Tradução: cuidado com o cão

Sobre prender os cachorros e viver em sociedade

Viver em sociedade, relações e questões importantes

Segurem os cachorros, coloquem focinheiras nos que estão nas ruas e não mordam os coleguinhas.

Viver em sociedade tem sido uma das questões mais difíceis para a maioria das pessoas. Quem nunca teve um problema com o vizinho barulhento, ou mesmo aquele colega de trabalho chato que fica importunando?


Por mais difícil que seja lidar com pessoas nas manhãs de segunda-feira, não podemos esquecer que somos animais fortemente sociais, ou seja: vamos estar cercados de uma esfera social a todo o momento. Não há formas de tirar férias da sociedade e passar um mês em uma praia deserta qualquer — a menos que você seja um milionário qualquer.

Podemos dizer várias dicas para a boa convivência na sociedade: respeitar o próximo, ajudar os necessitados, contar até dez em momentos de nervosismo, etc. Mas, será que essas coisas realmente funcionam?


Sobre o zoológico

Uma ideia amplamente difundida por Desmond Morris no livro The Human Zoo, é de que o ser humano não está preparado para viver em centros urbanos tão volumosos quanto os que vivemos. Pense em São Paulo, que em 2016 chegou ao grande número de 12,04 milhões de habitantes. Sim. Mais de 12 milhões de habitantes. Esse número tão alto atrapalha a criação de laços profundos, ou mesmo um sentimento verdadeiro de empatia.

Por quantos pedintes, sem tetos e pessoas esfomeadas você passa ao caminhar por quinze minutos pelo centro de São Paulo? Certamente, esse número será mais alto do que deveria. E por que não há uma grande mobilização social para ajudar todas essas pessoas? Não quero dizer que não há pessoas e grupos que exercem uma ação humanitária, quero dizer que ela é pequena.

Vamos pensar em um grupo menor: 150 pessoas. Segundo Desmond, esse seria o número ideal para uma comunidade onde a desigualdade seria praticamente zero, e os laços e relações seriam mais profundos e fáceis de formar. Pensando assim, viver em comunidades maiores (na casa de milhões) prejudica uma das nossas atividades mais básicas: socializar.

Não menos importante, vale lembrar que o próprio Desmond disse que vivemos em verdadeiros zoológicos. O que você pensava ser uma selva de pedra, na verdade é um zoológico.


Sobre novas preocupações

Devemos sempre lembrar que o ritmo frenético das grandes cidades causa muitas coisas ao ser humano: os males do século. Ansiedade, depressão e todas as outras ocorrências que não são naturais e nem boas tem forte relação com o andar agitado das cidades.

Pense que o ser humano teve seu ápice da evolução ao chegar nas savanas africanas. Caçar, colher frutas, cuidar dos filhotes e dos mais velhos eram as nossas principais preocupações. Ninguém naquela época pensaria que um boleto poderia tirar o sono tanta gente.

Não tivemos tempo suficiente de trocar o ritmo de uma comunidade de 15 indivíduos para de uma metrópole gigantesca. Transito, contas atrasadas, desemprego e cia são as nossas novas preocupações. O leão que antes tentaria nos devorar, tornou-se o leão da receita federal.

E agora, josé? O que vamos fazer com isso? Infelizmente, não há uma solução pronta e prática. O primeiro passo é aceitar que a nossa rotina não é o que estamos preparados para enfrentar. Diante disso, vamos tirar leite de pedra.

A principal coisa que precisamos enxergar é: os outros possuem o mesmo problema que nós. Se as grandes metrópoles atrapalham nossas habilidades em se relacionar, também terá o mesmo efeito nas pessoas que convivem com a gente. Sabendo disso, se cada um tomar um pouquinho mais de cuidado na hora de lidar com o próximo, nossas relações terão um grande upgrade!


