Racismo institucionalizado em Salvador

Uma das maiores marcas de hotel reforçando o racismo institucionalizado

Apesar de não ter nenhuma propriedade para falar sobre com todos os privilégios de ser branca que eu desfruto desde que nasci, me sinto compelida a interromper por alguns minutos a minha estada nessa terra maravilhosa que é Salvador para denunciar esse cartaz medonho do Ibis Rio Vermelho.

Ontem, quando olhava com espanto ao cartaz na recepção, a recepcionista, mulher negra de meia idade me explicou: "Amanhã é dia da Consciência Negra ai abrimos um espaço para os hóspedes deixarem uma mensagem." 
Por quanto tempo disseminaremos a falácia da democracia racial gilbertiana? Quando que haverá consciência de que dias e ações afirmativas não são privilégio? Quando será enfim reconhecido o genocídio brasileiro, que não é só passado, mas presente no dia-a-dia do jovem negro da periferia (vide os últimos acontecimentos na Cidade de Deus)?
No maior porto negreiro da História do Brasil, cidade com 80% da população negra (Censo 2010) o racismo institucionalizado e "brando" passa despercebido aos olhos de turistas e funcionários que não entendem o sentido do dia da Consciência Negra e toda a sua carga sócio-histórica. Como o velho Marx já nos atentava, a ideologia dominante nos cega disseminando a falsa ideia de igualdade e nos levando ao fácil de discurso de uma "consciência humana". Enfim, Ibis acaba de se juntar ao rol daqueles que frequentam a Parada do Orgulho Hetéro e falam que tem que ter dia do homem também, ou seja, aqueles que simplesmente não entendem a opressão de ser uma minoria.

“Os corpos estão com ferimentos de facas, como se tivessem sido torturados. Parece que encapuzaram as vítimas e começaram a atirar. É ódio gerado por ódio, uma crueldade” (relato ao O Globo sobre os sete corpos de jovens negros hoje encontrados na Cidade de Deus)

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