mais liberal de que a mulher é dona de seu próprio corpo e é responsável pela sua exibição ou não. Este debate não entrarei a fundo, porque prefiro deixar que os grupos que defendem cada lado debatam entre si qual deve ser o melhor para o corpo das mulheres, desde que a liberdade individual não seja interferida, afinal, não há como pregar o libertarismo e empoderamento sendo conservador e autoritário.

Acredito sim que homens também são afetados pelo machismo de uma forma diferente — talvez não seja necessariamente “machismo”, mas usarei esta palavra — , porque há uma série de convenções sociais que impedem que o mesmo faça diversas atividades, citei o ato de brochar acima, mas poderia falar também sobre os ensinamentos de que o homem precisa sempre se relacionar com várias, enquanto a mulher não poderia, citei também acima que os homens devem ser sempre os “dominadores” no ato sexual, fazendo com que sejam inibidos de experimentarem outros tipos de práticas sexuais, a forma de se portar em alguns lugares de encontro, é quase pecaminoso um homem rebolar, por exemplo, em festas. Assim, o filme pornô como uma forma de entrada para o mundo do sexo é algo perigoso, porque o mesmo é repleto de conservadorismo, achismo e mitos que não se preocupam em explorar os corpos das mulheres e dos homens, mas sim apenas reproduzir as desigualdades que são responsáveis por mortes físicas e psicológicas diariamente.


O vídeo abaixo possui alguns outros dados que não trouxe para não estender ainda mais o artigo.


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