Revista Subjetiva Edição N° 2— Fev/17

Faça o download gratuito e leia offline: http://bit.ly/2l8FfFH

Um dos principais assuntos abordados pela grande mídia e pela mídia independente este mês foi a polêmica privatização da água. Muito além de um serviço, um direito, a água é um privilégio ainda para muitas famílias em todo Brasil, mesmo estatizada, a Central Estadual de Água e Esgoto (CEDAE) encontra dificuldades para atingir as regiões mais pobres do Estado do Rio de Janeiro, elas se encontram a mercê de água não tratada, trazendo riscos a saúde de crianças, adultos e idosos. Além do mais, não apenas a água é um direito, o saneamento básico também é outro direito básico caro as populações mais pobres que não possuem o mesmo, é possível ver esgoto a céu aberto nas regiões das localidades mais turísticas do Rio de Janeiro e outras cidades, principalmente no interior.

A polêmica veio a tona como parte do programa de renegociação da divida dos Estados planejado pelo governo interino de Michel Temer (PMDB), o mesmo propõe aos Estados que para ganhar verba da Federação eles terão que privatizar companhias, assim, conseguirão empréstimos para quitas suas dívidas. A problemática é que não há certeza de que vai poder ser liberado o dinheiro, porque o projeto não foi votado na Câmara dos Deputados Federais, o dinheiro cotado para o Rio é de 3,5 bilhões, sendo que o rombo do Estado passa dos 21 milhões, além do mais, ao contrário do que se fala, a CEDAE é uma empresa que rende cerca de 1 bilhão por mês e possui projetos como a tarifa social, que ajuda famílias mais pobres.

Assim, nos posicionamos contra esta medida e a trazemos para nossa capa este mês porque acreditamos que um direito não deve ser um serviço, além do mais, também acreditamos que a privatização vai dificultar a acessibilidade à água e ao saneamento básico ainda mais para as regiões mais pobres, pois as mesmas não terão como contribuir com altos valores como aqueles que moram nas regiões mais disputadas pela Elite e pela classe média carioca. Deixamos nosso apelo a sociedade civil para que não desistamos de coletivizar a água e tê-la enfim não como um serviço, onde quem possui mais, tem mais, mas sim como um direito básico comum a todos.

Água não é mercadoria, água é vida!


Sobre a Revista Subjetiva

Somos uma publicação com o intuito de trazer mostrar aquilo que a grande mídia não mostra, um conteúdo diversificado e que faça o leitor questionar, debater e refletir. A Revista surge como um novo canal de mídia, formado apenas por amigos, mas com o seu crescimento, sua expansão é inevitável.

Nosso conteúdo não se limita apenas a notícias, mas sim a trazer todo um aparato literário que faça o leitor refletir, por isso privilegiamos as poesias e as crônicas, porque são leituras simples e com uma infinidade de perspectivas a serem vistas, cada qual com sua riqueza.

Esperamos que vocês, leitores e leitoras, possam crescer intelectualmente juntamente com nós, não só isso, mas queremos que vocês dividam sua experiência conosco e ajudem colaborando com a Subjetiva, a revista que se compromete com o leitor, não com os interesses das grandes corporações.



Download gratuito já disponível

Buscando atender ao maior número possível de leitores, disponibilizamos uma versão offline onde você poderá ler aonde você quiser, seja no tablet, no seu leitor de e-book, no seu celular, em qualquer lugar:


  • POLÍTICA

Porque sentimos a necessidade de premiar tudo aquilo que achamos conveniente? (05/02/2017)

Por Lucas Machado

Ao fim da noite, esta rede social a qual escrevo me manda uma mensagem dizendo qual foi o melhor texto do dia, mas afinal, porque apenas um texto é considerado o melhor do dia e não todos?

Pensemos bem, a escrita não é algo muito explorado pelos brasileiros no geral, entre os motivos estão o péssimo acesso aos serviços básicos como, por exemplo, Educação, Saúde, Saneamento básico, dentre outros. Além do mais, a leitura em si não é algo culturalmente inscrito na sociedade brasileira, vide que os brasileiros anualmente leem 2,1 livros por ano, por mais que sejamos 50% de leitores — 88,2 milhões — , não conseguimos atingir uma diversidade quanto a leitura, sendo a Bíblia o livro mais lido atualmente no Brasil.

Não há nada de errado em ler a Bíblia, sua literatura é rica e cheia de interpretações, o principal problema é quem as interpreta e não quem as lê. Quem as lê está fazendo seu papel fundamental adquirindo um certo conhecimento, a valorização deste conhecimento depende muito do meio onde ele é difundido. Resumindo, a leitura da Bíblia não é algo prejudicial em si, mas a falta de contrapontos a este pensamento que se torna um monopólio em muitas famílias brasileiras.

Dado esta breve introdução, o ponto principal deste breve texto é encorajar e incentivar a todos que escrevem ou não, mas que se propõem a dividir seu conhecimento, sua subjetividade. O melhor texto do dia são todos os textos que são escritos, não pensem que é fácil ir até a tela do computador, pensar em um ideia, fundamentar em uma ideia, fazer uma série de pesquisas sobre um determinado tema e escrever.

