Quando seu coração começou a ser tão duro?

Eu conheci meu segundo namorado na mesma companhia de dança que fazíamos parte. Ele era desejável por todas as mulheres daquele espaço e fazer com que este ficasse comigo era uma vitória interna de competição feminina. Desde o nosso primeiro beijo ele dizia a mim que não tínhamos futuro. Não foi honesto de ter continuado mesmo não gostando de mim e por um acaso eu achava que ele poderia mudar de ideia. A maturidade me fez entender que isso é apenas uma fantasia. E assim como ele previu deste o inicio, nosso relacionamento acabou por sua opção. Ele me deu um pé na bunda, fiquei extremamente magoada e assim meu coração se esfriou. Eu tinha 19 anos e ele 26. Ele conseguiu arrumar alguém que o mimasse (juro que este era seu desejo). Eu continuo procurando algo que ainda não sei o que é.
Quando vamos ficando mais velhos, se torna mais difícil de nos jogarmos de cabeça em algum amor novo. Nossos passos são mais minuciosos, mais calculistas e a nossa armadura vai ficando mais forte, pelo menos é isso que achamos. E por fim acabamos mais acomodados em namoros que não possuem nenhuma química ou na solteirice, pulando de galho em galho para não se apegar (afinal, isso vai acabar nos ferrando mais a frente). Certa vez alguém me disse que “se relacionar é difícil”. E como. E também tem tanta coisa para se preocupar, não é mesmo? Contas a pagar, relatório, nascer e morrer que nem as pessoas da sala de jantar. Amar ocupa uma energia e um tempo que vai ficando cada vez mais difícil de simplesmente deixar estar.
Não faz muito tempo que escrevi que inteiramente não me sinto interessada em ninguém por agora. Até sinto amor por algum ou outro, mas é de momento, nada que me ocupa a mente. Há mais ou menos 2 meses atrás meus pensamentos passeavam no que a outra pessoa (na qual me relaciono há um tempo) estaria fazendo naquele segundo. A paixão é química, às vezes faz mal. Já senti dor de estomago, vontade de chorar e uma vontade muito louca de abraçar. Só de abraçar e mais nada. Quando descansei a minha mente, passei a pensar em outras coisas, focar minha energia em outro lugar. Claro que há um grande vazio na mente, algo mais frio, mas como já disse, ter tanto sentimento por tanto tempo não faz bem. Ou pelo menos, pensamos assim.
Nosso coração já foi puro e inocente e vamos endurecendo ao longo das escorregadas que nós escolhemos ter. Claro que tirando os casos extremos, como estupro e abusos, as nossas decepções são frutos de nossas escolhas. Eu escolhi ficar com o garoto que disse para mim deste o inicio que não queria nada comigo. Eu escolhi continuar com alguém que não queria me assumir para ninguém, mesmo namorando. Escolhi me manter com alguém que não me trata bem como eu mereço ser tratada e dá o pouco tempo a mim e espera que esteja satisfeita com isso. Nós escolhemos e isso é uma verdade. E também escolhemos ser felizes no amor ou ficar escondidos no nosso muro para não nos machucar.
Claro que depois de tanto se ralar, acabamos por construir muralhas mais potentes e se protegendo de todo o mal lá fora. Mas, pelo significado da palavra, proteger significa se abrigar, se afastar de algo. Se ao mesmo tempo nos mantemos resguardados, quietinhos em nosso canto, não estamos permitindo que alguém chegue e nos mostre algo diferente do que estamos acostumados, facilitando assim com que esta construa seu próprio muro e assim criando um ciclo de pessoas com receio de se relacionar. E ai todo mundo fica lá, olhando no buraco, com um medo danado de sair por ai e respirar o ar puro do amor.
E se a gente simplesmente parar de esperar que qualquer pessoa te salve de alguma coisa? Ou entender que os sinais estão sempre ali, que a gente não vê porque não quer viver a realidade. Você já se perguntou quando seu coração começou a endurecer? A se decepcionar com mais frequência de pessoas que estão tão machucadas como você? Sim, gente, não somos os únicos que estão duros ou com medo. Todo mundo está. O medo, em algum momento da nossa vida, acaba nos regendo mais que a coragem. E é preciso de muita para amar de boa sem ter receio que no futuro você vai acabar quebrando a cara.
E ai, quando você vai começar a ter?
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Quer algum conselho sobre algum assunto que você não conta nem para seu amigo mais próximo??? Como diria a titia Tetéia no nosso primário, sua dúvida pode ser a dúvida do outro: mande um email para beatrizquadros@yahoo.com.br e eu te ajudo. Aceito sugestões de temas também.

