Sobre sentimentos: Capítulo 5— Quem completará você?

Conheça-se primeiro, depois toque o outro

Metáforas quase sempre nos permitem viajar por mundos ainda inexplorados e pensar sobre ideias que até mesmo ontem não eram possíveis. Vamos nos aproveitar desse recurso!

Imagine que por um advento mágico, você vai passar o resto de sua vida em um barco a remo. É um grande e belo barco, por conta disso é preciso que duas pessoas remem para que ele continue se movimentando. Você e o seu companheiro de remo devem decidir qual direção seguir; devem remar com o mesmo ritmo e a mesma velocidade; e se contentar em ficar cada um do seu lado do barco — se isto não for feito, andarão em círculos até enlouquecerem. Diante de tudo isso, não temos dúvidas que você vai ter muito cuidado ao escolher o seu parceiro.

Esse barco é como um relacionamento, e não é qualquer pessoa vai te ajudar a remá-lo. De início, é preciso encontrar alguém que está seguindo o mesmo rumo que você, alguém com quem você se entenda e que, ao mesmo tempo, possa enchê-la de otimismo e vontade quando os esforços dessa jornada parecerem muito difíceis.

Haverá momentos para dar e momentos para receber; e diversos momentos em que vocês terão que animar um ao outro, suportar algumas lamentações e sofrimentos, alegrar um ao outro, acalmar-se, manter-se seguros, resistir a uma tempestade, aquecer-se sob o Sol, fazer amigos ao longo do mar, cuidar um do outro e abrir espaço para outros passageiros. Com tanta coisa influenciando sua escolha, você provavelmente vai pensar em outras pessoas antes de encontrar o parceiro ideal.


A verdade é que a maioria de nós não tem muita ideia de como encontrar o amor e, como resultado, tratamos esse assunto de forma muito abstrata — para ser justo, podemos trocar o “maioria” por “todos nós”. Estamos tão convencidos de que o amor deve acontecer naturalmente — como nos filmes, desenhos e propagandas de TV — , que ficamos contando com o acaso. No entanto, assim como ocorre em outros setores das nossas vidas, você tem uma chance muito maior de encontrar alguém quando sabe o que está procurando.

Quando ouvimos pessoas em relacionamentos longos, divertidos, produtivos e felizes dizerem coisas como “ela me faz sentir completo” ou “nós sentimos que somos perfeitos um para o outro”, todas elas estão dizendo a mesma coisa: ambos os parceiros trazem para o relacionamento as qualidades que o outro não tem e juntos eles se sentem como a soma de suas partes. Esses casais estão nos dizendo que são opostos que se completam psicologicamente e suas diferenças são o aspecto fundamental para seu relacionamento. Lembre-se do que Sócrates disse:

“No amor, buscamos e desejamos aquilo que não temos.”

Quando somos questionados sobre o que buscamos em um parceiro, grande parte das pessoas quase sempre dizem coisas como: “alguém com um grande senso de humor” ou “uma pessoa com muita energia e um espírito aventureiro” ou até mesmo o clássico “alto, moreno e bonito”. Mas seria melhor se focássemos não a pessoa que estamos procurando, mas sim em nós mesmos — principalmente como nos sentiríamos com essa pessoa.


Quando alguém pergunta: “Como você se sente com a pessoa que ama?”, obviamente nem todos usaram a palavra inteligente, poderoso, valioso ou importante, mas a maioria das pessoas vai dizer esses sentimentos de várias outras formas, não necessariamente com a palavra direta.

Claro que a maioria das pessoas necessitam sentir todas essas coisas ou combinações delas de vez em quando, mas socialmente sempre uma se sobrepõe às demais.

Considerando que as pessoas se combinam das formas que são mais importantes para elas (interesses, valores, religião, etc), pessoas que apresentam ter opiniões ligeiramente diferente entre si tendem a formar laços mais forte.

Imagine duas pessoas que gostam de se sentir no poder remando o mesmo barco, ambas disputariam a posição que determina a direção, velocidade e relacionados. Imagine até aonde duas pessoas que gostam de se sentir importantes iriam para conseguir atenção. O mesmo para duas pessoas que gostam de se sentir inteligentes, pois uma criticaria as decisões da outra e a colocaria para baixo para se sentir mais inteligente (ou viveria constantemente com medo de parecer estúpida em relação ao seu companheiro). No caso de duas pessoas que buscam valores, uma sempre procuraria o apoio da outra e simplesmente remaria junto, preferindo concordar com qualquer coisa que o outro dissesse e adiando em vez de balançar o barco.

Se você já, de alguma forma, machucou a personalidade seu parceiro, utilize sua compreensão do que o motiva para reparar a situação. Mostre ao seu parceiro que ele é inteligente e que você respeita suas ideias, ou tenha certeza que seu parceiro sonhador se sinta valorizado, e assim por diante. No futuro, não se esqueça de tratar os pontos principais da personalidade do seu parceiro com cuidado.


E não sei o que seria de mim
Se não pudesse mais
Ter você aqui comigo…
 — Você me completa, Mário Feijó


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