Sinais

Emil Nolde — Sunset (1909)

Os dias, os momentos e os pedidos parecem, a todo instante, ter algo a dizer. Talvez seja o verdadeiro caminho, a verdadeira resposta, ou talvez não necessariamente o que é verdadeiro, mas o que é prudente ali. No fim, a única coisa que parece importar é ter sentidos suficientes para percebê-los. E não vou dizer que os artistas os tem em especial, mas é possível que, ao se colocar notas em uma sequência harmônica, um caminho particular de compreensão para o que está nos dias — além do tempo, dinheiro e tudo o que é mundano — se abre. E o mesmo vale para as palavras de um texto ou as linhas de um desenho. O mesmo vale para quando penso em você.

O fenômeno de encontrar os olhos de alguém na multidão, por exemplo, por que deveria ser por acaso? Eu estive perdido, é verdade, mas percebi que não é tão difícil assim reencontrar-me. Aos poucos, acredito que torna-se mais simples deixar que o tempo dissolva as coisas que suportam o ego. Perceber que nosso corpo é frágil, nosso trabalho é pequeno e os relacionamentos são impermanentes, sem que isso nos torture, torna-se um processo natural. Uma canção — mesmo que escrita pelas mãos habilidosas de um músico — inevitavelmente toma seu próprio rumo, fluindo pelas pessoas sem ataduras.

Sim, eu estive perdido, mas mesmo assim, por algum motivo, tive a chance de alcançar seus olhos na multidão. E não posso deixar de me perguntar: será que todas essas estradas, agora, falam por nós?


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