Um dos meus primeiros textos se chama ‘Escrever ainda é um privilégio’, nele, minha proposta principal era contar um relato bastante pessoal meu, onde meus avós, que nunca estiveram dentro de uma escola, queriam escrever uma carta para minha irmã ver no futuro, vide que ela possui 9 meses e eles já estão na fase final do ciclo da vida — e isto não é ruim. A questão é que eles possuem vergonha de não saber escrever em tom formal, isto me tocou de maneira profunda, porque conheço pessoas que não se arriscam a escrever e a sentir um dos melhores sentimentos da vida, que é criar, por conta do medo.

O temor de não ser aceito esta presente em todos os locais a qual convivemos, ele é presente desde o nosso sono até os menores detalhes de nosso dia, mas não quero entrar no mérito de fazer com que não sintamos medo, ele é fundamental na construção e na projeção de um progresso individual e pessoal. Mas, por conta desse medo, deixamos de fazer com que outras pessoas se sintam encorajadas, não que tenhamos responsabilidade alguma, mas a troca e a convivência são formas fundamentais de viver.

Assim, gostaria de deixar meu recado final, onde quero que todos se sintam estimulados a escrever, por mais que este site não nos premiem, nós nos premiaremos, até porque quem deve avaliar se um texto é bom ou não, em primeiro lugar, somos nós mesmos. Por mais que existam problemas quanto ao filtro das redes sociais, que nos impede de acessar os melhores textos da vida, aliás, vocês já pararam para pensar que podemos estar deixando de ler textos que podem mudar a nossa vida por causa de um filtro? Que nos impede de ter as mais diversas experiências e nos tranca em uma bolha, pois é, mas este assunto é para outro texto. Por fim, quero salientar que cada qual com sua escrita, subjetividade e motivações se tornam especiais por se arriscarem.

Mas e você, está esperando o que para escrever o melhor texto de sua vida?

Alexandre de Moraes e a Nuvem no céu (08/02/2017)

Por Daniel Henrique da Mota

A indicação de Alexandre de Moraes à ministro do STF não me caiu como um raio em dia de céu azul. Era algo, por mim, absolutamente esperado. Não me levem a mal, Moraes é um dos piores nomes possíveis para quem se considera de esquerda e respeita o Estado Democrático de Direito. E, no entanto, a indicação tanto ao Supremo quanto ao Ministério da Justiça dessa figura execrável, apenas nos evidenciou que o nosso Presidente 43 vezes citado na Lista da Odebrecht conhece muito bem o jogo do poder em nosso atual sistema nem tão-democrático. Uma elite que conhece os mecanismos de sua manutenção, não é como raio em céu azul, mas como nuvens no horizonte.

Antes de entrar na pasta da Justiça, o menor dos seus defeitos era ser tucano. Advogado do PCC e ex-advogado de Cunha (PMDB-RJ), quando esteve à frente da secretaria de segurança de São Paulo demonstrou a faceta repressiva do governo Alckmin (PSDB-SP), o qual tratou movimentos sociais como caso de polícia. Perto disso, ser acusado de defender tortura em sala de aula é apenas um adendo ao currículo.

Quando Temer anunciou a absorção da secretaria de Direitos Humanos pelo Ministério da Justiça e a nomeação de Moraes para ministro da pasta, todos já previam a mudança no clima. De fato, Alexandre não nos desapontou, foi até além de nossas vãs expectativas. Suas ações repressivas, agora com o respaldo da lei antiterror — aprovada por Dilma (PT) e que só serviu para prender alguns jovens muçulmanos — , deixou de joelhos movimentos sociais. Seu completo descaso pela FUNAI também pareceu intensificar os problemas que a gestão anterior já tinha. Mas ao ser filmado cortando pé de maconha no Paraguai como parte de um projeto de controle do comércio e circulação de drogas, Moraes atingiu patamares tragicômicos, que só poderiam ser rivalizado pela sua também declaração de que o Ministério da Justiça deveria investir menos em pesquisa e mais em armas. Suas frases já nos permitiriam antever o despreparo do Ministro ao tratar a crise carcerária, negando pedido de ajuda a governadora Suely Campos (PP), de Roraima. O que dizer, ele age pela força com os seus e nunca pelo diálogo.

Entretanto, do ponto de vista político, a escolha do governo foi duplamente boa. Primeiro, quando o escolheu Ministro da Justiça, depois ao indicá-lo a Ministro do Supremo. Vejamos o porquê.

O Ministério da Justiça é um dos mais importantes cargos de nossa República. Dentre suas múltiplas funções, foquemos em duas: a política judiciária e a política sobre segurança pública, com as respectivas funções de Polícia Federal e Rodoviária. O poder de repressão e sanção deste Ministério lhe dá um caráter político relevante.

De fato, ao longo da história, o seu caráter repressivo foi contrabalanceado com outra tendência. Sendo um cargo de muita confiança, muitos foram os ministros que estiveram ali para consolidar a base política do Presidente da República. Nomes como Abelardo Jurema, Tancredo Neves ou Petrônio Portela são claros indicativos desta tendência. Por outro lado, em momentos de insulamento do governo essa pasta emergiu ainda mais poderosa, como no caso da Ditadura Militar (1964–85). Seus ministros puseram abaixo com sucessivos atos institucionais a Constituição e subordinaram os demais poderes ao Executivo. Censura, cassação de políticos, limitação de seu tempo de televisão, aposentadoria compulsória dos Ministros do Supremo que faziam oposição aguerrida a Ditadura, tudo mostrou o poder a que essa pasta poderia vir a ter.

