Relações são a nova gripe do século XXI

Sobre como as relações surgem, se desenvolvem e morrem em menos de uma semana

Lembro como se fosse ontem, o dia que te conheci. Aquela blusa branca e um short bem surrado. Sua tatuagem cadavérica e seu cabelo colorido entregaram sua personalidade jovem, mesmo que a idade física já estivesse avançada.


Mas, onde isso nos levou? Segundo o Dicio, um dos significados da palavra “relação” é:

“Vínculo afetivo”

Essa é a definição mais comum, mas, existe um significado no campo da matemática que é muito pertinente para nossa reflexão:

Em um conjunto, ligação existente entre certos pares de elementos

Quando falamos de conjunto, relação é a ligação que há entre alguns pares de elementos. Também há um significado relacionado ao citado antes: “Condição que liga os valores de duas ou mais grandezas”. A internet não me deixa mentir. Você pode pesquisar e verá que esses significados existem.

Se relação é a ligação que existe entre pares (ou junções maiores do que pares), podemos nos perguntar algumas coisas: como essa relação surge? Como ela se desenvolve? Como ela acaba?


Certamente, você já ficou gripado alguma vez na sua vida. É uma situação chata, meio estranha e nada agradável. Nariz escorrendo, espirros, febre e dor no corpo.

Segundo o pneumologista Mauro Gomes, o ciclo de uma gripe tem quatro estágios principais: o contágio, a instalação do vírus no corpo, a multiplicação, e, em seguida, a reação do corpo até a cura da doença. Vale lembrar que a gripe é causada por um vírus. Além do mais, o vírus da gripe sofre diversas mutações com o passar do tempo, ou seja, o nosso corpo não consegue ficar imune a gripe de uma vez por todas. Isso te lembra algo?

Em poucas palavras, contraímos a gripe tendo contato com outras pessoas infectadas pelo vírus. O período mais propício para que alguém nos contamine é na primeira semana.

O primeiro ciclo da gripe é o contágio e, como aprendemos, ele é feito por meios físicos: proximidade. A segunda etapa é a instalação do vírus no nosso corpo, seguida da terceira, que é a proliferação do vírus. É um processo sorrateiro no começo. Não sentimos alguém chutar a porta da frente, jogar as malas no quarto de hóspedes e pegar uma cerveja na geladeira, na verdade, acordamos em uma bela segunda-feira e encontramos um ser diferente na nossa casa.

Qual a reação dessa coisa louca? Uma grande guerra entre nosso sistema imunológico e o vírus! Laser, sabre de luz, armas de destruição em massa e tudo que sua imaginação permitir.


A realidade não é tão divertida quanto um filme da franquia Star Wars. Segue um vídeo de um glóbulo branco perseguindo uma bactéria:


É na segunda e terceira etapa que começamos a sentir os sintomas da gripe, que faz acontecer a última etapa: a grande guerra dentro do nosso organismo. Essa luta dura, em média, uma semana.

Segundo o pneumologista, as melhores formas de prevenir a gripe são: higiene e vacinação.


O que podemos concluir com isso tudo? Pense que relacionamentos do século XXI são como gripes. Uma pessoa infectada pelo vírus da gripe (portadora de um sentimento maior) entra em contato físico com outra pessoa que, por azar (ou sorte) do destino, acaba sendo infectada também. Essas duas pessoas começam a experimentar os efeitos da gripe — o sentimento do “gostar”. Esse é o ponto que vai definir tudo. Temos duas situações.

A reação mais comum é acionar o sistema imunológico e travar uma grande batalha com o vírus, evitando que ele se multiplique (cresça) e se espalhe pelo corpo (floresça uma grande paixão). Esse ciclo tem consequências devastadoras. Você sabia que a febre nada mais é do que seu corpo aumentando a temperatura interna para matar o vírus da gripe? Todo o desconforto que você sente quando sua testa começa a queimar é causado por alguém que está te ajudando. Podemos ver uma relação clara com os pesares de uma relação chegando ao fim. Aquela ansiedade, frio na barriga e sudorese ao perceber que a pessoa não responde sua mensagem, ou nem mesmo manda um bom dia.

Podemos seguir outro caminho, onde aprendemos a dividir o mesmo espaço com aquele vírus, numa relação de ajuda mútua. Afinal, você pode aprender a conviver com ele e gostar das reações que ele proporciona. Talvez aquele frio na barriga seja um presságio de uma situação boa, ou mesmo aquela ansiedade costumeira ao esperar o seu par que sempre se atrasa.

Afinal de contas, podemos evitar ao máximo a gripe, podemos até conseguir ficar anos sem uma única gripe, mas… Uma hora ou outra vamos nos ver jogados na cama, abraçados por alguém que lutou muito para vencer todas as nossas defesas e estar ali, nos fazendo sentir calor e calafrios.


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