Sol de Domingo

espaços vazios

Marion Hedger — New Day

O sol de domingo veio. Calmo e suave numa manhã, foi quando ele veio, e o céu estava limpo e azul…

O sol de domingo iluminou pessoas e rostos caminhando em suas estradas e tempos — nem sempre tão felizes. “Eles parecem tão bem em suas direções”, o rapaz pensava, sentado em seu muro. Pensava também em histórias — sem qualquer razão ou rima — que atravessavam sua cabeça. O sol brilhou para ele também, mas ele não queria sorrir. “Não se preocupe”, disse ao sol, “é porque penso na sua beleza, mas sei que logo vai se tornar a chuva que molha estradas lamacentas”.

O sol de domingo continuava alto. As pessoas passavam como uma corrente fria no cérebro do rapaz, que insistia nas memórias. Às vezes ele só desejava uma experiência honesta, como o cair de seu muro. Mas todo mundo necessita de um muro, desde que se abra espaço para o outro, ao lado. O problema é que não havia cidade ou floresta entorno do muro, só o vácuo — o sol de domingo… E quem quer se sentar acima do nada? Era talvez coisa que só o rapaz gostasse mesmo. O cansaço abastecia, às vezes — digo, espaços vazios.

O sol de domingo ia-se embora. “Deve-se bater em outras portas?”, perguntava o menino, esperando a noite “ou abrir-se a própria?”, sussurrou quando alguém vinha de lugar nenhum. Algo estranho e incomum acontecia: se olharam. Ele só pôde simplesmente suspirar e dizer “por favor, não pense em nada. Você verá que lugares vazios são mais vastos do que imaginava”.

O sol de domingo se pôs, e a noite transformava-se no sol de segunda, testemunhando mais um dia que passou.


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