Felizmente, as espessas nuvens de outrora se dissiparam. Ao Sol da democracia, uma nova vida associativa pôde florir nas últimas décadas. Todavia, a ascensão do governo Temer por meio de um impeachment de interesses políticos claros na queda de uma presidenta eleita com a ajuda dos movimentos populares, levanta uma situação semelhante à que ocorreu neste passado. Aqui também, a função do ministro da Justiça precisaria ter força para conter os movimentos populares que viessem a fazer oposição a um governo de base social frágil.

Mesmo em 64, porém, a ordem política não foi rasgada em uma única machadada. Membros da UDN e do PSD ajudaram a compor o governo do “moderado” Castelo Branco. Em situação de golpe institucional, onde as instituições continuam funcionando com estabilidade democrática, Moraes, como tucano, serviu para compor a articulação política do governo Temer. Articulação essa que sepultou o PT e colocou as forças progressistas no canto mais recôndito do nosso Legislativo.

Portanto, força e consenso — mais o primeiro que o último — foi o que tornaram Moraes um nome politicamente qualificado para o cargo do Executivo.

Para compreender o outro cargo é preciso verificarmos a ascensão do poder Judiciário ao centro do palco político. Tal poder ganha centralidade na ordem democrática estabelecida em 88, uma vez que nossa Constituição extensa faz com que todas as questões que afetem direitos e mudem a organização do Estado tornem-se passíveis de serem contestadas à luz da Carta Magna. E o STF, enquanto guardião da Constituição, se torna o centro desse novo cenário de disputas políticas.

Eis que então, faleceu tragicamente Teori, um homem técnico e respeitado, e voltamos a nos lembrar das ligações políticas entre os três poderes. Vale lembrar que a primeira pessoa a defender uma possível indicação do Ministro da Justiça foi um ministro do STF, Marco Aurélio Mello. Aqui, Mello é um nome importante, pois não por coincidência é o mesmo sobrenome do presidente que o indicou ao cargo: Fernando Collor de Mello, seu primo.

Antes, portanto, da surpresa com um nome político ao STF é importante que percebamos que as indicações de ministros por muitas vezes seguiram a interesses políticos declarados. Collor escolheu alguém que pudesse auxiliá-lo em caso do rito de impeachment. FHC indicou o seu também Ministro da Justiça, Nelson Jobim, para a Corte Suprema, com o intuito de ter um homem capaz de assegurar que as emendas constitucionais que procurou fazer em sua reforma do Estado não viessem a ser impedidas. Dias Toffoli também tinha forte ligação com o PT e foi indicado a corte em contexto de instabilidade política, derivado do processo do “mensalão”.

Nos últimos anos, o Supremo Tribunal ganhou maior destaque em decisões políticas, devido a incapacidade de se avançar com pautas tanto pela via do Legislativo, quanto do Executivo. Avançar pelo Judiciário se tornou uma grande forma de garantir os interesses dos partidos políticos, ainda mais devido ao poder individual que cada ministro carrega na corte. Diego Werneck, professor da FGV-Rio, especialista no STF, defende que um único Ministro tem incentivos para agir de maneira ilimitada, como se ao invés de um homem estivéssemos diante de uma legião. Isso ocorre porque eles podem travar julgamentos por meses com o pedido de vista, como ocorreu no caso do julgamento do financiamento empresarial de campanha, em que Mendes pediu vista por um ano, enquanto esperava a reforma política; suas opiniões prévias na mídia podem influenciar o andamento de um julgamento, como as opiniões de Marco Aurélio sobre o que deveria ser feito com José Sarney; e ainda, um relator, sendo aquele que conduz o processo, pode decidir nunca pautá-lo, emperrando decisões constitucionais importantes.

A politização do Judiciário não é, portanto, atributo exclusivo de Moraes. Ele apenas nos revelou, de maneira clara, os elos entre os poderes da Nova República. E, com isso, nos permitiu enxergar em primeira mão os mecanismos usados pela Elite do Poder para garantir sua dominação. Hoje, o homem que age pela força está a um passo de entrar no Poder menos representativo, mais blindado ao povo. A articulação de forças ainda não está consolidada, ainda é possível desbaratá-la e dissipar as nuvens. Mas é preciso agir para vermos o Sol e não outra tempestade.

Temer não teme a impopularidade (13/02/2017)

Por Tulio Tavares

Certa vez, li uma postagem em que um publicitário aconselhava o presidente da seguinte forma:

Aproveita a impopularidade e aprova tudo o que você quiser.

E não é que ele está fazendo isso? A questão é que, diferente da maioria dos políticos tradicionais, Temer (PMDB) não foi eleito para seu cargo de presidente, e, não teve o apoio da oposição ao PT — do segundo governo Dilma — para engrandecer a si mesmo. Lembro-me que certa vez, antes do impeachment de Dilma Roussef (PT), Michel ainda Vice Presidente, reclamou que estaria sendo um Vice “decorativo”. Pois bem, parece que agora ele se tornou um Presidente “decorativo”, que consegue chegar no posto que está em nome de anseios de uma Elite, portanto, não possui medo de se sujar e/ou de ser desaprovado por todos/as.

O PMDB de Temer passa também a ser decorativo, sendo usado pelos Partidos “amiguinhos”. Embora tal situação suje ainda mais os políticos profissionais e a crença da sociedade civil nestes, a democracia tem uma obrigação explícita no Brasil: Ter que votar. Isso faz com que a maioria não vote em Temer? Talvez. Mas leva um bom número a ter que ouvir e ver candidatos que estiveram por trás das medidas de Temer. Ufa, menos mal, né? Deu pra manter a imagem, alguém sujou a sua por todos, já é muita coisa — Aécio manda beijos. O próprio Temer está emocionado, parece um milagre para ele, tanta aprovação de projetos de lei de direto impacto na sociedade em tão pouco tempo. Tudo o que a classe dominante quer feito de uma só vez.

