Sobre fins de ano e as promessas que fazemos e nunca cumprimos

Chegou a época das músicas icônicas — que esperamos o ano inteiro para ouvir — , dos quitutes mais ansiados, de rever aqueles parentes queridíssimos e de ganhar — uhuul — meias e chinelos nas confraternizações de amigo invisível. É tempo de pedir ao bom velhinho um envelope bem gordinho, cheio de boletos pagos, além de, é claro, comemorar o aniversário do nosso brodi JC.

E eis que chega, nesse cenário, Simone, que desde 95 faz questão de nos perguntar:

Então é Natal… E o que você fez?

Não, agora é sério, o que você fez? Lembra daquelas promessas que você fez no fim do ano anterior para cumprir neste ano? E então, conseguiu? Bem, não se preocupe, eu também não. Mas é aqui que está a questão: por que sempre prometemos as mesmas coisas todos os anos e nem chegamos perto de alcançá-las?

Bem, eu não sei. Esperanças em recomeços, talvez.

Mas ei, deixa eu dizer uma coisinha: tá tudo bem…

  • …Se você não começou a (temida) dieta;
  • …Se o/a crush não te notou e você vai passar mais um ano sem responder àquela famigerada pergunta: “e os/as namoradinhos/as?”;
  • …Se seus planos de começar — ou continuar — a academia não deram certo;
  • …Se você não conseguiu guardar dinheiro;
  • …Se o sonho de morar sozinho ainda não se concretizou;

Sim, está tudo bem e sabe por quê? Porque essas necessidades nem sempre são de fatos nossas. Talvez a gente nem queira tanto assim metade delas. São conveniências que nos foram impostas desde que nos entendemos por gente (e até mesmo antes disso); crescemos escutando que a fórmula para ser bem sucedido em todos os ramos da vida é ter um físico padrão, um par ideal (e, de preferência, uma família perfeita), uma casa própria e um carro, além de, obviamente, um diploma em mãos. E isso fica tão impregnado nas nossas cabeças que, quando nos damos conta, já estamos repetindo esse discurso vazio para nossos sobrinhos, alunos, filhos, conhecidos — mesmo que já tenhamos nos frustado por não ter alcançado-a anteriormente; e é aqui que a gente decide apelar pro divino, começando a fazer promessas e mandingas para conseguir algo que, no fundo, a gente nem precisa.

Então eis aqui a grande verdade: não há fórmula ou receita transponível pra se viver. É tão óbvio que chega a ser estupidez; mas esta ressalva é necessária. Você tem liberdade para decidir sobre sua vida, e a maneira como gostaria de vivê-la. Você pode não saber, mas as rédeas estão nas suas mãos, e não nas mãos dos seus pais, dos seus amigos, dos seus professores, dos seus chefes ou de qualquer outra pessoa. Você quem tem que saber o que é melhor pra você mesmo.

Sendo assim, reescrevamos suas antigas “metas”, transformando-as em lembretes diários para dias mais felizes daqui em diante:

  • Quem tem que opinar sobre seu corpo é você. Então não se preocupe se você não conseguiu fazer a dieta ou entrou na academia. Seu corpo é lindo do jeito que ele é, com estrias, celulites, gordurinhas — ou a falta delas. Não existem corpos perfeitos; existem corpos, e todos são lindos. Olhe-se no espelho e estenda a bandeira do amor próprio. Ame suas curvas (não importa se elas estejam na sua cintura ou na sua barriga). Aceite-se! Não permita que olhares tortos ou cochichos estraguem seu dia, se você está feliz consigo, isto é o que realmente importa. Afinal, se a aceitação e o amor não partirem inicialmente de nós mesmos, ninguém irá percebê-los na gente. Ame-se e, se alguém te amar de volta, vai ser por mérito seu e de sua autoestima. Não permita que a insegurança faça parte da sua vida!
  • E daí se você continua solteiro(a)? Você quer um “mozão” somente pra responder àquela perguntinha e pra provar que você não é o/a “virjão/ona” que a família pensa ou você realmente quer um mozão? Bem, caso seja o último caso, continue tranquilo(a). Sabe aquela historinha de que “quando for pra ser, será”? Ela é bem verdade. Todas as coisas têm seu tempo — e nem sempre elas são no nosso. Há um conto chinês que diz o seguinte:
“Um fio vermelho invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se
Independentemente do tempo, lugar ou circunstância
O fio poderá esticar-se ou emaranhar-se,
mas nunca irá partir.”

Assim, não tenha pressa para que as coisas aconteçam, a pessoa que está com a outra ponta do seu fio vermelho aparecerá em algum momento. Até lá, vá investindo no o amor próprio, vai que ele chama a atenção do seu par? :)

  • Gente, por favor, né? Já viram o preço dos lanchinhos e das brusinhas? Tá muito difícil sobreviver com apenas dez reais… já viram o preço da coxinha? Brincadeiras à parte, o que vale aqui é parar com aquela mania louca de ficar com o dinheiro todo contadinho e separadinho pra tudo — só não exagere muito; não vá fazer a Kardashian e sair passando tudo no crédito, que a gente não tem aquela conta bancária, né non? Vamos ter bom senso, mores. Mas também não nos privemos dos nossos pequenos prazeres. A vida é tão curta pra gente não comer aquele lanchão da esquina de vez em quando, ou pra não comprar aquela blusinha que a gente paquera há tempos na vitrine..!
  • Você realmente tem certeza de quer morar sozinho(a)? A princípio pode até parecer legal, confesso, mas você já parou pra pensar nas responsabilidades que vêm junto com a casa própria? Boletos e mais boletos, contas e mais contas, louça e roupa pra lavar, comida e faxina pra fazer… É, na casa dos pais a gente quase nem se preocupa com esses “pormenores”. Então ficar mais um pouquinho com eles até termos saúde psicológica pra enfrentar a vida adulta nem é tão ruim assim, vai! Sem falar que a gente tem carinho e alguém pra matar baratas pra gente full-time — e isso é deveras importante.

Então, “é isto” — como dizem por aí. Espero que neste final de ano você reveja suas promessas e certifique-se de que são metas que você realmente vai se esforçar para cumprir. Lembre-se sempre de que você quem deve decidir sua vida. Portanto, sua opinião é a que mais importa e a que mais deve ser levada em conta.

Happy Holidays!



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