São Paulo das 9h às 15h

Foto de ASAA

Em razão do lançamento do meu poema “Não pense, sinta” na antologia “Além da Terra, além do Céu”, da editora Chiado, nesse domingo pisei pela primeira vez em São Paulo e como foram vários os espantos que tive nessas seis horas (nove horas da manhã às três da tarde). Creio que vale a escrita de um texto.

Antes de apresentar São Paulo nos meus olhos, acho que devo me apresentar. Sou natural de Cachoeiro de Itapemirim — ES, terra do Roberto Carlos e do Rubem Braga, para ficar mais fácil a localização se quiser procurar no Tio Google. Vivi meus primeiros 18 anos lá; e agora moro em Cachoeira Paulista, interior do estado de São Paulo.

Confesso que a capital paulista nunca me encheu os olhos, mas não significa que me fechei ao que a cidade tinha a dizer de si, das outras cidades e de mim mesmo.

Por volta das nove da manhã descia na Rodoviária Tietê, meu primeiro intuito foi procurar uma lanchonete para tomar meu café da manhã, pois nem saberia se almoçaria diante do rigor do meu tempo, e até porque em toda primeira vez a adrenalina fica alfinetando a razão. Ao ir pagar o café da manhã foi o primeiro espanto, um simples copo de café preto de 200ml mais dois pães de queijo de tamanho médio a medíocre me custaram R$ 19,00, paguei com o sentimento de assalto, pois não tinha tempo de ficar procurando estabelecimentos mais baratos.

O embalo do metrô me fez esquecer o inconveniente, e aqui fica o elogio a cidade, o meu translado foi super tranquilo e com preço condizente. Eu sei que uma cidade como São Paulo precisa de todos os meios e que o metrô sozinho não comporta a cidade, assim como em outras metrópoles. Apenas sei que saio com a crença que nosso insignificante uso dos trilhos, foi um dos meios mais capitais para o nosso não desenvolvimento. São Paulo me fez pensar o quanto custa viver e eu sou grato por isso.

Domingo a Av. Paulista é fechada ao tráfego automobilístico e aberto as almas. Vi pessoas se exercitando, conversando, desenhando, dançando e comentando a vida dos outros (também nem tudo podia ser perfeito). No centro financeiro do país, o capital era a vida, ainda que por horas determinadas. Sim, voltei revendo muitas ações, principalmente meus bens emocionais.

Ei, lembra que eu disse que meu café da manhã foi R$ 19,00, o meu almoço foi R$21,00 com o seguinte cardápio: arroz, feijão, salada, carne ao molho madeira e de sobremesa sorvete de baunilha. Realmente foi um absurdo aquele café, e digo a todos os paulistanos, principalmente aqueles me ajudaram a me localizar, porque vocês são os primeiros a pagar, digo também pelos turistas como eu, a rodoviária é lugar do turista que muitas vezes vem de estados mais pobres.

Voltando a Paulista, aquele trecho, foi o insuficiente que me plenificou, ainda mais pelo sorvete. Precisamos pensar as cidades do futuro mais humanas, para isso devemos perguntar quais são nosso investimentos.

Sampa, até próxima, se possível. As cidade são inconscientes coletivos, o que a sua cidade diz da sua consciência?


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