O que o atual presidente e os políticos, especificamente de Brasília, não percebem — ou ignoram, como bem lembra o historiador Leandro Karnal (Unicamp-SP), é que a insatisfação é uma realidade estrutural no país que lembra muito um desgosto também percebido, além de uma elite também incontrolável, na França que levou a famosa Revolução Francesa (1879) e a Revolução Russa (1917).

Que a Força esteja contra a burocracia! (19/02/2017)

Por Enrique Janoário Soares

Desde que a operação Lava Jato ganhou força — a única notícia que pode ser publicada segundo a mídia brasileira — , vemos um judiciário acima do bem e do mal, de modo particular, nossa Suprema Corte. Com os nossos dois poderes gangrenados pela pela corrupção, o terceiro pode ser considerado como a chave da construção do Brasil de amanhã.

Nesta semana o Ministro Barroso propôs a seus colegas restringir o foro privilegiado, diante do caso prefeito de Cabo Frio, Marquinhos Mendes (PMDB-RJ), acusado da compra de votos em 2008, e, que posteriormente assumiu como Deputado Federal — essa condição levou o caso ao STF, Tribunal onde Deputados Federais e Senadores têm foro. Aproveitando a oportunidade, o relator da Lava Jato, Ministro Edson Fachin, opinou a favor da proposta, pois, segundo ele, o foro fere os princípios republicanos, fundamentos da nossa estrutura constitucional.

Se aprovada, a medida viria em boa hora, e de certo modo, um pouco tarde. O “jeitinho brasileiro”, nossa moral de desprezo ao trabalho, entre outros, são fatores que diariamente atrasam o progresso individual e nacional sim. No entanto, o que mais nos atrasa é a burocracia que acaricia os poderosos e muitas vezes atrasa e até priva a população como um todo de seus direitos.

O STF que esse ano se mostrou indiferente a muitas vontades e desejos nacionais para fazer politicagem, dá uma nova força a Lava Jato, cujo julgamento e punição dos culpados é um direito da sociedade e um dever jurado pelos magistrados.

Desafogar o STF é uma medida que abre espaços para outras questões que permeiam a vida social. O judiciário precisa se oxigenar. O brasileiro precisa de um Estado inteligente, dos nossos três poderes com raciocínio apurado e sensibilidade ativa.

A quem interessa a privatização da água? (20/02/2017)

Por Lucas Machado

A crise que assombra o Estado do Rio de Janeiro há quase um ano tomou proporções inimagináveis, após um encontro com Michel Temer (PMDB-SP), Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ) entrou em acordo com o mesmo para dar início a uma série de medidas que, na teoria, fariam com que o Governo do Estado do Rio de Janeiro conseguisse um empréstimo com a Federação para conseguir sair da crise criada pelo seu próprio governo.

Além do ajuste a contribuição dos servidores, a privatização da CEDAE — responsável pela água e pelo esgoto do Estado — foi uma das exigências do Governo Federal para a liberação de 3,5 bilhões de reais para o Estado do Rio de Janeiro. Entretanto, esse dinheiro oferecido por Michel Temer a Luiz Fernando Pezão não paga dois meses do salário dos servidores. O rombo dos cofres públicos do Estado chega a 21,5 bilhões, porém, o mesmo quer dar a iniciativa privada uma empresa que lucra 1 bilhão por ano.

O que não se compreende é porque Luiz Fernando Pezão não cobra as empresas que possuem cerca de 66 bilhões de isenção fiscal, o mesmo ainda se encontra em um processo de impeachment protocolado por Marcelo Freixo (PSOL-RJ), e o crime a qual Pezão é acusado, é de responsabilidade fiscal, o mesmo que foi responsável por caçar o mandato da Presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016.

A água é mais do que apenas um serviço, é um direito de todos os cidadãos contribuintes ou não, é um serviço básico e essencial. Além do mais, as áreas mais pobres da cidade já sofrem fortemente com a falta de saneamento básico. Os moradores da Rocinha, por exemplo, buscam há mais de 50 anos pelo serviço, já lhes foi oferecido um teleférico através do programa PAC, mas o saneamento básico ainda está longe de ser oferecido aos mesmos por conta da negociata de gestão após gestão do Governo do Estado.

O Brasil é um dos países com o maior número de água potável por metro quadrado do mundo, isto não é novidade para ninguém, os interesses de grandes multinacionais em nossos aquíferos não vem de hoje, porém, a privatização da CEDAE abre precedentes para a negociata da água à nível Nacional. Um desses projetos que vem sendo enviesado através do PPI e tramitado na Câmara é a possível venda do Aquífero Guarani, o mesmo possui cerca de 1,2 milhão de km² e é um dos maiores do mundo, sendo responsável por fornecer água a milhões de pessoas.

Peter Brabeck-Letmathe é um dos interessados na privatização da água, o mesmo é responsável pelo grupo que administra a multinacional Nestlé, que é responsável por produtos dos mais variados seguimentos, inclusive por água mineral engarrafada. Além do mais, o austríaco é responsável por financiar grupos de extrema direita ao redor do mundo, e, também é responsável por discursar em prol da transformação e da mercantilização da água em um serviço onde quem possui mais, tem o direito de usufruir mais da água, quem possui menos, fica sem usufruir do serviço.

