Quando um escritor escreve sobre escrever

Yann Rodrigues
Jul 25, 2017 · 3 min read
Thought Catalog | Unsplash

Atendendo ao chamado da Revista Subjetiva para esse 25 de Julho, encarei meu Color Note. Apesar de o aplicativo trabalhar por cores para categorias, por um tempo só vi uma folha em branco.

Esse é meu texto de número 92. O que eu tenho para falar sobre escrever? O que mudou nos três anos em que admiti essa ideia na minha vida?

O Medium é uma plataforma ímpar, pelo ambiente repleto de pessoas escritoras e de leitoras vorazes. Com tanta gente escrevendo, proliferam por aqui os textos ensinando como conquistar seguidores, alavancar números, estruturar escritos com fórmulas matadoras.

Quem nunca abriu uma lista com 10 dicas para crescer no Medium ou em qualquer outro lugar?

Então pensei se eu teria alguma coisa para ensinar, ajudar quem está no segundo ou quinto texto, com dúvidas e inseguranças.

Não tenho.

Continuo com receios e ansiedade a cada nova publicação. A cada estudo sobre um filme ou artigo sobre uma questão social, a cada conto, a cada experimento, o dedo se contrai antes de clicar no botão. Supero esses obstáculos cada vez pelo simples hábito que se criou de apertar "Publicar" — ou “Submeter”, nesse caso — , para então repetir o ciclo no próximo e no próximo.

Tenho texto com 25 visualizações, outro com 7 mil, outros que nem posso saber pois a Obvious não divulga. A cada novo artigo, a mesma indefinição permanece. Nunca há uma certeza de grande alcance.

Porém, mesmo com incerteza, com inseguranças, sentindo que não tenho o que ensinar sobre escrever, eu me aproximo do marco 100 cada vez mais realizado por estar aqui, digitando.

Ainda que eu não tenha uma lista das melhores ferramentas para você criar suas histórias, posso compartilhar a minha paixão.

A escrita é uma grande conversa consigo. Uma conversa que já acontece na mente, e vai ganhando força, criando forma, nascendo.

Um texto é uma conversa íntima que se nega a viver reclusa na intimidade. Publicar é falar em voz alta, especialmente para alguém tímido a falar com a boca.

Quando percebo isso, fico feliz de ainda sentir inseguranças. Como não ter dúvidas a cada texto, se toda vez estou me expondo? Divulgando meus pensamentos, medos, minhas falhas?

Talvez, o dia em que eu não sentir qualquer ansiedade antes de publicar, seja o dia em que eu não estou dando voz à minha própria voz. Para quase 100 textos, dá um baita orgulho ver que esse dia não chegou.

Não tenho o que te ensinar, mas se você está nessa mesma missão, te desejo esse mesmo sentimento.

Vale muito a pena.


Este texto faz parte do Especial: Dia do Escritor da Revista Subjetiva, que se inicia no dia 25 de julho.


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Yann Rodrigues

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Revista Subjetiva
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