Sobre relações volúveis

Escorrem pelos dedos em um piscar de olhos, onde a chama se apaga tão rápido quanto surgiu, nem mesmo o mais atento juiz perceberia que ali houve um amor.

As relações estão se tornando cada vez mais volúveis, curtas e sem história. Podem durar uma semana, ou mesmo apenas um dia. Sem laços profundos ou histórias para contar, tentar manter essa relação é tão eficiente quanto segurar um rio com as mãos. Duram tanto quanto a bateria do velho iPhone.

Fugindo da repetição, não é desconhecido que nossas relações tendem a ser superficiais. Oras! Se temos dificuldade em formar laços profundos, a lógica é que nossas relações também sofram com isso.

Na agitação das grandes cidades, encontrar alguém que tenha interesses em comuns com os nossos pode ser bem fácil, mas encontrar alguém que tenha interesse na nossa essência é difícil.

Com quantas pessoas você já conversou naquele batido bar da Paulista, onde trocou vários números de celular e teve conversas que duraram três dias? O que houve com o interesse que motivou o primeiro “oi”?

Poderia citar vários nomes conhecidos, como Bauman e Bukowski, mas sinto que não será necessário. Esse tipo de assunto já é algo tão íntimo que cada um já tem seus devaneios próprios. Cada um já se perguntou o que é o amor, porque aquele relacionamento acabou e qual é o motivo de “o amor da sua vida” não estar ao seu lado. Toda vez que você refletir sobre isso, pense que você está em um ambiente hostil para laços profundos e relações íntimas.

Um ambiente onde todos querem se sentir importantes e amados, só que em um imediatismo inexistente, ou mesmo de uma forma egoísta. Buscamos reafirmar nossa importância sendo importante para outras pessoas, mas esquecendo que antes de ser par, devemos ser um bom singular. Pense que isso tudo não é um “problema” do coleguinha, e sim uma situação tão crítica para as relações humanas que agir diferente disso é difícil.


Sobre outras questões importantes

Amizades, namoros, casos e conhecidos. Cada uma dessas entidades representam uma complexidade única nas nossas vidas. Você precisa gerenciar um círculo de amigos, manter um relacionamento amoroso funcionando, ou mesmo lidar com os famosos “contatinhos” e cuidar da entradas e saídas de pessoas na sua vida. Isso dá um trabalho bem grande.

Além de todas essas coisas, temos várias adversidades no dia a dia, como um boleto atrasado, uma pilha de roupas não lavadas, aquele relatório do trabalho que está pendente e até mesmo uma ligação para um parente distante.

Diante de tanta complexidade, imediatismo e ações necessárias, é mais comum do que imaginamos um leve vacilo da nossa parte. Não somos máquinas inflexíveis, que podem fazer milhares de vezes as mesmas ações e manter uma taxa de assertividade de quase 100%. Vamos errar, esquecer alguma coisa ou ter algum tipo de problema, como uma leve ansiedade, ou chegar a casos de tristeza profunda e depressão diante uma vida tão agitada e fora do nosso controle. E tá tudo bem se isso acontecer.

Talvez você pense que é preciso ser forte todo o tempo, que as pessoas estão apenas esperando o seu fraquejar para rir, que ninguém está do seu lado, mas isso não é verdade. Pense que as outras pessoas passam pelas mesmas coisas que você. Possuem os mesmos medos, problemas e vivem a mesma vida acelerada. Todos estão em busca de algum tipo de paz. Seja você a paz que o outro precisa e torça para que o ato seja recíproco.


Diante do fato de que vamos nos sentir menores em algum momento das nossas vidas, vamos aceitar que precisar de ajuda é normal. Que acordar em uma quarta-feira cinzenta e não sentir vontade de levantar da cama não é algo impossível de acontecer, e que ligar para alguém simplesmente para dizer como a vida anda difícil não te faz menos. Em tempos de relações superficiais, simplesmente aceite a intimidade do outro e mostre o seu melhor lado.


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