Seguindo nesta linha de pensamento, o serviço de água não chega a todos de forma igual, são denunciados diariamente casos onde o serviço não chega a lares em regiões distantes da Elite econômica. Logo, a privatização da CEDAE e do Aquífero Guarani fará com que não apenas percamos um serviço essencial para todos em detrimento dos interesses dos poderosos, como também não conseguirá pagar nem dois meses da folha de pagamento dos servidores estaduais e, por consequência, não se dará continuidade a programas e projetos sociais que abrangem as populações mais pobres.

Indignados, servidores e movimentos sociais foram as ruas protestar contra esta reforma anti-povo, porém, como sempre, foram recebidos com a truculência da Polícia Militar do Rio de Janeiro, fazendo com que todo o processo democrático, mas frágil, que foi construído e pensado a partir da Constituição de 1988 — conhecida como “Constituição Cidadã” — fosse orçada por água abaixo — literalmente. Cada vez mais, vemos que a distância entre as vozes autoritárias do governo e as vozes daqueles que elegeram este mesmo governo aumenta cada vez mais.

Há quem diga que não vivemos em uma Ditadura, mas serei ousado ao afirmar que vivemos sim, porque democracia não se faz de cima para baixo, mas sim com consenso, ou melhor, com responsividade e garantia de direitos. Não há forma alguma da população ser ouvida, não há intenção de sermos ouvidos enquanto participantes deste regime. Assim, só me resta desejar que criemos novas formas de resistência, porque os poderosos não hão de dialogar conosco jamais, como nunca o fizeram.

Ser Mulher no Carnaval (24/02/2017)

Por Mayra Chomski

Em algumas horas começa oficialmente uma das maiores festas populares do Brasil, o Carnaval. São cinco dias de diversão paga ou gratuita nas ruas, onde milhões de pessoas mais diferentes possíveis se divertem juntas, brasileiros e estrangeiros; ricos e pobres; adultos e crianças; homens e mulheres; héteros ou LGBTs; cisgêneros ou transgêneros.

Na teoria, o carnaval é maravilhoso para esse últimos grupos de pessoas que foram citadas acima, mas quando você é mulher, esta festa perde um pouco de seu encanto devido à sociedade patriarcal que vivemos, e, provavelmente terá que aturar muito, mas muito assédio. Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Data Popular em 2016, foram denunciados 1.901 casos de violência física e 279 agressões psicológicas durante o carnaval de 2016. Há também denuncias de cárcere privado, onde mulheres durante os dias de carnaval são proibidas e trancadas em suas próprias casas pelos seus parceiros, pois para esses homens, uma mulher que sai durante o carnaval é “vadia”, pois para 49%, os festejos de rua não são lugares para “mulheres direitas”. E para 61% deles, a mulher que estiver solteira não pode reclamar do assédio, pois na lógica deles, a mulher solteira está lá para servi-los e a mulher que esta acompanhada de outro homem só ganha o respeito por estar acompanha, pois se ela estivesse sozinha, seria obrigada a aceitar os elogios e ainda dar um sorriso sinalizando de como esta “grata”.

Todos esses números nos mostram como o machismo é naturalizado, como que puxar o cabelo ou o braço de uma mulher é normal, e que ela é obrigada a aceitar essa agressão calada, mas se não ficar calada, será agredida verbalmente e até fisicamente. Para essa sociedade machista, nós mulheres que pulamos carnaval, estamos pedindo que nos agarrem, que nos beijem, mas não queremos isso, o que queremos é nos divertir, e, se quisermos beijar alguém, não será com alguém nos machucando — fisicamente ou psicologicamente — , será com alguém que nos tratara com respeito que qualquer um merece, não só nós mulheres.

Mulheres cansadas do assedio se juntaram e criaram duas campanhas, primeiro o ‘Carnaval Sem Assédio’, onde o objetivo é mostrar que paquerar, beijar e se divertir faz parte da folia, mas é preciso acatar uma condição fácil de entender que é respeitar a condição das mulheres. E a segunda é ‘Minas De Vermelho’, onde convidam mulheres e simpatizantes da causa a usar uma faixa vermelha no braço, assim, se alguma mulher precisar de ajuda e ela te ver, sabe que terá alguém para ajuda-la.

Mesmo com essas campanhas super ativas na internet, mais uma mulher foi vitima do assedio recentemente, este caso aconteceu no pré-carnaval de São Paulo, dia 18 de fevereiro de 2017. Carolina Froes foi agredida verbalmente e fisicamente quando estava deixando o bloco ‘Casa Comigo’. Segundo Carolina, o agressor chegou agarrando-a por trás e a despiu, ela tentou lutar, mas o homem era o dobro de seu tamanho. Quando começou a briga, se abriu uma roda, e em vez das pessoas ajudarem, ficaram olhando e não fizeram nada, enquanto era agredida e gritava para chamarem a policia. Quando começaram a querer separar a briga, em vez de segurar o agressor, seguraram-na e o homem fugiu livremente.

Como mulher que ama carnaval, a cada relato de assedio, sempre penso milhões de vezes se quero sair mesmo, sabendo que se sair estarei a mercê de homens que foram educados a achar que mulher deve servi-lo. Mas quando me vem à cabeça que é melhor ficar em casa, nos últimos dias penso demais na frase que Carolina escreveu no seu relato:

Amo o carnaval. O que aconteceu comigo no sábado não é carnaval. O que aconteceu comigo no sábado é abuso, é assédio, é agressão, é violência.

O que Carolina quis dizer é que carnaval é alegria, diversão, beijo na boca, sexo (seguro), amor, purpurina, fantasias e, principalmente, tudo com consenso. Meu desejo é que neste carnaval todos se divirtam, mas sempre respeitando o próximo, é preciso entender de uma vez por todas que NÃO É NÃO e que, se a mulher estiver bêbada, passando mal ou qualquer outra situação que a deixe vulnerável, não se aproveite da situação.

Espero que todas nós possamos nos divertir muito, e, lembrem que a nossa presença na rua sempre será de resistência, afinal, somos mulheres desafiando o machismo diariamente no simples ato de ir trabalhar ou estudar, por exemplo. Se infelizmente sofrer alguma agressão — qualquer uma delas — não ache que é coisa da sua cabeça, ela existe. Denuncie, grite, não se cale, mas se não puder denunciar, peça ajuda a alguma mulher próxima. Sempre será nós por nós, somente unidas poderemos fazer a nossa revolução no Carnaval e em nossas vidas.

As denuncias podem ser feitas através do Ligue 180, que é a Central de Atendimento a Mulher em Situação de Violência.

Muito mais que apenas Carnaval (25/02/2017)

Por Tulio Tavares

O Carnaval é um ato de diversão e também de protesto. Fantasias como máscaras do presidente eleito nos Estados Unidos, Donald Trump, do ex-Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e sua mulher, Adriana Ancelmo, além do empresário Eike Batista, esses são exemplos de diversão que se misturam ao protesto. Além da demonstração direta do descontentamento político em blocos cujo nome é “Fora Temer”, outras festas de rua também gritam a mesma palavra de ordem, embora não sejam voltados especificamente para tal finalidade.

Muitos que comprar a máscara com o rosto de Donald Trump, por exemplo, afirmam que a ideia é de assustar o impacto das ações do Presidente da maior Nação do mundo. Já as máscaras e até uniformes de penitenciários sã uma maneira de demonstrar o sentimento de justiça ou vingança, que não entrarei no âmbito no caso de Eike, Cabral e Ancelmo.

Mas o carnaval vai muito além de tudo isso, retratando os blocos, shows, encontros musicais e de fantasias, percebemos nessa festa que a diversão acontece desde a primeira hora do dia até a última. Se sai daquele mérito de baladas e shows que costumam acontecer entre o turno da noite e o da madrugada. Além de ser gratuito, o Carnaval também traz protestos indiretos, ou seja, aqueles que não percebemos. A cidade é tomada de gente, as cidades ficam voltadas para as pessoas, e, não esqueçamos, memes e gifs ao vivo e a cores nessa época do ano.

O homem precisa manter certa postura para manter respeito e autoridade em seu grupo social, esse mesmo homem oprime quem não faz o mesmo, ou seja, afeminados, homens “sérios”, dentre outros. Mas muitas vezes as ações desse mesmo é, como já citado, para que uma autoridade seja posta, além de uma busca direta por um prestígio inabalável, tão importante e fundamental para todos nós segundo Max Weber (Sociólogo, Economista e Jurista, 1864–1920). No carnaval, a autoridade não é abalada, muito menos o prestígio, é normal ser diferente e não agir conforme a masculinidade demanda durante todo o restante do ano. Portanto, fantasias e atitudes nada “másculas” são comuns para quem no fundo queria muito fazer e viver sem ser pressionado de todas as formas e jeitos que demonstra. É a descoberta do lado feminino que todos os homens têm, como diz Gilberto Gil na música ‘Super Homem’

Quem sai de casa parecendo Patati e Patatá? (famosos palhaços entre o público infantil atual). Sempre tem aquela exceção, né? Uma maioria prefere manter os trajes da moda, o convencional, do que um para chamar a atenção, que não seja de maneira “negativa”. No Carnaval não, negativo é positivo. Portanto, aquela roupa que você só usa no Carnaval, ou que até acha bonita de usar fora do mesmo, mas não é vista dessa maneira pela maioria. Até uma maneira de viver mais levemente o dia. Quem sai fantasiado se não for carnaval ou festa a fantasia? Quem com os amigos dentro de um transporte público — não sendo secundarista — canta e dança indo para uma atividade que não seja um evento de espetáculos e diversão como o Carnaval ou um grande show?

Portanto, o Carnaval é uma festa de protestos. Direto e indireto. Subjetivo e objetivo. Consciente e inconsciente. Do mundo e sua realidade. Do nosso mundo e de atitudes que por medo ou falta de crítica, nunca tentamos ou desistimos de mudar. Deixo uma indagação final:

Se ser feliz é não ser o tempo todo, então, não ter o Carnaval o ano inteiro é ter Carnaval em fevereiro?


  • CRÔNICA

O amor de Ninguém (08/02/2017)

Por Enrique Janoário Soares

Homem calvo, altura 1,75m, os pretos como a maioria, na postura ou nas vestes nada que o destacasse de qualquer brasileiro.

O fato era que ele acabara de sair do serviço, os relógios marcavam quinze para sete, o sol já se punha, mas o céu ainda não estava completamente escuro e aquele homem ali a mexer na areia. Se alguém estranhasse seus gestos poucos socialmente aceito para sua idade, ele se apresentaria como sem nome, um ninguém, pois nem zé ele queria ter a sua personalidade.

As imagens do Ninguém, pareciam um diálogo, entretanto não havia palavras, embora saibamos que figuras assim conversam por osmose, um elo mudo e substancial. Contudo não se podia atestar nenhuma expressão, um olhar ou lapso de sentimento.

Ninguém apenas estava na areia, pelo chão, pela terra, a superfície, pois o sonho é uma das poucas coisas que se embeleza quando perde sua natureza original. Ele estava na areia pela ética da areia perante o mar, pois o ceticismo é como a exposição ao sol, precisa de horário.

Ele não olhava para o mar, pelo contrário, o esnobava. Estranhamente ele estava ali pela areia. Provavelmente eram irmãos de caráter.

Ele mentira uma vida…

Espere, a cicatriz que ele tem no braço é a minha, quando caíra nos meus sete anos; os olhos são castanhos como os meus, verdes como os seus, azuis como os seus… Ele tem minha carteira de identidade, a sua carteira de identidade, até a namorada que eu não tenho ele não tem, a amante que você tem ele também tem.

Ele mentira a nossas mentiras, disse que amava, mas o que ele queria era a satisfação, o gozo, a segurança, a veneração… É totalmente possível trair o ser amado com o amor.


  • PARA PENSAR

Porque o pornô é a pior porta de entrada para o sexo? (21/02/2017)

Por Lucas Machado

Em meio a turbulência que estamos vivendo atualmente no Brasil, falar sobre a Industria do pornô parece algo fora de época, mas calma, tudo está conectado pelos detalhes que passam desapercebidos.

O filme pornô é a entrada para o sexo entre muitos jovens, principalmente no Brasil, onde há uma falta de ensino e de orientação sobre a prática sexual para homens e mulheres nas escolas. Não é difícil visualizar esses dados no Brasil, país onde ainda é tabu, por exemplo, as mulheres se masturbarem. Assim, como o sexo ainda é um tabu na maioria dos lares brasileiros, se tornando proibido e pecaminoso para uns, assistir um filme pornô ou caseiro nos mais variados sites se torna uma espécie de entretenimento para o jovem, além de significar também uma conexão com a vida adulta.

Na falta do ensino, a educação que é passada para milhares de pessoas que não possuem experiência na prática do sexo é vista em filmes eróticos, porém, existem diversos dados que separam o sexo encenado da vida real que muitas das vezes não são levados em consideração, vejamos alguns deles:

  • O pênis de atores pornôs tem em média de 16 a 23 centímetros, a média mundial é entre 13 a 18 centímetros. A média do pênis de um brasileiro está em 14 centímetros.
  • Enquanto a maioria dos atores e atrizes pornôs costumam ter poucos pelos genitais, em média, 65% das mulheres e 85% dos homens possui bastante.
  • Para entrar no clímax, a média é de 10 a 12 minutos, já em filmes pornôs, os atores e atrizes estão sempre no clímax a qualquer momento.
  • Atores pornôs nunca broxam e também dificilmente ejaculam com facilidade, muitos parecem poder continuar incessantemente durante três dias, mas em média, a maioria dos homens ejaculam em 3, 4 ou 5 minutos.
  • Enquanto nos filmes pornôs, as atrizes parecem gozar a todo tempo, 75% das mulheres nunca gozaram.
  • Enquanto em filmes pornôs, estão dispostas a fazerem sexo a três e sexo anal, na vida real, apenas 20% e 40% respectivamente já o fizeram.

Os dados acima revelam algumas possíveis alegações como, por exemplo, ainda há um tabu quanto a exploração do corpo, esse tabu é impulsionado pelas instituições religiosas que possuem grande força na esfera pública brasileira, fazendo com que o debate sobre tais assuntos não seja possível. Além do mais, a relação sexual que é passada durante a cena de um filme pornô é amplamente desconexa da vida real em alguns sentidos, mas conexa com outros como, por exemplo, as relações entre homem e mulher na cama que são passadas para inúmeros jovens. Na maioria dos filmes, mulheres estão sempre submissas e homens são sempre os dominadores, isso faz com que não apenas os homens se curvem a seu próprio narcisismo e esqueçam de satisfazer sua companheira, como também faz com que o mesmo seja pressionado por diversos tabus dentro do universo masculino como, por exemplo, o ato de brochar.

A maioria dos homens já brochou, mas por conta das convenções sociais por trás do universo masculino, ainda não se debate sobre este assunto com alta relevância. Afinal, brochar é algo extremamente normal para todos os lados, atores e atrizes de filme pornô são bem diferentes de pessoas normais enquanto encenam, existem diversos métodos para evitar que tal ato aconteça, mas o que devemos tirar de tal assunto é de que nem sempre estamos preparados para as relações sexuais, logo, é amplamente normal, não “falhar”, mas não estar disposto naquele momento. Ao mesmo tempo que o homem é mostrado como dominador em filmes e o reproduz na vida real, a culpa se algo não sai bem sempre é recai sobre a mulher, como se a mesma fosse responsável pela fisionomia ou organismo do órgão sexual masculino naquele momento, isto é reforçado por aquele velho ditado bastante machista:

Se o homem lhe traiu é porque você não o satisfaz

Podemos constatar que o mundo do sexo é notavelmente repleto das desigualdades encontradas entre os gêneros, mas o que me faz refletir sobre este assunto é que milhares de jovens estão sendo “iniciados” neste mundo através dos filmes pornôs e caseiros encontrados em sites que não precisam de idade mínima, amanhã eles poderão tentar reproduzir tais atos que são vistos em filmes pornôs não apenas quanto ao sexo, mas na forma de lidar com outras mulheres. O Carnaval é um belo campo social para estudar a influência dessas desigualdades encontradas em todas essas instituições, são milhares de casos de assédio sexual que ocorrem a mais nesta época. Assim, podemos constatar que falta a educação sexual nas escolas públicas, mas ela por si só não é suficiente, também há de ser falado sobre as desigualdades de gênero que são visíveis em todas as instituição, senão continuará havendo violência física e simbólica contra a mulher, além da inibição tanto dos desejos SAUDÁVEIS femininos quanto dos masculinos.

Para finalizar, muitos grupos se dividem quanto a Industria do pornô no sentido de ser positivo ou negativo a exibição da mulher nestes casos, porque há a problemática levantada de que mulheres são vendidas e isto é responsável pelas violências físicas e simbólicas que ocorrem, porém, há o outro lado que defende uma tese mais liberal de que a mulher é dona de seu próprio corpo e é responsável pela sua exibição ou não. Este debate não entrarei a fundo, porque prefiro deixar que os grupos que defendem cada lado debatam entre si qual deve ser o melhor para o corpo das mulheres, desde que a liberdade individual não seja interferida, afinal, não há como pregar o libertarismo e empoderamento sendo conservador e autoritário.

Acredito sim que homens também são afetados pelo machismo de uma forma diferente — talvez não seja necessariamente “machismo”, mas usarei esta palavra — , porque há uma série de convenções sociais que impedem que o mesmo faça diversas atividades, citei o ato de brochar acima, mas poderia falar também sobre os ensinamentos de que o homem precisa sempre se relacionar com várias, enquanto a mulher não poderia, citei também acima que os homens devem ser sempre os “dominadores” no ato sexual, fazendo com que sejam inibidos de experimentarem outros tipos de práticas sexuais, a forma de se portar em alguns lugares de encontro, é quase pecaminoso um homem rebolar, por exemplo, em festas. Assim, o filme pornô como uma forma de entrada para o mundo do sexo é algo perigoso, porque o mesmo é repleto de conservadorismo, achismo e mitos que não se preocupam em explorar os corpos das mulheres e dos homens, mas sim apenas reproduzir as desigualdades que são responsáveis por mortes físicas e psicológicas diariamente.


  • POESIA

Estado sem Espírito (11/02/2017)

Por Enrique Janoário Soares

Quando o poeta fala de política

As estrofes remediam a ideologia,

Mas o problema é de saneamento

O lixo moral começa aqui dentro

A consciência é aquela que dói sinalizando saúde

Nada dói, tudo é reality

Assaltos, mortes, inúmeros saques

Eu sou a voz do pessimismo

Eu moro em um estado sem espírito

Eu sou da terra arrasada

Eu pago impostos a um governo canalha

Eu sou capixaba

Temer temeroso

Temer tremido

Temer covarde

Temer matou a aula de geografia

Se não enxerga o Espírito Santo no mapa

Confere com a receita se os impostos não chegam em Brasília

Policias e sindicais mercadores

Do ir, do vir, do chorar horrores,

Do fulano não vai chegar mais em casa.

Tudo isso sem a certeza de um legado

Quando o poeta fala de política

A lei está censurando a justiça.

Contando histórias enquanto brinca de rimar (01/02/2017)

Por Caique

Nascido em nove oito

Me sinto gente aos dezoito

A história começa em dois mil

Doze

Tubarão, SC, Brasil

Pose

Pra foto, casa, cidade nova

Imbecil, infantil

O juvenil cavou a cova

Na terra-nova se deprimiu

Por alguma razão sentimento bom mediu, reuniu comprimiu

E jogou no bacio

Ficou sem chão

No fundo do poço ergueu a mão

Com todo um esforço saiu de lá vivo

Dois mil e treze, quatorze, quinze

O depressivo teve motivo

Uma paixão

Fotografia, literatura, escrita

A mão

Passou pro app

Mas nao snap

No meio do “Médium

Achou um “rémedium

Aprendeu a viver um ano depois

No ultimo ano de escola conheceu os mano pois

Sigo junto deles desde então

Quando fiquei sem estrutura

Minhas amizades foram minha cura

Numa das curvas da internet trombei com um podcast, o Gente que Escreve (um ótimo podcast, assim como o nome diz, para quem escreve) e na sua primeira edição o assunto é dicas para escrever melhor e uma das dicas que mais me chamou a atenção foi: “se desafie”.

“Se você escreve poesias, tenta uma crônica, uma redação, uma matéria de jornal, um artigo pra revista. O importante é se desafiar, ir atrás do desconhecido.

Decidido a me desafiar, fiz essa poesia contando um pedaço da minha história. Usando rimas. Meus textos não tinham rima, eu não sabia rimar.

Se você querido leitor, chegou até aqui aceite meu desafio: se desafie, escreva um texto que fuja dos seus padrões!

Obrigado por ler!


Gostou do texto? Clique no ❤ para ajudar na divulgação

Deixe seu comentário, ele é importante para nós. Caso deseje algo mais privado, nos mande um e-mail para rsubjetiva@gmail.com

Não deixe de curtir nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/revistasubjetiva

Quer escrever conosco? Siga o passo-a-passo de nosso Edital abaixo: